O esposo ideal não é fruto de uma virtude isolada, mas de um conjunto de qualidades indispensáveis para um bom esposo e que são deduzidas (quantas e quais são, e como) do que é um casamento católico

Pai

Vós, maridos, amai vossas mulheres“.
(Efésios 5, 25)

Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…

Instituto do Bom Pastor – São Paulo: O amor que os esposos devem ter entre si é o mais íntimo e profundo dos amores humanos. O amor ao esposo ou à esposa é o maior que alguém deve ter depois do amor a Deus. Na seqüência de instruções sobre a família, veremos hoje o que é um esposo ideal, e outro dia o que é uma esposa ideal. Não são conceitos utópicos. Podem ser realizados em cada esposo ou esposa, ou pela prática heróica das virtudes ou em todos os que levam adiante a vida de casados sem destaque diante dos outros, mas dignamente.

O esposo ideal não é fruto de uma virtude isolada, mas de um conjunto de qualidades indispensáveis para um bom esposo e que são deduzidas (quantas e quais são, e como) do que é um casamento católico.

A primeira qualidade de um esposo é a amor sincero por sua esposa. Disso depende a fidelidade a ela e a honra dos filhos. Esse amor não é só fundado no amor instintivo, nem somente nas qualidades humanas da esposa (habilidades manuais e intelectuais, de governo, criatividade, inteligência, etc.), mas, sem excluir estes, fundamenta-se sobretudo no amor cristão: “Amo minha esposa porque ela tem tudo o que é necessário para constituir uma casa católica, educar catolicamente nossos filhos, garantir nossa felicidade material e eterna”. Essa avaliação vem da fé. O amor sensual não entende nada sobre isso.

Esse amor deve ser discreto, delicado e educado. O esposo deve honrá-la, manifestar publicamente sua estima por ela, de modo exterior, mas com bom senso. Quando se vê que os esposos ficam esbanjando sinais exagerados de amor diante dos outros, sem moderação, frequentemente é mau sinal, mostrando um amor mais passional e superficial do que cristão. Deve zelar para que sua esposa se vista de acordo com a sua classe social, sem perder a modéstia. Vestir-se de acordo com sua própria classe social não é sinônimo de vestir-se contra a lei de Deus.

Não deve ser duro com a esposa, nem deixá-la agir sem governo, como se não se preocupasse com as conseqüências, na família, do que a esposa faz. Deve reconhecer o trabalho da esposa na casa, não buscando somente os defeitos, mas também e sobretudo o bem que é feito, aliviando o cansaço e as penas que elas têm cuidando da família. Se não vê o trabalho que ela teve, deve deduzir qual foi pelos efeitos: a organização da casa, a boa conduta dos filhos e dos empregados, o bom uso dos recursos que lhe deixou, etc., e imaginar com realismo o que ela fez para conseguir o resultado que ele vê. A ingratidão de muitos maridos, mesmo que seja somente silenciosa, é causa de muitas insatisfações conjugais. Os esposos devem ter bem presente que o demônio é um mentiroso e muito empenhado em colocar ilusões nas esposas, e faz de tudo para que as esposas pensem que trabalham muito sem reconhecimento algum, que o esposo é um ingrato, etc., para chegar a fazer com que pensem que o esposo é um verdadeiro inimigo. Por isso, o marido deve se adiantar ao demônio e, com realismo e sinceridade, apoiar a esposa que tem. Os maridos não devem ficar criticando a organização dos objetos da casa, quando não haja um real problema, pois suas esposas é que passam o maior tempo na casa e sabem as necessidade de funcionamento dela muitas vezes melhor do que os esposos. O mesmo se aplica para as recompensas e punições dadas aos filhos.

Em questão de fidelidade, o marido não deve se permitir o que não permitiria à sua esposa. A lei de Deus, que proíbe o adultério e as ocasiões de pecado, valem para qualquer pessoa, mulher ou homem, sobretudo que os homens têm maior fraqueza neste ponto e devem se vigiar em consideração da esposa que têm, porque devem muito a ela. Um esposo cristão nunca esquecerá quais são os limites exatos dentro dos quais deve ficar e dos perigos aos quais está exposto: familiaridades perigosas com outras pessoas no trabalho, ausências prolongadas, etc. As faltas contra a fidelidade são coisas sérias. O matrimônio é um sacramento, o esposo foi um ministro do sacramento e um ato de infidelidade é algo que vai contra algo sagrado. As precauções que ele tomar sempre serão poucas, por numerosas que sejam.

Governar é prever. Por isso, o esposo cristão se dá conta de que os longos anos de matrimônio certamente não serão tão agradáveis como o primeiro, e toma suas precauções: busca conhecer bem e profundamente o temperamento de sua esposa, para não desagradá-la em coisas sem importância, sabe que pode recorrer à graça sacramental para ser ajudado no trato com sua esposa, cede no que é justo, mas nunca no que é injusto ou pecaminoso. Pio XII diz que “carecem de sentimento moral os maridos que permitem às suas esposas a falta de pudor. Um marido age mal levando sua esposa a espetáculos escandalosos, mesmo sem má intenção e é imprudente em permitir à sua esposa todas as extravagâncias da moda. De modo algum poderia ceder ao desejo de sua esposa de usar mal do matrimônio, com qualquer pretexto que fosse”.

Finalmente, o bom esposo sabe dar bom exemplo na prática da religião católica: assistência à missa, devoções sólidas (terço, Sagr. Coração, oração mental, etc.) e tem o hábito de recorrer aos sacramentos com freqüência. Insistimos seriamente no terço em família, que é fator importantíssimo de união de qualquer casamento católico. Lembrem-se do que a Irmã Lúcia disse em entrevista ao seu confessor, o Padre Agustin Fuentes, em 26 de dezembro de 1957: “Olhe, Senhor Padre, a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à recitação do Rosário, de tal maneira que não há nenhum problema, por mais difícil que seja, seja ele temporal ou sobretudo espiritual, na vida pessoal de cada um de nós, das nossas famílias, das famílias do mundo ou das comunidades religiosas, ou até da vida dos povos e das nações, que não possa ser resolvido pelo Rosário“.

Se muitos casamentos vão mal é, sem dúvida, também por falta de virtude dos homens, que acham que pelo fato de darem o sustento material suficiente para a família, já cumprem bem os seus deveres, o que é largamente insuficiente para uma vida católica da família. Numa próxima ocasião, veremos os direitos e deveres do chefe da casa.

Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém.

Artigo original: Instituto do Bom Pastor São Paulo – Sermão do II Domingo da Quaresma.

Sermão do II Domingo da Quaresma — O que é um esposo ideal

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