Todo homem é chamado a viver como esposo ou pai de alguma forma: “Deus dá a cada homem como tarefa a dignidade de cada mulher”

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+ Thomas J. Olmsted, Bispo de Phoenix (Extraído da exortação “Firmes na Brecha” — Uma Chamada para a Batalha): Consideremos agora o amor masculino. Isto não é fácil de fazer, porque a palavra amor quase perdeu o seu significado. É uma palavra que até mesmo os homens se sentem incomodados ao usar. Por quê? O que agora envolve a palavra amor? Apenas um sentimento? Algo que passa? Útil apenas para o mercado ou cartões de felicitação, mas nada mais?

Cristo deixou claro que no centro de sua missão está o amor. “Amai-vos como eu vos amei” (João 15:12) diz com paixão, mas sem sinais de sentimentalismo. Todos os ensinamentos de Nosso Senhor se reduzem a este mandamento. O amor, não é um assunto adicional, é a missão. E, no entanto, só podemos amar aquilo que fomos criados como homens. Como os homens amam?

Durante décadas, um modelo de masculinidade foi criado no personagem fictício de um espião secreto inglês chamado James Bond. Vários atores fizeram turno representando este homem, em muitas aventuras, como uma proposta do que significa ser “masculino”. Mas James Bond continua sendo um enigma. Como as mulheres que usa em seus filmes, aqueles que o veem estão tentando entendê-lo. Ele nunca é um pai, tampouco aceita nenhuma responsabilidade pelo amor de uma mulher. Nele vemos um homem cujas relações são superficiais e puramente utilitárias. Com efeito, “O personagem de James Bond personifica uma grande ironia. Tem 40 anos e não tem nenhum laço. Na verdade, é patético”.[1]

Quanto isto difere com Cristo? Há medo nele? Nem um pouco! Quem é mais homem, aquele que corre ou aquele que enfrenta suas responsabilidades e os desafios dos relacionamentos, a família e a intimidade? Pode um homem que teme entregar-se a si mesmo ser um autêntico discípulo de Cristo? Na verdade, pode um homem assim amar de verdade?

Pelo significado da palavra Bond no idioma inglês: laço ou atadura, o nome de James Bond é uma grande ironia. Trata-se de um homem sem nenhum laço ou vínculo sentimental. Mas o verdadeiro amor masculino sempre cria laços! Na Cruz e na Eucaristia, Jesus entrega seu próprio sangue para vincular-nos a Ele por amor. Na Última Ceia, oferece-Se na Eucaristia, a Sua oração ao Pai foi “para que sejam um, como nós” (João 17:11). Seu amor comprometido e aglutinador, como Ele diz, “atrairá todos os homens a Ele” (João 12:32). A palavra religião, em sua raiz latina, significa atadura. Não surpreendentemente, em uma cultura de laços quebrados, com tanto medo de compromisso, tantas vezes ouvimos “sou espiritual, mas não religioso”. Gostaria de lembrá-los que Satanás também é “espiritual, mas não religioso!”. Um homem de 40 anos sem um único laço de auto entrega em sua vida merece piedade, não a nossa admiração.

Neste sentido devo mencionar isso que é conhecido como machismo. Um homem católico está acima do machismo. Qualquer exposição de machismo busca segurança na imagem de dureza e falta de emoções. No entanto, trata-se de uma máscara muito fina cobrindo um medo interior aos verdadeiros vínculos com os outros, laços que venham das autênticas destas relações; e que fazem a vida rica e significativa. Atrás dessa máscara, como qualquer pessoa madura pode ver, está um homem preso em um medo adolescente de vulnerabilidade. Em muitos casos, ele foi ferido e agora repete um ciclo aprendido na infância.

Em vez disso, o verdadeiro amor que Cristo demonstra está centrado em desejar o bem do outro, em esvaziar-se completamente na caridade para com os demais. Assim, Ele revela o amor do Pai: “Como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Este é o meu mandamento: Amai-vos como eu vos amei” (João 15: 9, 12). Em Cristo, vemos que o sacrifício está no coração do amor. Somente o homem que lutou a batalha interior do autodomínio contra o estéril, o homem que entrega a sua vida pelos outros, pode evitar a estagnação e a absorção em si mesmo. Nunca duvidem, este sacrifício vale a pena! Nosso Senhor nos encoraja dizendo “Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos” (João 15:13).

