Este é o terceiro parto de Maria! No primeiro, permanecendo Virgem, deu à luz sem dor. No segundo (diante da cruz), chorava sozinha; no terceiro, chora com a Igreja. Agora é a Igreja que tem o seu coração transpassado e vê seus filhos divididos… “Que a verdadeira Igreja, como fiel Jerusalém permaneça firme aos pés da cruz!

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Carmelitas Eremitas | Flos Carmeli 5: Festa da Transfixão de Nossa Senhora que celebramos hoje, neste 3° domingo de Setembro, nos comove e ao mesmo tempo nos convida ao combate! Stabat Mater juxta Crucem! Grande Mistério! diz o Apóstolo: “e eu o interpreto em relação a Cristo e a Sua Igreja.” (Ef. 5,32) Quem poderia conceber uma união mais perfeita que a de Maria com Cristo Crucificado? Que corações teriam tido mais intensa união de amor? Enquanto o Coração de Jesus era ferido pela lança, estando ele já morto, diz São Bernardo, não lhe causou dor a ferida, porém, a espada interior rasgava o coração de Maria! Tudo isso era necessário para que se cumprisse a palavra do profeta: “Alegrai-vos com Jerusalém e encontrai aí a vossa alegria, vós todos que a amais; com ela ficai cheios de alegria, vós todos que estais de luto, a fim de vos amamentar à saciedade em seu seio que consola, a fim de que sugueis com delícias seus peitos generosos. Pois eis o que diz o Senhor: vou fazer a paz correr para ela como um rio, e como uma torrente transbordante a opulência das nações. Seus filhinhos serão carregados ao colo, e acariciados no regaço. Como uma criança que a mãe consola, sereis consolados em Jerusalém.” (Is. 66, 10-13)

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Esta era a grande missão de Maria! Para isso Deus a havia escolhido: para ser a Mãe do Redentor e também, a Mãe de todos os remidos, a nova Jerusalém! Foi no momento da cruz que Maria se configurou a esta Maternidade Espiritual. O sofrimento de Maria foi como um parto que fez nascer o novo Israel. Ao mesmo tempo em que o Senhor morria, a religião da Torá caducava, o véu se rasgava e o templo amaldiçoado clamava para ser logo destruído… Jerusalém perdia o seu encanto e deixava de ser a Morada do Altíssimo! (Sl. 45) Toda a estrutura da Antiga Lei estava para cair, enquanto a Santíssima Senhora permanecia de pé… Ela assistia ao Sacrifício do Cordeiro e entendia que “era necessário que o Cristo sofresse para entrar na sua Glória.” (Lc. 24,26) A violência do sofrimento que Maria padeceu junto à Cruz, lhe imprimiu uma autoridade e um poder que não se pode encontrar em nenhuma outra criatura… São João apresenta no seu evangelho esta Mulher, ou seja, aquela que Deus preparou desde o início (Gen. 3,15) para destruir o inimigo: “ad nihilum redégit inimicos nostros” (Jud. 13,22) É com essa autoridade de Mãe Vitoriosa que Ela se manifesta ao Beato Francisco Palau dizendo: “Eu sou a Mãe de Deus, Maria sempre virgem, que sob o título do Carmelo ordeno a destruição do império de Satanás!” (R 9,47) Diante de tais conclusões, alguém poderia se admirar por ver em uma “simples mulher” tamanha grandeza e poder… Entretanto, devemos considerar que toda a vida de Maria foi uma preparação para o supremo sacrifício! Quando o Menino ainda era recém nascido, ela ouvira a profecia: uma espada transpassará tua alma! (Lc. 2,35) Foi nesta expectativa dolorosa que Maria se fortaleceu e chegou ao momento da cruz como uma Mulher Forte! (Prov. 31) Ela permanecia firme como uma torre de Marfim, como uma coluna do Templo, como um estandarte de Guerra! Terrível como um exército em ordem de batalha! (Ct. 6,4) E assim como a antiga Jerusalém fora fundada no lugar onde Abraão ia sacrificar seu filho, a nova Jerusalém era fundada junto ao sacrifício do Verdadeiro Isaac! Maria se tornou a Cidade Santa, onde todos nascem (Sl. 86) onde os filhos de Deus dispersos são reunidos. (Jo. 11,52) Foi isso que o Apóstolo São João entendeu quando o Senhor disse: Eis tua Mãe” (Jo, 19, 25) Entretanto, o Apocalipse nos fala de outro parto: “Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz” (Ap. 12, 2) Este é o terceiro parto de Maria! No primeiro, permanecendo Virgem, deu à luz sem dor. No segundo (diante da cruz), chorava sozinha; no terceiro, chora com a Igreja. Agora é a Igreja que tem o seu coração transpassado e vê seus filhos divididos… “Vede, Senhor, a minha angústia! Tremem minhas entranhas, e meu coração está perturbado dentro de mim.” (Lam. 1, 20) Que a verdadeira Igreja, como fiel Jerusalém permaneça firme aos pés da cruz!

Publicado originalmente: Carmelitas Eremitas – Flos Carmeli 5 – A FIEL JERUSALÉM

         

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A FIEL JERUSALÉM

Uma ideia sobre “A FIEL JERUSALÉM

  • 25 de setembro de 2016 em 08:43
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    Permita, Senhor, que nós façamos parte desta Igreja fiel.

    Resposta

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