Para mover-se da culpa à contrição é provavelmente necessário cumprir as primeiras palavras de João Batista e Jesus no Evangelho: “Arrependei-vos e crede”

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Pe. David Nix – PadrePeregrinoOrg | Tradução Sensus fidei: Os pecados reservados são os pecados que os sacerdotes católicos comuns não podem perdoar no confessionário porque estão reservados ao bispo ou à Penitenciária Apostólica no Vaticano para perdoar o penitente. A razão pela qual são “reservados” é porque eles são tão graves que incorrem em uma excomunhão que é imediata (ex latæ sententiæ) por sua própria ação. Exemplos de “pecados reservados” incluem a profanação da Sagrada Eucaristia, um sacerdote que quebra o sigilo da confissão, ou um casal que tenha cometido um aborto. Alguns bispos estenderam sua própria mão de absolvição e levantamento da excomunhão (que vem do próprio Jesus Cristo através da Sucessão Apostólica em João 20: 18-20) aos seus sacerdotes no que diz respeito apenas a um desses pecados: o aborto. Isto é, talvez, em razão de quanto isso é comum. Na verdade, nunca ouvi falar de um bispo que não tenha estendido sua mão de recomendação a todos os seus sacerdotes sobre o pecado reservado do aborto.

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Recentemente, o Papa Francisco deu o poder da absolvição e da comunicação a todos os sacerdotes do mundo que lidam com homens ou mulheres que cometeram aborto. (Naturalmente, esta mão de permissão é estendida somente aos sacerdotes que têm faculdades para ouvir confissões e estão em estado de boa reputação, seja com seu bispo ou superior religioso). Seja como for, entendo que foi uma boa decisão do Papa Francisco. Por quê? Eu ouvi confissões em cinco continentes e nunca ouvi falar de um bispo que não tenha estendido sua mão de recomendação a todos os seus sacerdotes sobre o pecado reservado do aborto. Assim, o Papa Francisco removeu uma formalidade que pode ter carregado um peso no campo da teologia moral, mas carregava pouco peso prático. Foi uma boa decisão.

No entanto, há rumores de que o aborto será removido da lista de pecados que fazem parte da curta lista de Leis do Direito Canônico para excomunhão imediata. Seria uma boa decisão?

Em vez de discutir isso, proponho que avaliemos isso e, portanto, peço que considerem as quatro partes da confissão: Contrição, Confissão, Absolvição e Penitência (ou satisfação). Contrição é a tristeza [por ter pecado]. Absolvição é quando Jesus Cristo perdoa o penitente através do sacerdote que diz: “Eu o absolvo de seus pecados, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. A Penitência não é uma cereja no bolo, mas uma parte necessária de uma confissão válida. Normalmente são algumas Ave-Marias, mas, teologicamente, é um comando para garantir a “vida nova”, como diz o Concílio de Trento. Por exemplo, uma pessoa que fofoca pode ter a penitência de reparar o bom nome de alguém. Observe a semelhança entre a palavra “reparar” e “reparação”. Reparação é um sinônimo de penitência.

Nada no restante deste post será sobre as notícias do Papa Francisco. O resto deste post será simplesmente considerar o lado da penitência ou da satisfação que deve seguir uma boa confissão quando o aborto é confessado.

Comparando uma alma a um pedaço de madeira, e um prego a um pecado mortal, a absolvição é a ferramenta que puxa e remove o prego. Mas um buraco permanece. Isto é preenchido pela penitência ou satisfação. Hoje em dia, isto equivale a pouco mais de três Ave-Marias. No entanto, para os pecados graves, a Igreja primitiva costumava prescrever um ano a pão e água, enquanto se caminhava em peregrinação ou no exílio.