Três amores masculinos: amigo, esposo, pai

Um amigo em Cristo — Irmãos em Cristo

FB-4No início do seu ministério na terra, Jesus chamou outros homens para acompanhá-Lo. O que Ele estava nos ensinando? Vimos que Jesus chamou os seus discípulos para Ele de tal maneira que formaram profundos laços de amizade e fraternidade. Na Última Ceia, especificamente Ele disse: “Já não vos chamo servos, porque o servidor não sabe o que faz o seu senhor; eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai “(João 15:15). Esta amizade com Deus é possível, uma verdadeira irmandade com Jesus, porque temos o mesmo Pai. Vocês meus filhos, têm verdadeiros irmãos em Cristo em suas vidas?

Através da história, incluindo a história da Cristantade, importantes movimentos têm sido iniciados por irmandades, por amigos em Cristo. Os pais da Igreja São Gregório e São Basílio forram grandes amigos e companheiros de trabalho na defesa de Cristo ao permanecerem firmes na verdade e vencerem as heresias que ameaçavam a Igreja. São Bento e seus companheiros monásticos estabeleceram comunidades de homens que preservaram e desenvolveram a cultura ocidental, ante a destruição bárbara e a inépcia. Essa grande muralha de proteção do que é verdadeiro, bom e belo foi forjada com uma constante e próspera vida cristã em fraternidade e amizade. São Francisco e São Domingos começaram irmandades ao serviço dos pobres e a defesa da verdade. Os fundadores da Companhia de Jesus, Santo Inácio e São Francisco Xavier, e outros, trouxeram um novo olhar sobre a Igreja e influenciaram inúmeros homens, chamados a evangelizar os mais distantes cantos do globo. No século XX, vemos a amizade entre C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien e seu irmão “Inklings” como um elemento essencial e indispensável para o crescimento no florescimento de seus próprios dons literários e apologéticos.

O que é amizade? Quem é nosso amigo? As Escrituras nos dizem: “O amigo ama em qualquer ocasião, e um irmão nasce para compartilhar a adversidade” (Provérbios 17:17). Estou convencido de que nas adversidades que enfrentamos hoje, se os homens procuram uma verdadeira irmandade trarão consigo irmãos em Cristo e serão aplaudidos no Céu. Por isso, perguntem-se os homens: Como são seus amigos? Têm amigos com quem partilhem a missão da santidade? E mais, no seminário os homens jovens descobrem a diferença que faz ter amizades centradas em Cristo, e suas vidas são transformadas. Estas amizades não estão limitadas às ordens religiosas e os sacerdotes. Uma masculinidade renovada não será possível sem que os homens primeiro se unam como verdadeiros irmãos e amigos. Na minha própria vida, no meu primeiro ano como sacerdote, eu tenho sido grandemente abençoado por meus irmãos sacerdotes na fraternidade de Jesus Caritas.[2] Seu compromisso com a adoração eucarística e simplicidade de vida, sua fidelidade a Cristo no celibato e na oração diária, seu amor fraternal, sábios conselhos e encorajamento têm me influenciado e me inspirado muito para perseverar em minha própria missão em Cristo. Foi uma alegria ver como a fraternidade em nossa diocese cresceu e floresceu em esforços como a Conferência dos Homens, os Cavaleiros de Colombo, Este Homem és Tu, o Movimento de Cursilhos e outros grupos. Ainda há espaço para crescer, é claro, mas a partir de agora os frutos do Espírito são evidentes nestes irmãos e amigos católicos.

Da mesma forma, vimos o que acontece quando os homens, jovens e velhos, não se formam nem mantêm relacionamentos saudáveis. Muitos, procurando no lugar errado, encontram na falsa irmandade das gangues, ou sem qualquer tipo de fraternidade, isolados e sozinhos, perdendo assim estas experiências formativas tão críticas, sem ninguém para prestar contas e o companheirismo que apenas uma amizade verdadeira pode proporcionar.

Estudos têm mostrado que muitos homens hoje vivem uma vida sem amizades. Isto tem um efeito sobre os casamentos em que os homens não têm um suporte emocional além de suas esposas ou seus filhos; quem deveriam ver verdadeiros amigos nas vidas de seus pais, mas muitas vezes não é assim. Que bênção ter a presença de bons e leais amigos que fornecem o incentivo e o apoio responsável que precisamos para ser livres! Com efeito, como diz a Escritura: “Assim como o ferro aguça o ferro, o homem aguça o homem” (Provérbios 27:17).

