O grande apóstolo do Santo Rosário ressalta os dez dons e esplendores da Oração do Senhor, o Pater Noster, e os quinze dons e esplendores da Saudação Angélica, a Ave Maria, que todos aqueles que recitam essa devoção [o Santo Rosário] todos os dias oferecem a Deus

Sensus fidei: Beato Alano da Rocha, muitas vezes citado por S. Luis Maria Grignion de Montfort foi um predestinado especialmente escolhido pela Santíssima Virgem em tempos de grandes provações para a Igreja e os católicos em geral. Sua missão foi reavivar a devoção tão simples e tão poderosa do Santo Rosário, ou Santo Terço, anteriormente revelado pela própria Mãe do Senhor a S. Domingos e muitas vezes por Ela mesma solicitado em cruciais momentos da Igreja como a solução sempre disponível e sempre eficaz. A devoção do Santo Rosário alcançou do Céu grandes vitórias contra as heresias cátaras e albigenses por reascender a Fé na alma dos católicos de então.

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“Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”, pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.)

No texto a seguir, um extrato de sua obra “Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”, pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.), disponível para leitura on-line e também para download [no final do artigo], o Beato Alano da Rocha explica a importância da recitação do Rosário e explana as vantagens de se pertencer à Confraternidade Mariana, cuja responsabilidade foi conferida à Ordem Dominicana.

Nessas suas exortações, reveladas a ele para o bem das almas pela própria Mãe do Senhor, o grande apóstolo do Santo Rosário ressalta os dez dons e esplendores da Oração do Senhor, o Pater Noster, e os quinze dons e esplendores da Saudação Angélica, a Ave Maria, que todos aqueles que recitam essa devoção [o Santo Rosário] todos os dias oferecem a Deus rendo-Lhe, dessa maneira, glória e louvor, além de atrair graças para a Igreja, para a Pátria, a Família, para o Trabalho segundo o estado de cada um e, sobretudo, para a conversão dos pecadores e a salvação das almas.

Vigilante Protetor e Pastor das ovelhas de Cristo, quantas e tão grandes vantagens divinas e humanas na Igreja e no Mundo Cristão, são fruto da cerimônia de inscrição e de participação à Confraternidade Mariana. A esta nós nos inscrevemos e ninguém pode enumerar suficientemente os dons e nem mesmo compreendê-los no seu esplendor. Eles podem ser vistos como acréscimos acumulativos, por parte destas duas divinas orações do Saltério, digo, a Oração do Senhor e a Saudação Angélica. E, se reconduzimos todas as coisas aos sumos princípios, é lícito propor aqui sobre tais dons, dez Orações do Senhor e quinze da Saudação Angélica. Estas duas orações evangélicas visto que exercem, como em uma competição, todo o esforço dos salmodiantes de Cristo e de Maria e recomendam a eles a produtividade. Não tem ninguém a quem a santa fé conceda sem ser injusta, a dúvida, que ao cansaço corresponde igual e infinitamente prêmios maiores. De fato cada um recebe, segundo o quanto foi em grau de carregar (2 Cor. 5).

I. Certamente a mesma Oração do Senhor com as palavras que a compõem, comunica dez ótimos Dons, com os quais a graça de Deus gratifica aqueles que merecem ser Salmodiantes.

1. Com a inscrição na Confraternidade os Salmodiantes (pedem) o bem, ou seja, a adoção como filhos de Deus, visto que os Salmodiantes oram o “Pai nosso”. Aqueles que foram pecaram pelas próprias culpas, com a participação nesta grande Confraternidade, se regeneraram filhos de Deus.

2. (Pedem) de imitar a Sociedade Celeste através da graça, visto que pregam “Que estais no céu”; ou seja, aquela dos mesmos Beatos, através da Graça e da Glória.

3. (Pedem) a santificação do Nome de Deus na Igreja, porque rezam muitas vezes “Santificado seja, etc”… Assim o Nome de Deus e de Maria em um único Saltério vem santificado cento e cinqüenta vezes, quantas vezes está na boca e nos corações de todos os participantes! E verdadeiramente estes, com a força da oração, por si mesmos se fazem santos. 4. (Pedem) o advento do Reino de Deus, seja na política, seja na Igreja, seja no Reino da Glória de Deus, porque oram “Vem a nós o vosso Reino”. E assim aqueles que antes eram escravos, agora são os libertos de Deus no seu Reino. 5. (Pedem) o cumprimento da Vontade de Deus, porque oram “Seja feita a vossa vontade etc.”.

6. (Pedem) o suficiente mais do que a abundância das coisas temporais, porque oram “O pão nosso etc.” necessário à vida mortal e no digno uso espiritual dos Sacramentos. Certamente estas ocasiões universais de todos os bens tem tido muita eficácia também para muitos que esqueceram por muito tempo de Deus e de si mesmos, para que nenhum dia passasse para eles, sem que existissem suplícios ao comovente Sacrifício da Santa Missa, antes de dedicar-se aos deveres da sua vocação.