Seria justo dizer que a Igreja primitiva era má e legalista em recomendar pesadas penitências? Não. A Igreja primitiva compreendeu que a penitência devia ser o remédio medicinal no buraco daquela pessoa que estava sendo reformada. A Igreja assumiu sobre seus ombros a responsabilidade de tornar a madeira da alma novamente tão forte. Por quê? Primeiro, porque isto é uma parte necessária da vida nova, mas, em segundo lugar, porque tinha a esperança de que nenhum prego semelhante nunca mais penetrasse aquela alma outra vez. Por exemplo, se alguém cometera um aborto, muitas vezes teria que passar a pão e água por um ano. Nenhum cristão faria um segundo aborto depois de uma penitência como essa. Mesmo se você duvide desta afirmação, você só encontrará tal penitência prescrita de maneira tão rigorosa se você ainda não entendeu a gravidade do aborto.

Permita-me fazer uma pausa aqui e dizer que qualquer pecado confessado é imediatamente perdoado após o batismo ou as palavras de absolvição na confissão (“Eu o absolvo de seus pecados…”) Além disso, nós, sacerdotes, somos chamados a ser 100% compaixão, misericórdia e amor para com qualquer homem ou mulher que tenha participado em aborto. São João Vianney provavelmente nunca lidou com tantos abortos como até mesmo o padre de uma paróquia mediana lida hoje, mas o seu conselho para qualquer sacerdote é verdadeiro: São João Vianney dava penitências fáceis porque ele mesmo fazia penitência por seus penitentes. (Isso é parte do porquê ele viveu alimentando-se de uma batata por dia.)

Então, creio que nós, sacerdotes, precisamos ser o reflexo vivo do Pai para os filhos e filhas pródigos que vêm (geralmente em lágrimas) confessar este grave pecado do aborto. Considere também quão gentil era Jesus no Evangelho com as mulheres que vinham até Ele em pecado sexual, em contrapartida, quão severo mostrava-se Nosso Senhor para aqueles que agiam com orgulho espiritual. Assim, não devemos assustar as pessoas afastadas da Igreja Católica com as penitências da Igreja primitiva. O homem e a mulher pós-modernos, pós-abortos nunca mais voltariam à confissão ou à Igreja Católica se lhes imputássemos as penitências da Igreja primitiva de um ano a pão e a água, o que claramente não é o objetivo.

Mas o Papa João Paulo II sabia que a confissão não era o fim — mas o início — da cura de uma mulher que abortou, como ele alude a isso em sua encíclica sobre a vida:

Um pensamento especial quereria reservá-lo para vós, mulheres, que recorrestes ao aborto. A Igreja está a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influído sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decisão difícil, talvez dramática. Provavelmente a ferida no vosso espírito ainda não está sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto. Mas não vos deixeis cair no desânimo, nem percais a esperança. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se não o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericórdia espera-vos para vos oferecer o seu perdão e a sua paz no sacramento da Reconciliação. A este mesmo Pai e à sua misericórdia, podeis com esperança confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos à vida. Através do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido através do acolhimento e atenção a quem está mais carecido de solidariedade, sereis artífices de um novo modo de olhar a vida do homem.Evangelium Vitae 99

Em meus anos de oração e aconselhamento na frente dos campos de extermínio americanos, eu pessoalmente penso que o homem é a principal razão pela qual a mulher entra no moinho do aborto: é que o seu homem a está forçando a fazer isso. Nem sempre, mas muitas vezes. Ou, ela se sente muito abandonada por ele para criar um filho sem ele. Os homens do mundo precisam se arrepender do aborto. Então, tudo o que escrevo sobre misericórdia, confissão, reparação, inferno e purgatório neste post é dirigido aos homens, assim como é em relação às mulheres. Na verdade, talvez nós, como Igreja coletiva, teremos de responder por um longo tempo no Purgatório pelo pecado do aborto, simplesmente por causa de nossa indiferente e leve oposição ao maior holocausto da história. Defensores da vida de poltrona são a principal razão que o aborto continua neste país. Deus repetidamente diz aos místicos que Ele tem compensado as pessoas más no planeta, mas, na verdade, são almas escolhidas que crucificam seu coração por falta de gratidão e generosidade. Então, sim, defensores da vida de poltrona são o motivo de o aborto continuar neste país.