O homem como um esposo — o propósito do amor erótico masculino

FB-5Na sequência, tentar compreender mais profundamente o chamado do homem ao amor de marido. Todo homem é chamado a viver como esposo ou pai de alguma forma: “Deus dá a cada homem como tarefa a dignidade de cada mulher”.[3] Cada homem é chamado a se comprometer e a se entregar por completo. Para a maioria dos homens, este é o matrimônio, enquanto para outros este é o sacerdócio ou algum outro serviço sincero e de entrega total a Deus. Mas em nossos tempos, esse compromisso é frequentemente visto como escolher algo convencional e até mesmo chato; algo que limita a liberdade ou ameaça o amor. Nada poderia estar mais longe da verdade! Em vez disso, recordo-lhes as palavras de São Josemaria: “Há uma necessidade de uma cruzada de virilidade e de pureza para neutralizar e anular o trabalho selvagem daqueles que pensam que o homem é uma besta. E essa cruzada é o seu trabalho”.[4]

A preparação para este dom sincero e completo coincide com o crescimento de um homem na masculinidade. Os “anos de solteirice” na vida de um homem jovem são treinando para isso, e não um tempo de espera passiva, muito menos para deliciar-se no pecado. “A juventude não foi feita para o prazer, mas para o heroísmo”, diz o grande dramaturgo católico francês Paul Claudel. Eu incentivo os homens jovens a se preparar para o casamento antes mesmo de saber quem será sua noiva. Esse treinamento em sacrifício consiste em amar a sua noiva antes de conhecê-la; para que um dia eles possam dizer “antes de te conhecer, eu já te era fiel”.

Pelo amor dos esposos, os homens experimentam um tipo de força que perdura, uma força que o mundo anseia, uma força que pode estabilizar uma sociedade cambaleante. É verdade que esse amor não está livre de períodos difíceis. Nenhuma vocação está. No entanto, com São Paulo “considero que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória futura que há de ser revelada em nós” (Romanos 8:18). Há glória no chamado de um homem a ser um esposo.

Quando o grande São João Paulo II falou de um “significado do corpo como esposo”, ele deixou implícito que todos os homens estávamos chamados de alguma forma para o amor de esposo.[5] Ou seja, um amor comprometido, um amor que dá a vida buscando o bem daqueles com quem o homem se comprometeu. Quando um homem é chamado a um amor de esposo no casamento e a vida familiar, o sacerdócio ou a consagração ao Senhor, esse homem é chamado a uma vida grandiosa e reveladora. De fato, se fugimos desta batalha por causa de seus desafios, nos tornaremos vazios. Aqueles que chegam para o julgamento de Deus, depois desta vida, sem as cicatrizes de um esposo sacrificado, terão sua masculinidade em baixa estima quando ouvirem falar aquele que lutará conosco”.[6]

Deixem-me falar especificamente para os homens chamados ao amor conjugal no matrimônio. Este é um chamado para a dignidade e a beleza da união que simboliza o amor de Cristo como esposo pela Igreja. Paulo explica isso em suas instruções aos cônjuges, dizendo:

“Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja — porque somos membros de seu corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne (Gn 2,24). Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja”. (Ef 5,25-32).

O casamento em Cristo não é apenas uma atividade humana. É mais elevada; é um “grande mistério”. O desejo humano de amor é, em certo sentido, um desejo para o amor infinito e eterno. No sacramento do matrimônio o amor humano está aprisionado no amor infinito e eterno de Deus.[7] Homem! Essa é a glória! Chamados para o matrimônio, vocês são chamados a ser Cristo para sua esposa. Porque este amor une sacramentalmente o infinito amor que Cristo tem por cada um, seu matrimônio sacramental supera os limites do matrimônio natural e alcança o infinito e eterno caráter a que aspira todo amor.

Aqui chegamos ao epicentro da batalha masculina em nossos tempos, o nexo entre a vida e o amor que é o dom de Deus, a sexualidade. Não posso enfatizar o suficiente, meus filhos, a necessidade de desenvolver a castidade em sua vida.

Embora grande parte da nossa cultura não entenda completamente ou encoraje este compromisso e a grandeza do amor de esposos a que estamos chamados, de forma alguma devemos nos desencorajar. Pelo contrário, podemos considerar como somos abençoados ao ser chamados a proclamar esta verdade em um tempo em que muito ela se faz necessária. Ao fazer isso, mostrarão a luz de Cristo em uma área de sociedade muito obscurecida por aquilo que sempre ameaçou o amor dos esposos. O nosso Catecismo os nomeia claramente. Trata-se da “discórdia, o espírito de domínio, a infidelidade, ciúmes e conflitos que podem se transformar em ódio e separação …, individualismo, egoísmo, a busca do auto-prazer”.[8] Aqui poderíamos adicionar o uso da pornografia, sempre algo tóxico para os envolvidos e aqueles que observam, e a subcultura tísica consumista chamada em inglês “cultura hookup” (que consiste em promiscuidade desenfreada, até mesmo com totais estranhos), a qual remove completamente os encontros sexuais de seu contexto de relação conjugal.

