Que revolução caótica não é agora impossível na Igreja por parte daqueles que não tinham escrúpulos em revolucionar a missa? Que aspecto da vida cristã permanecerá estável se a Missa de Cristo e sua Igreja não permaneceu assim?

Editorial: Radicati fede nella, janeiro 2017

Boletim da comunidade católica Vocogno, Diocese de Novara, Itália.

[Foto: Momento do Vaticano II: “Missa Africana”, realizada na Arquidiocese de Brasília, Brasil]

Rorate Caeli – Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei: Começamos o ano novo, como sempre cheio de expectativas.

Juntamente a estas expectativas também estamos cheios de temores, tendo em conta a onda de confusão em que estamos agora imersos. Confusão, uma vez que praticamente não há nada que seja estável no mundo e a situação é infinitamente pior para nós na Igreja.

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Em um tempo a confusão do mundo foi esmagada pela robusta estabilidade da Igreja de Deus. Os homens precisam de uma rocha firme para construir sobre e dentro da Igreja que encontraram essa composição estável que lhes deu a confiança para enfrentar as lutas de seus tempos.

Os tempos podem ser incertos e confusos; as almas podem experimentar momentos de incerteza na luta interior que decorre entre a graça e o pecado; mas, a Igreja não! A igreja que nos fala de Deus e nos dá a Deus, deve ser a Mãe que, no tumulto dos tempos, permanece firme, um refúgio seguro nas tribulações da vida.

E o que será das almas comprometidas nesta luta, se elas não têm esse refúgio seguro? O que vai acontecer com elas se ao tentar escapar da confusão do pecado, encontram uma Igreja perenemente “em ação”, comprometida em mudar e modificar tudo continuamente, em uma busca sem rumo de novidade? Uma casa em construção é inabitável, não se pode viver nela: as almas podem ficar por um tempo, e, se elas se vão, não mais voltarão.

É precisamente isto o que nós experimentamos na Igreja de hoje: flutuação moral, disciplina incerta, administração desordenada dos sacramentos, liturgia improvisada, autoridade ausente…; uma vida eclesial cheia de “depende”, “precisamos ver”, “temos que nos adaptar”, “precisa ser interpretado”, “não há necessidade de exagerar”, etc.

Não há nenhuma maneira de evitar isso, é o oposto de uma casa plena da paz de Deus.

Muitos estão acordando para o fato de que esta situação não é normal — não é católica!

Muitos estão despertando para o fato; estão começando a falar sobre isso, com o risco, no entanto, de não chegarem ao fundo da questão. Todos os “devotos conservadores”, que estão alarmados com a confusão depois de Amoris Laetitia (re: as incertezas sobre a disciplina do matrimônio cristão) são sinceros, mas não estavam tão surpresos com a nova missa que veio antes. Todos os que querem que a Igreja volte à sua nobre estabilidade também são sinceros, mas também acabam por irritar um pouco, porque nunca enfrentaram totalmente o problema da liturgia reformada.

Sim, esses devotos conservadores são sinceros e, ao mesmo tempo, irritantes, porque, ao não terem compreendido o cerne da questão, somam-se à confusão que já abunda na Igreja.

Queremos dizer-lhes, com toda a sinceridade: “Mas por que vocês estão tão surpresos com tudo isso, se antes já haviam mudado a missa?”

Que revolução caótica não é agora impossível na Igreja por parte daqueles que não tinham escrúpulos em revolucionar a missa? Que aspecto da vida cristã permanecerá estável se a Missa de Cristo e sua Igreja não permaneceu assim?

É verdade que ao longo dos séculos, de tempos em tempos, tem havido adições à missa católica. O texto para o ofertório é, por exemplo, medieval, o glória não estava no início, mas todas as “mudanças” não mudaram nada: simplesmente aclararam a missa que já existia, livraram-na de suas possíveis ambiguidades de interpretação ao longo do tempo e aprofundaram a consciência no celebrante e nos fiéis.

Em suma, as adições não acrescentaram nada à substância, e as pequenas mudanças não mudaram nada.

Não foi assim com a reforma pós-conciliar: trabalhou-se uma revolução que mudou as consciências. Aqueles que a aceitam devem, então, aceitar que a vida da Igreja agora se concebe para além Revelação, em constante mudança, sem limites. A revolução é progressiva, é apenas uma questão de tempo.

Não se escandalizem, portanto, com a confusão, preocupem-se com a missa!

No início deste novo ano, confirmamos nossa fidelidade à “missa das idades”, a única fonte de paz para todos os fiéis católicos.

Sim, a “Missa das idades”, que nunca foi alterada, nem revolucionada, mas que se tornou mais clara e purificada de adições estranhas. Sim, a “Missa dos tempos”, embora a última geração de liturgistas zombe deste termo. Eles zombam para evitar enfrentar o problema, para evitar estudá-lo em profundidade, para evitar sair da “corte” dos especialistas que contribuem para a mentira de uma Igreja que está fazendo o que quer com o seu bem mais precioso de Cristo: “Fazei isso em memória de mim”.

A “Missa dos tempos” é a nossa única paz: a única paz para todo fiel que verdadeiramente quer pertencer a Cristo.

(Traduzido por Rocio Salas. Artigo original)

[* Fonte da imagem: Paróquia do Espírito Santo, Distrito Federal, Brasil, novembro 2016 – Arquidiocese de Brasília]

Publicado em: Rorate Caeli | Adelante la Fe – ¿Por qué estás sorprendido con la situación actual? ¡Si ya han cambiado la MISA!

Por que a surpresa com a situação atual? Se já mudaram a MISSA!

2 ideias sobre “Por que a surpresa com a situação atual? Se já mudaram a MISSA!

  • 12 de janeiro de 2017 em 13:36
    Permalink

    Onde encontraremos celebrações tradicionais…moro em foz do Iguaçu/PR e não encontrei aqui padres conservadores…tenho encontrado no Paraguai…mas fica muito longe, temos feito sacrifício para ir aos domingos!!! Se puderem quero continuar recebendo orientacoes, informações e matérias sobre a Igreja!!! Obrigado.

    Resposta

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