7. (Pedem) a remissão dos pecados, porque oram “Perdoai”. Daqui, quanta conversão dos pecados foi e é feita! Para a surpresa e exultação dos Coros Angélicos.

8. (Pedem) a Fraterna Caridade e a paz dentro e fora, pública ou privada. Os resultados atestam perfeitamente estas coisas no mundo inteiro, porque oram “Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

9. (Pedem) a liberação das tentações, porque oram “Não nos etc.”. E estes experimentaram em muitas ocasiões; aqueles lugares na Confraternidade a tão grande participação subiram aos Sansões, aos David, etc. 10. (Pedem) a liberação dos males da culpa e da punição, porque oram “Mas livrai-nos etc.”

E daqui vimos, que muitos doentes, aflitos e não somente os desesperados, foram trazidos a si, a Deus e a uma nova vida. Pela primeira vez eles permitiram ser inscritos nesta Confraternidade e estabeleceram de rezar devotamente o Saltério. Graças ao Saltério eu vi uma mulher cega voltar a ver; e uma outra ser libertada, vítima que era de um demônio mau e furioso.

A Fé Cristã nos ensina que se podem obter as mesmas coisas e tantas outras, pela eficácia da Oração ao Senhor, então por isso Cristo nos ensinou esta divina Oração: também colocou dentro da mesma todas as coisas boas a pedir e todas aquelas más a serem afastadas; então enfim, prometeu que o resultado seria conseguido: Pedir e obter: batas na porta e vos será aberto, peçais e recebereis. “De fato cada um que pede, obtém; e quem procura encontra, e a quem bate será aberto”. (Mt. 7; Lc. 11) E para que não parecesse não ter recebido nenhum dos pedidos acrescentou: Qualquer coisa que pedires na oração, acredite que a recebereis, e vos será dada (Mc. 11). E os dez pontos principais falam muito por si sós.

II. A Saudação Angélica no seu gênero contém quinze coisas boas, preparadas por aqueles que as pedem na devida forma; estas coisas são concedidas com a bondade de Deus aos Salmodiantes de Maria, seja em razão da dignidade da Saudação, seja em razão do mérito da Virgem; o demonstrarei com igual método e modo. Ela é formada num total por quinze palavrinhas divinas, que contém um mistério, eis o que mostrarei além dos frutos e dos efeitos divinos destas. A primeira coisa boa (pedida) é a liberação dos erros da maldição de Eva, através da oração Ave Maria.

2. (Pedem) a iluminação da mente, através da inspiração e das noções das ciências, e através da graça: através de Maria, ou seja, da iluminadora.

3. (Pedem) que seja dado aos seus servos o dom de uma Graça: porque oram “Graças”.

4. (Pedem) a abundância da graça através da plenitude do Espírito Santo: porque oram “Cheia”, e oram à especial plenitude de Maria.

5. (Pedem) a senhoria da liberdade pela qual Cristo nos libertou (Gal. 4), visto que no “Senhor”, exaltam particularmente a Senhoria da Soberana Maria.

6. (Pedem) a assistência de Deus na vida deste mundo: visto que oram, “Convosco”, os servos da sociedade de Maria.

7. (Pedem) a Benção Angélica: visto que é “Bendita”, aqueles que rezam e veneram a Benção Angélica de Maria, igualmente eles (pedem) de serem benditos pelos Anjos.

8. (Pedem) a posse do privilégio, antes dos outros, que deve ser dado aos Salmodiantes; visto que no “Vós”, indicam uma outra vez a perfeição da Mãe de Deus sobre as outras mulheres.

9. (Pedem) o alcance da Misericórdia, visto que professam que a extraordinária Mãe de Misericórdia exceda “Entre as mulheres”.

10. (Pedem) uma especial benção, visto que cada dia repetem cento e cinqüenta vezes ao Filho de Deus, “Bendito”, aquele que bendiz aqueles que o bendizem.

11. (Pedem) o fruto da natureza, da graça e da glória. Visto que no “O fruto”, honram a Jesus, o extraordinário fruto de Maria.

12. (Pedem) a perfeição da pessoa na natureza, nos costumes e nos casos da sorte, segundo quanto alegrará a salvação. Visto que no “Ventre”, louvam com a palavra o nobre e puríssimo Templo da Virgindade e o Triclínico da Trindade.

13. (Pedem) a especial familiaridade de Maria em qualquer um dos dons: porque no “Vosso”, designam a especial natureza de Maria, que existiu nela.

