Assim como o nome de Jesus foi dado por um anjo, sob a ordem de Deus, e esse nome exprimia verdadeiramente o que Jesus era, também nós devemos ver as coisas como elas realmente são, como Deus as vê, e não como nossa malícia e ignorância as vê. Porque quando formos julgados por Deus, nós seremos julgados pelo que realmente somos, e não pelo que achamos que somos

Sermão da Oitava de Natal

E recebeu o nome de Jesus“.

(S. Lucas 2, 21)

Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Pe. Luiz Fernando Pasquotto, IBP-SP: Só os nomes que Deus põem, ou ensina a por, são verdadeiros. Jesus significa Salvador. E tudo o que Jesus fez foi trabalhar para conseguir a salvação dos homens, e de fato Ele os salvou. Falando uma só frase, salvou o filho do centurião. Com uma só frase, salvou Zaqueu. Com um voltar de olhos, salvou São Pedro de sua traição. Com um só tocar dos vestidos, salvou a mulher que sangrava havia dezoito anos. Com a saliva, salvou o cego. Perdoando, salvou Santa Maria Madalena. Com seu sangue, salvou o mundo.

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“Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”

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Já os homens, por malícia e ignorância, não acertam quando tentam dar nomes para as coisas. Chamam o ódio de zelo pela própria honra; chamam a crueldade de valor; a murmuração e a maledicência recebem o nome de reflexão; a desonestidade é chamada de prudência. Quem é amigo da oração é chamado de beato; o casto é chamado de exagerado; as pessoas desapegadas dos bens dos outros são chamadas de escrupulosas.

Mas assim como o nome de Jesus foi dado por um anjo, sob a ordem de Deus, e esse nome exprimia verdadeiramente o que Jesus era, também nós devemos ver as coisas como elas realmente são, como Deus as vê, e não como nossa malícia e ignorância as vê. Porque quando formos julgados por Deus, nós seremos julgados pelo que realmente somos, e não pelo que achamos que somos.

E como ver o que realmente somos? Nunca insistiremos demais na importância que a oração recolhida tem aqui. Do mesmo modo que, do alto, vemos melhor a disposição das coisas, onde estão e para onde vão, também quando elevamos a alma para Deus então vemos o que há em nós e para onde nossas intenções se dirigem, vendo-as do alto, das verdades que vêm de Deus, e como Deus as vê. É no retiro, fazendo os exercícios espirituais, que nós vemos a verdade.

Depois, ser atento às queixas dos outros a nosso respeito. Na maior parte das vezes, nos impacientamos com as críticas que recebemos. Agiríamos melhor se as acolhêssemos sem afetação, nem vitimismos. É verdade que às vezes as pessoas se queixam do bem que fazemos, enquanto bem. Porém, é indiscutível que temos muitos defeitos e misérias, e ao mesmo tempo as vemos com muita dificuldade. Receber as críticas que nos são feitas, guardando-as na memória e repassando-as na oração e no exame de consciência, é um excelente modo de nos conhecermos. “Quisera Santo Inácio de Loyola que, ao fazer o exame particular de consciência, escolhêssemos como primeiro objeto de santa perseguição, não a culpa que mais nos aborrece, ou nos parece de maior importância, mas a que maior irritação ou escândalo causa ao próximo. Tal deve ser o nosso modelo” (Pe. Frederick William Faber, Progresso na vida espiritual, 2a. edição, Editora Vozes, Petrópolis, 1939, pp. 78).

Assim nos veremos de modo mais próximo de como Deus nos vê, e teremos o nome de cristãos não de modo falso e ilusório, mas com verdade: outros Cristos. Infelizmente, quem vê a Igreja hoje e os cristãos, é incapaz de ver a vida e o vigor divino que Deus colocou nela, porque não há mais diferença entre os que deveriam ser filhos da luz e os filhos das trevas, entre os que deveriam ser filhos de Nossa Senhora e os filhos da serpente. Os cristãos vão na missa, e em tudo o mais são como o mundo: falam como o mundo, pensam como o mundo, se divertem como o mundo, se vestem como o mundo, ouvem as músicas do mundo, e ainda falam da Igreja como o mundo o faz. O mundo critica a doutrina da Igreja e sua moral, e só toma disso o que lhe agrada. E também hoje os cristãos fazem isso. São cristãos de nome, mas nome falso e ilusório, não nome verdadeiro. Mas quando formos julgados por Deus, nós seremos julgados pelo que realmente somos, e não pelo que achamos que somos.

Deus, por sua misericórdia, nos deu mais um novo ano, para podemos ser outros cristos de verdade, e não somente no nome. A vida de oração é a marca do homem sobrenatural. A vida espiritual difere essencialmente da vida do mundo, e a diferença está na oração. Andar na presença de Deus, agradecer-lhe sempre, entregar nossas atividades para Ele, querer fazer tudo só para Lhe agradar, sobretudo se nos são coisas penosas e assim comunicar a vida de oração às nossas ações, conversas, estudos e sofrimentos. E sermos cristãos de verdade, e não somente no nome.

Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém.

A vida espiritual difere essencialmente da vida do mundo, e a diferença está na oração

Uma ideia sobre “A vida espiritual difere essencialmente da vida do mundo, e a diferença está na oração

  • 7 de janeiro de 2017 em 20:02
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    Meu Senhor, ajuda-nos a ser santos.

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