Como aconteceu que uma cultura tão determinada em seu apoio ao matrimônio e o noivado há duas gerações atrás tornou-se uma cultura que tem reduzido a sexualidade a um mero prazer para fins egoístas? A resposta reside na Revolução Sexual. Para muitos, a Revolução Sexual prometia “amor livre” e a liberdade dos grilhões de velhas ideias sobre masculinidade e feminilidade. Como resultado separou-se a sexualidade do compromisso do casamento, uma ampla aceitação da esterilidade (química ou cirúrgica), o que resultou em uma negação do que é essencialmente masculino e feminino na pessoa. Em vez de um amor verdadeiro e real, ofereceu prazeres baratos como uma tentativa de responder a uma profunda solidão e dor. Em vez de libertação dos laços familiares tradicionais, as crianças foram deixadas sem a estabilidade do amor de uma mãe e um pai. Ao invés de aceitar a verdade do desígnio de Deus para o amor humano entre homem e mulher, a Revolução Sexual se rebelou arrogantemente contra a natureza humana, a qual jamais estará em linha com a nossa confusão e falta de autodomínio. A Revolução Sexual também tem impulsionado o flagelo do aborto, a pornografia e o abuso sexual que tem vindo a aumentar nas últimas décadas. Na verdade, o “amor” prometido pela Revolução Sexual nunca foi encontrado. O que houve foi destruição; muitíssimos corações partidos, atados ao medo de mais sofrimento, vidas, lares, sonhos desfeitos e ceticismo sobre a possibilidade de amor. Este é o fruto podre da Revolução Sexual.

A razão nos diz que, se o amor é o nosso mais profundo desejo e anseio, a destruição do amor nos causará a maior dor e as feridas mais profundas. Por onde começamos? Onde é que vamos começar a reconstruir? O que reparar em primeiro lugar?

Meus filhos, devemos começar por nós mesmos.

Se eu voltar à analogia do atleta, vemos que nenhum campeão chega ao topo sem disciplina na prática e treinamento para exercer a grandeza em seu esporte. Ele tem que ser o mestre de si mesmo; tem que ter autodomínio. Para o homem chamado ao amor conjugal, este autodomínio encontra o seu ponto culminante na virtude da castidade. Precisamos ver castidade masculina pelo que ela é. Frequentemente esta virtude é vista em uma luz negativa, como algo débil. Isto não poderia estar mais longe da verdade. A castidade é força e uma rejeição à escravidão das paixões. Os cristãos sempre acreditaram que a castidade, no casamento e no celibato, é uma libertação da escravidão do pecado e de nossas paixões.

Para entender a castidade, devemos entender Deus. “Deus é amor e vive em Si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando à Sua imagem […] Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, consequentemente, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão”.[9] O amor que vivemos como homens é uma participação e demonstração do amor de Deus. As mulheres, claro, como iguais em dignidade, também demonstram o amor de Deus. No entanto, elas o fazem de maneira diferente. Para ambos, homem e mulher, “a sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana, a unidade de seu corpo e de sua alma. Particularmente diz respeito a afetividade, a capacidade de amar e de procriar e, de maneira mais geral, à aptidão para o estabelecimento de vínculos de comunhão com os outros”.[10] Portanto, a virtude da castidade nos permite aperfeiçoar e viver adequadamente este chamado a ser homens de verdadeira comunhão. A virtude da castidade é a …

Integração bem-sucedida da sexualidade na pessoa e, por ela, na unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, no que expressa a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando está integrada na relação de pessoa a pessoa, no dom recíproco total e temporalmente ilimitado do homem e da mulher.[11]

Deixem-me lembrá-los aqui as palavras cruciais de Jesus dizendo: “quem olha para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5:28). Essas palavras me levam a um chamado específico de atenção sobre esses atos (equivocadamente) considerados como “normais” e até mesmo encorajados pela cultura de hoje. Refiro-me à pornografia e à masturbação. Os efeitos nocivos desses hábitos ocultos e narcisistas treinam o homem de uma maneira que é exatamente oposta ao amor. Ele aprende a usar os outros. Em vez do amor vivificante e da auto entrega, contenta-se com prazeres egoístas e estéreis. Recordemos das palavras de Jesus:

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração. Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado no inferno. E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado no inferno. (Mateus 5: 27-30).