14. (Pedem) a saúde da Graça e da Glória: pela qual oram “Jesus”: Ele salvará o seu povo dos pecados (Mt. 1), especialmente tais proclamadores da salvação e os Salmodiantes, perpétuos adoradores de seu Nome.

15. (Pedem) a digna honra dos Sacramentos: que, enquanto vivem, são os primeiros nestes, e munidos destes, mais dignamente deixaram a vida, depois de terem se confessado, arrependidos, alimentados pela Comunhão e unidos. Porque, “Cristo”[1], ou seja o ungido, o repetem muitas vezes os Salmodiantes coronários de Cristo e de Maria com o coração e com a boca.

III. Direis. Não vejo em qual modo derivem da Saudação Angélica quinze boas palavras.

Dói-me o ceticismo. E visto que és cego cais no fosso. Escute então, se vês pouco. 1. É injusto para o cristão duvidar que estes, muitíssimos e maiores bens não sejam presentes na divina Saudação, e que estes não subsistam em Maria, cheia de graça. 2. Visto que é dado cada dia aos Salmodiantes o testemunho e um digno louvor dessa plenitude, e são recordados muitas vezes. Também plenamente e no modo devido, as coisas contidas nas divinas palavrinhas da Saudação. Assim se oferece à Virgem, do tesouro da mesma: as coisas colhidas nas mesmas pequenas palavras da Saudação são como taças decoradas e feitas para isso por Deus. 3. Visto que enfim a Verdade de Cristo promete que será restituído o cêntuplo (o produto da multiplicação por cem), por fim neste mundo, a quem terá doado: que a Santa Fé e a esperança justamente permitam a quem nunca poderá ser Cristão: de não crer em Deus, de nutrir a desconfiança no bem e que as suas Palavras sejam palavras de vida, e que as mesmas coisas sejam daquele que disse e as coisas foram feitas.

Deste conseguiram duas situações a serem admiradas e escritas. A primeira é a dignidade, a força, a potência, a riqueza divina e a santidade da Saudação Ave, etc. Em segundo lugar a felicidade dos Salmodiantes, aos quais Deus dignou-se de inspirar aquela intenção, de se deixar conquistar por aquela tão grande Fraternidade do Saltério e por aquele Saltério divino, não somente por aquele de David: orientando-se a este e junto com este, quase como o movimento impetuoso de um rio, que alegra a Cidade de Deus e que santificou o tabernáculo dele: pode-se entender com a mente, que navegaram neste rio.

IV. Assim em tua vantagem eis: cada Salmodiante oferece cada dia quinze guirlandas à Maria, e essas são de três gêneros: de Rosas e de Lírios nas primeiras cinquenta; a outra de Gemas nas cinquenta sucessivas; a terceira de estrelas nas últimas cinquenta. Quem não percebe claramente que as palavras da Saudação superam grandemente as rosas em suavidade, as gemas em preciosidade e as estrelas em esplendor? Enfim, o acima dito Esposo da mesma Virgem Maria viu e ouviu dela, essas e outras semelhantes maravilhas.

Nota

[1] Em uma das primeiras edições do Beato Alanus redivivus, curada por P.A. COPPENSTEIN, “Cristus” era escrito em itálico: preferimos esta variante porque no 1400 a Ave Maria terminava com a palavra “Cristus”.

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“Saltério de Jesus e de Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário”,
pelo Beato Alano da Rocha O.P. (1464 d.C.)

Direitos autorais: O livro pode ser baixado livremente, mas não deve ser reproduzido para fins comerciais. Localiza-se no mercado, mas não tem nenhuma consideração ou direitos de autor para todos aqueles que tenham participado na sua elaboração. Queremos respeitar a letra da vontade “da Madonna do Rosário, que, nas visões do Beato Alano disse que não queria circulação de dinheiro em sua fraternidade. Para garantir esse ideal o livro do Beato Alano foi arquivado junto à SIAE Roma. Para qualquer informação (especificando como Beato Alano) por favor escreva para: beatoalano@hotmail.it. Esta obra recém nascida, ainda necessita de melhorias e correções, que se reservam para uma segunda edição. Pede-se aos latinistas e aos leitores, a bondade de indicar eventuais erros e possíveis traduções diferentes de passagens ainda pouco claras. Disponibiliza-se com tal objetivo um endereço eletrônico de contato: donrobertopaola@virgilio.it. É possível consultar também o site web: www.beatoalano.it

Fontes de consulta:

Orden de los Predicadores. «Alano de Rupe – Origen del Rosario». Oficina Internet Dominicos.

Os 10 dons e esplendores do Pater Noster e os 15 da Ave Maria na Devoção do Santo Rosário

Uma ideia sobre “Os 10 dons e esplendores do Pater Noster e os 15 da Ave Maria na Devoção do Santo Rosário

  • 11 de janeiro de 2017 em 14:39
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    Consoladora dos aflitos, rogai por nós.

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