O grande dano causado pela revolução litúrgica após o Concílio Vaticano II consiste na maneira como a Igreja perdeu a convicção com que todos os católicos – pastores analfabetos, empregadas domésticas e operários, Descartes e Pascal – participaram naturalmente do culto sagrado da Igreja. Até então, o rito estava entre as riquezas dos pobres, que, por meio dele, entraram em um mundo que de outra forma estava fechado para eles
(Imagem – auxiliando Bispo Schneider na missa na capela do Chavagnes International College no ano passado durante a Conferência do verão. NB Veja aqui a conferência deste ano).

Pe. Simon Henry – Offerimus Tibi Domine | Tradução: Sensus Fidei – Um ensaio muito interessante de Martin Mosebach, intitulado “Return to the Form” sobre First Things.

Um par de meus trechos favoritos:

O grande dano causado pela revolução litúrgica após o Concílio Vaticano II consiste sobretudo na maneira como a Igreja perdeu a convicção com que todos os católicos – pastores analfabetos, empregadas domésticas e operários, Descartes e Pascal – participaram naturalmente do culto sagrado da Igreja. Até então, o rito estava entre as riquezas dos pobres, que, por meio dele, entraram em um mundo que de outra forma estava fechado para eles. Experimentaram na antiga Missa a vida futura, assim como a vida no presente, uma experiência da qual só os artistas e os místicos são capazes. Esta perda de transcendência compartilhada, disponível para os mais humildes, não pode ser reparada por gerações, e esta grande perda é que torna a irrefletida reforma da missa tão repreensível. É um ultraje moral que aqueles que esvaziaram o Rito Romano, por causa de sua presunção e ilusão, foram autorizados a roubar uma geração futura de sua herança católica completa.

A maioria dos fiéis, contudo, nunca conheceu outra coisa senão a Missa revisada em suas inúmeras manifestações. Eles perderam qualquer sentido da riqueza espiritual da Igreja e, em muitos casos, simplesmente não são capazes de seguir o antigo rito. Não devem ser criticados por causa disto. A Missa Tridentina exige uma vida de educação, e a era pós-conciliar é caracterizada, entre outras coisas, pelo abandono generalizado da instrução religiosa. A religião católica, com seu grande número de crentes, tornou-se na verdade a religião mais desconhecida do mundo, especialmente para seus próprios adeptos. Embora haja muitos católicos que se sentem repelidos e ofendidos pela superficialidade do novo rito, como é freqüentemente celebrado hoje, pela música odiosa, a cafonice puritana, a banalização do dogma,

Publicado originalmente: Offerimus Tibi Domine – Rite that was the riches of the poor

Rito que era a riqueza dos pobres

3 ideias sobre “Rito que era a riqueza dos pobres

  • 10 de maio de 2017 em 17:53
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    O insight do texto é preciso: antes, qualquer pessoa tinha acesso a um rito que transbordava mais nobreza do que qualquer coroação. Hoje, o mesmo sacramento, ainda que validamente celebrado, tantas vezes é travestido de uma miséria de significados e beleza que escondem seu verdadeiro sentido do povo. Os modernistas e teólogos da libertação não amam os pobres. Amam a estética da pobreza.

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  • 23 de abril de 2017 em 09:08
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    A missa nova chega a ser grotesca.

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  • 19 de abril de 2017 em 19:23
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    Perfeito, esses são meus sentimentos. Descobrindo a tradição, encontrei a verdadeira religião!

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