Se isso soa extremo, você deve entender que a reparação feita após o aborto é quase impossível. Quem verdadeiramente mudou de vida com aquele aborto? A resposta mais comum é que o aborto deixa um morto e um ferido. Isso é verdade: Há uma criança fisicamente morta e uma mulher espiritualmente morta.

Mas quem mais é afetado após o aborto?

Em primeiro lugar, Deus tinha uma vida plena planejada para aquela criança. Aquela criança morta não era uma “verruga no útero”. Deus já tinha “visto” em Sua eternidade o primeiro aniversário da criança, o primeiro passeio de pônei, o primeiro desgosto, o primeiro nascido da criança por nascer. Todos os seus netos e os milhões (literalmente milhões) de pessoas afetadas por aquele menino ou menina ainda não nascido (que um dia poderia ter muitos filhos) e são aniquilados, especialmente como visto pela visão eterna de Deus das relações humanas no tempo. Naquele toque de um vácuo em um Planned Parenthood [planejamento familiar], não é apenas um embrião que é exterminado. É uma vida inteira de alegrias, tristezas, sacramentos e glória eterna dizimados por um botão de sucção. Sim, cada um de nós afeta a vida de milhares, senão de milhões de pessoas. Pense quantas pessoas foram afetadas pelos 58 milhões de abortos cirúrgicos que aconteceram neste país, para não mencionar todos os abortos químicos em todo o mundo. O número é tão grande quanto a população viva do mundo inteiro. Vivemos em um mundo diferente daquele que Deus realmente planejou, tudo por causa de Planned Parenthood e sua agenda racista.

Gloria Polo é uma mulher colombiana que foi atingida por um raio em 1995. O raio explodiu seu DIU para fora do útero. Sua sentença sobre a morte por Jesus Cristo era originalmente o inferno, e os pecados associados com o seu DIU eram uma grande parte de sua sentença ao inferno. Mas Jesus devolveu-lhe à vida na terra, desde que ela recebeu as orações de um pobre homem nas montanhas da Colômbia, que rezava por sua ressuscitação. (Ele a viu no noticiário enquanto tentavam revivê-la de um ataque cardíaco).

Desde então, ela tem contado a sua história para milhões de pessoas com a aprovação dos bispos sul-americanos. Esta é a verdadeira reparação de seus pecados! Na revelação particular de seu julgamento particular, Jesus revelou o seguinte a ela:

Cada vez que o sangue de um bebé se derrama é, um holocausto a Satanás e ele fica com mais e mais poder. E essa alma grita. Mais uma vez, repito-vos, essa alma é madura e adulta, mesmo que não tenha olhos, nem carne, nem mesmo, um corpo formado, mas já tem, uma alma completamente adulta. E esse grito tão grande, quando a estão a assassinar, estremece todo o Céu. Mas, pelo contrário, é um grito de júbilo, de triunfo no inferno. A única comparação que me vem à mente, é como na final de um mundial de futebol, aquela euforia toda, mas como se fosse um estádio enorme, imenso até perder de vista pela, sua grandeza, cheio de demônios gritando como loucos, o seu triunfo. Eles, os demônios, deitavam em cima de mim esse sangue, desses bebés que eu matei ou contribuí para isso e a minha alma branca ficou negra, absolutamente toda negra. Depois dos abortos eu pensei que já não tinha mais pecados… Mas o mais triste foi ver que JESUS me mostrava, como eu também tinha matado no meu planeamento familiar, sabem porquê? Eu usava o «T» de cobre para não engravidar. Desde os 16 anos usei esse método anticonceptivo, até ao dia em que me caiu o raio!  Só quando queria engravidar, depois de casada o tirava, para logo que pudesse o voltar a colocar. Quero dizer a todas as mulheres, que usam esses métodos, esses dispositivos intrauterinos, que sim, provocam abortos! Sei que muitas mulheres, já aconteceu o mesmo que a mim, que no—nosso período menstrual, muitas vezes vemos uns coágulos grandes e sentimos dores mais fortes do que o normal. Vamos ao médico, e ele não dá muita importância, receita uns analgésicos, e se as dores forem muito fortes, umas injeções, dizendo que não nos preocupemos, que é normal, porque é um corpo estranho, que está ali, mas que não há problema nenhum. Sabem o que isso é?… São micro abortos!!! Sim! Micro abortos! Os dispositivos intrauterinos provocam micro abortos, porque logo que se une o espermatozoide e o óvulo, como já lhes disse anteriormente, desde esse momento, forma-se uma alma, que não precisa de crescer, porque já é adulta. O que acontece, é que, os dispositivos intrauterinos, não deixam o óvulo fecundado implantar-se no útero, e morre. É expulsa aquela alma! Por isso, são micro abortos. Um micro aborto é uma alma adulta completamente formada, que não lhe foi permitido viver. Foi muito doloroso ver, quantos bebês tinham sido fecundados, mas tinham explodido. Esses sóis, essas faíscas divinas não se podiam agarrar por causa do «T» de cobre. E os gritos desses bebés desgarrando-se das mãos de Deus Pai, quando não se podiam implantar!!!. É espantosamente horrível de ver…! Mas o pior, é que não podia dizer que não sabia! Eu quando ia à missa não prestava atenção ao que o padre dizia. Nem ouvia, e se alguém me perguntasse qual foi o evangelho, eu não sabia. Sabem que até na missa, os demônios estão presentes, para nos distrair, para nos fazer adormecer, para não nos deixar ouvir nada. Pois eu, numa dessas missas em que estava completamente distraída, o meu anjo da guarda deu-me uma sacudidela, e destapou os meus ouvidos, para que eu ouvisse, o que dizia o padre naquele momento. E ouvi o padre, falar precisamente sobre, os dispositivos intrauterinos, e dizia que eram abortivos, e que todas as mulheres que estivessem a usar esse método, para o controle da natalidade, estavam a abortar. Que a igreja defende a vida, e que todo aquele que não defende a vida, não pode comungar! Que todas as mulheres que usassem esse método, não podiam comungar! Eu ouvi aquilo, e fiquei furiosa contra o padre! -Mas o que estariam a pensar estes curas! Com que direito?! Por isso é que a igreja não avança! É por estas e outras que as igrejas estão vazias! Claro, porque não estão com a ciência! Quem pensam que são estes padres? Por acaso vão dar de comer, a todos os filhos que vamos ter? Eu saí furiosa da igreja a resmungar! O fato é que, no meu julgamento diante de Deus não pude dizer que não sabia! Porque, apesar de ouvir aquelas palavras do sacerdote não fiz caso e continuei a usar esse mesmo método! Quantos bebés mataram? Por isso vivia tão deprimida, porque o meu ventre, em vez de ser fonte de Vida, transformou-se num cemitério, num lugar de matar bebés! Imaginem, que a própria mãe, a quem Deus deu o dom tão grande de dar a vida, de cuidar o seu filho, protegê-lo, contra tudo e todos, aquela mesma mãe, com todos esses dons, mata o seu filhinho…! O demônio tem levado a humanidade, com a sua estratégia maligna, a matar os nossos filhos. Agora compreendo, porque razão vivia continuamente amargurada, deprimida, com mau humor, mal-educada, com mau feitio, sempre de má cara, frustrada com tudo e todos. Claro, tinha-me transformado sem saber, numa máquina de matar bebés, e isso afundava-me mais e mais no abismo. O aborto é o pior de todos os pecados (o provocado, não o espontâneo) porque matar os filhos ainda no ventre da mãe, matar um bebezinho inocente e indefeso, é dar a liderança a Satanás, O demônio lidera do fundo do abismo porque estamos a derramar sangue inocente! Um bebé é como um cordeiro inocente e sem mancha! E quem é o Cordeiro sem mancha? É Jesus! Nesse momento aquele bebé é a imagem e semelhança de Jesus! Isso faz uma ligação tão profunda com as trevas, ao ser a própria mãe a matar esse bebé, que faz com que saiam mais demônios do inferno, para destruir e destroçar a humanidade. Abrem-se como… uns «selos», uns selos que DEUS tinha colocado para o mal não sair, mas, por cada aborto, abrem-se esses selos, e saem como que umas larvas horríveis, que são mais e mais demônios, que vão saindo, para seguir e perseguir a humanidade e a seguir, fazer-nos escravos da carne, do pecado, e todas as coisas más, que vemos e que se verão cada vez mais. É como se déssemos a chave do inferno aos demônios para que saiam. E vão saindo mais e mais demônios, de prostituição, de aberrações sexuais, de satanismo, de ateísmo, de suicídio, de insensibilidade e de todos os males que vemos à nossa volta. E o mundo vai ficando cada dia pior… Olhem quantos bebés se matam todos os dias? Esse é um triunfo do maligno! Saibam que por esse preço de sangue inocente, são mais   e   mais   demônios,   fora   do   inferno,   soltos   entre   nós! Reparem!… nós pecamos mesmo sem saber! E a nossa vida vai-se transformando num inferno, com problemas de todo o tipo, com doenças, com tantos males que nos afligem, e que é pura, e simplesmente, a ação do demônio na nossa vida. Mas somos nós, e só nós, que abrimos a porta ao mal, com o nosso pecado, e permitimos que circule livremente na nossa vida. Não é só com o aborto que pecamos! Mas é dos pecados mais graves! E depois, temos o descaramento de culpar a DEUS por tanta miséria, tanta desgraça, tanta doença e tanto sofrimento! Mas Deus, na Sua Infinita Bondade, ainda nos dá o sacramento da penitência, e termos a oportunidade de nos arrependermos e de lavar o nosso pecado, na confissão e romper os laços, que nos unem a Satanás, e a sua influência na nossa vida. Dessa forma, podemos lavar a nossa alma. Mas, no meu caso, não o fiz!