Aqui, Jesus profeticamente se antecipa à pornografia moderna que alimenta a luxúria dos olhos. Jesus usa palavras hipérboles fortes, que os homens arranquem os olhos e cortem sua mão, para deixar claro que é preciso agir com urgência. A pornografia não só coloca o homem em perigo do inferno, ela também destrói os laços com sua esposa assim como o adultério. Pensem na pornografia como não menos grave do que o adultério. Tentando amar outra pessoa enquanto se praticam esses atos narcisistas, sem serem transformados pela misericórdia, certamente isso implicará em graves danos.

Ao lutar contra as tentações pornográficas é importante considerar os fatores que cercam a tentação. Para a maioria dos homens estes incluem a solidão, o tédio, a raiva, a insegurança e o estresse. Apenas ao entender o contexto da tentação e convidar a Deus para que envie Sua graça começaremos a superar as táticas do diabo. O Sacramento da Confissão é o lugar de apoio e graça superabundante. Jesus disse: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5: 8). Esta não é apenas uma promessa a respeito do Céu! Esta promessa começa agora, em nossa vida diária. Os santos são testemunhas e postos à prova nesta verdade. Ao criar a pureza do coração, vocês homens, não só verão Deus nas mulheres de sua vida, mas também em vocês mesmos “a imagem de Deus”. Até mesmo sem a obscuridade parece insuperável, Cristo não nos abandona nunca. Como sacerdote, eu valorizo o encontro na confissão honesta com aqueles que querem a cura do Senhor. É uma bênção trabalhar com homens que querem mudar essa falsa tendência para o amor autêntico.

Imaginem comigo o quão diferente seria o mundo para as nossas esposas, irmãs e filhas se os homens vivessem essa força interior da castidade. Hoje em dia, ouvimos o alto índice de abuso sexual na sociedade, especialmente nos campi universitários. Não é este o momento para uma renovada castidade masculina? Não é este o momento para que os homens produzam a virtude da temperança através do jejum e da oração entre irmãos? É hora de considerar com maior profundidade a proclamação de São João Paulo II “Deus dá a cada homem a tarefa da dignidade de cada mulher”.

A castidade masculina é “um trabalho que dura a vida inteira”[12] que nos daria orgulho empreender”. Imaginem-se estar diante do trono de Deus no dia do juízo. Os grandes santos do passado, que lidaram com o pecado à sua própria maneira, talvez dissessem um ao outro: “Nós lidamos com as dificuldades da luxúria em nossos tempos, mas esses homens são do século XXI. Estes poucos tiveram a dita de combater a besta muito de perto!” Não só isso, teremos a alegria de ajudar os homens em torno de nós a buscar o autodomínio, que é o melhor a ser feito entre irmãos. Encorajo vocês a pôr de lado seus medos e inseguranças que os impedem de levarem adiante a luta pela castidade. Cristo espera para ajudar a formar os homens de acordo com o Seu próprio coração em cada confessionário da Igreja, em cada Missa, onde o poder de Seu Sangue derramado na Cruz é oferecido na Santa Comunhão. Apenas um homem formado segundo o coração de Cristo poderá “mostrar-nos o Pai” (João 14: 8).

Notas:

[1] Dr. Paul Vitz, conversa de 21 de Fevereiro, 2015.

[2] Ver o Apêndice para una descrição e o chamado a formar estes grupos de homens leigos.

[3] Papa São João Paulo II, Catequese sobre o amor humano, 100:6.

[4] São Josemaría Escrivá, Camino.

[5] Papa São João Paulo II, Catequese sobre o amor humano, 14:5.

[6] Shakespeare, Enrique V, Ato IV, Cena 4.

[7] “Gaudium et spes”, 48.

[8] Catecismo da Igreja Católica, 1606.

[9] Catecismo da Igreja Católica, 2331.

[10] Catecismo da Igreja Católica, 2332.

[11] Catecismo da Igreja Católica, 2337.

[12] Catecismo da Igreja Católica, 2342.

Da Exortação Apostólica de + Thomas J. Olmsted, Bispo de Phoenix.
Cf. Versão completa em português de Firmes na Brecha — Uma Chamada para a Batalha
Versão original: IntoTheBreachNet

Como ama um homem católico?

Uma ideia sobre “Como ama um homem católico?

  • 24 de fevereiro de 2016 em 18:56
    Permalink

    Cada criatura nasceu para desempenhar um papel na vida. Homens sejam fortes, protejam sua família com seu amor, conduzindo-a para Deus.

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