Agora, Gloria confessou seus pecados. Ela não é apenas uma mulher perdoada, mas uma mulher muito santa que está levando milhares de pessoas a Cristo como um santo de outrora. Isso pode substituir o seu tempo de purgatório.

Sobre o tema do preço espiritual do aborto, vamos agora continuar a olhar para dois santos do século XX. Santa Faustina foi uma santa do século XX que recebeu a aprovação do Papa João Paulo II e do Vaticano com o seu Diário da Misericórdia Divina. Em 16 de setembro de 1937, escreveu:

“Hoje desejei tão ardentemente rezar uma Hora Santa diante do Santíssimo Sacramento; no entanto, outra era a vontade de Deus. Às oito horas, comecei a sentir dores tão violentas que tive de me deitar imediatamente. Fiquei me contorcendo nestas dores por três horas, isto é, até às onze da noite. Nenhum remédio me ajudou, e vomitava tudo que engolia. Em certos momentos, essas dores me faziam perder a consciência. Jesus deu-me a conhecer que, dessa maneira, participei da Sua agonia no Jardim das Oliveiras e que Ele mesmo permitiu esses sofrimentos para desagravar a Deus pelas almas assassinadas nos ventres de mães perversas. (…) Agora compreendo que sofrimento é esse, porque o Senhor me deu a conhecer… No entanto, quando penso que talvez algum dia ainda tenha que sofrer dessa maneira, tremo de terror, mas não sei se ainda alguma vez vou sofrer desta maneira; deixo isso a Deus. O que Deus quiser enviar-me, aceitarei tudo com submissão e amor. Oxalá eu possa salvar, com esses sofrimentos, ao menos uma alma do homicídio.” — Diário 1276

Padre Pio muitas vezes atrasava a absolvição para mulheres que haviam abortado até elas se movessem do estado de culpa para a tristeza nesta história originalmente encontrada na revista Latin Mass:

Quando ele ainda estava vivo, visitei Dónal em sua casa no condado de Cork, e perguntei a esse amigo de Padre Pio se ele conhecia uma mulher a quem tinha sido recusada a absolvição [por Padre Pio] por ter feito um aborto. Dónal contou-me sobre uma dessas mulheres que haviam abortado e que lhe dera permissão para relatar sua história. Dónal se encontrou com ela poucos minutos depois de ter deixado o confessionário de Padre Pio. Ela estava em grande sofrimento emocional por lhe ter sido recusada a absolvição. No entanto, ela estava receptiva ao encontro com Dónal, que a cumprimentou calmamente com seu macio sotaque irlandês. Dónal ofereceu-lhe a oportunidade de conversar com ele sobre essas coisas e ela concordou. Dónal não se intrometeu — e não fez perguntas curiosas — um atípico irlandês, pode-se dizer. Mas a senhora se sentiu à vontade em sua companhia e ofereceu-se a informar que tinha sofrido muito depois de seu aborto, e sabendo que era um pecado, isso fez com que a levasse ao confessionário do Padre Pio, mas Padre Pio lhe recusou sua absolvição, dizendo-lhe: “Você não está realmente arrependida do seu pecado”. Esta é a chave: Padre Pio podia ver sua alma e constatar que ela não estava suficientemente contrita ou “verdadeiramente arrependida” para usar as palavras exatas de Pio… A verdadeira contrição não veio facilmente à senhora em questão. Ela lutou durante meses: estava firmemente convencida de que a sua culpa pós-aborto era a mesma coisa que a contrição pelo seu pecado. Dónal (e tenho certeza Padre Pio) rezou muito para essa senhora. Demorou um ano inteiro — mas ela desenvolveu a verdadeira contrição que implica suplicar perdão a Deus por organizar a morte de seu pequeno que não tinha pedido para ser concebido. Quando a dolorosa dor da verdadeira contrição lhe atravessou a alma, voltou ao confessionário do Padre Pio e mais uma vez confessou ter feito um aborto. Nesta ocasião, Padre Pio não se absteve de conceder sua absolvição, e disse, “agora você está realmente arrependida, posso dar-lhe a absolvição”.

Para mover-se da culpa à tristeza é provavelmente necessário cumprir as primeiras palavras de João Batista e Jesus no Evangelho: “Arrependei-vos e crede”. Devemos também lembrar que embora o sangue de Jesus Cristo na Cruz seja a única coisa que pode nos salvar, e embora essa graça seja totalmente gratuita, ela não é barata. O peso eterno do inferno sendo eliminado pelo batismo ou pela confissão é um dom gratuito, mas isso não significa que as consequências terrenas do pecado sejam erradicadas.

É por isso que a melhor penitência que uma mulher ou um homem podem fazer depois de confessar o pecado do aborto é dar nome às crianças que foram mortas. Isso pode soar ao leitor inexperiente como sal na ferida, mas não é. O reconhecimento de uma pessoa completa, planejada por Deus para viver é a única maneira possível de começar a cura. Nomear a criança conecta os pais à criança morta (em algum estado de bem-aventurança, seja com ou sem a visão beatífica, algo que permanece teologicamente indefinido).

Toda penitência traz vida, não morte. No filme A Missão (The Mission), Jeremy Irons e Robert De Niro interpretam os jesuítas espanhóis do século XVI que vieram para o Novo Mundo. Este último é um comerciante de escravos na Amazônia que tem uma enorme conversão. Ele passa de comerciante de escravos para celibatário trabalhando para a salvação das almas dos povos indígenas. De Niro junta-se aos jesuítas e decide levar o Evangelho às partes mais altas da Amazônia. Mas, para chegar lá, ele deve carregar não só seu próprio corpo, mas as próprias ferramentas, a mensagem e a armadura de seus dias como um comerciante de escravos por todo o caminho até a cachoeira, com os itens atados às costas. Um bom jesuíta contesta o seu superior e olha para a penitência excessiva, sussurrando: “Eu acho que ele já teve o suficiente.” O sábio e compassivo superior jesuíta responde: “Sim, mas ele não acha.” Deixemo-nos perceber que há uma nova vida em um vida de penitência e reparação.

Publicado originalmente: Padre Peregrino – ABORTION AND PENANCE

Aborto e Penitência

2 ideias sobre “Aborto e Penitência

  • 24 de novembro de 2016 em 14:56
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    Meu Senhor, abençoe quem abortou e se arrependeu com contrição.

    Resposta

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