Uma exortação aos homens católicos, meus filhos espirituais na Diocese de Phoenix

+ Thomas J. Olmsted
Bispo de Phoenix

(Ative as legendas)

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“Tenho procurado entre eles alguém que construísse o muro e se detivesse sobre a brecha diante de mim, em favor da terra, a fim de prevenir a sua destruição, mas não encontrei ninguém” (Ez, 22:30).

Uma chamada para a Batalha

BispoThomasJOlmsted
Bispo Thomas J. Olmsted, Diocese de Phoenix. Quarto bispo de Phoenix, tomou posse em 20 de dezembro de 2003, e é o líder espiritual dos católicos na diocese.

Inicio esta carta com uma chamada forte e clara para vocês, meus filhos e irmãos em Cristo: homens católicos, não hesitem em entrar na batalha que se trava em torno de vocês, a batalha que está ferindo nossas crianças e famílias, a batalha que está distorcendo a dignidade de homens e mulheres. Esta batalha seguiu e se mantém oculta, mas ela é muito real. Esta batalha é principalmente espiritual, mas está matando o que resta do caráter cristão de nossa sociedade e cultura, e até mesmo em nossos próprios lares.

O mundo está sob o ataque de Satanás, como previsto pelo Senhor (1 Pedro 5: 8-14). Esta batalha acontece na Igreja; e a devastação é muito evidente. Desde o ano 2000, 14 milhões de católicos deixaram a fé, a educação religiosa para crianças nas paróquias teve uma queda de 24%, a frequência nas escolas católicas caiu 19%, o batismo de crianças diminuiu em 28%, o batismo de adultos 31%, e os casamentos sacramentais católicos estão abaixo de 41%.[1] Esta é uma brecha muito grave, um buraco nas linhas de frente de Cristo. Embora a Diocese de Phoenix esteja muito melhor do que as estatísticas nacionais, as perdas são assombrosas.

Uma das principais razões por que a igreja está vacilando sob os ataques de Satanás é que muitos homens católicos não estão dispostos a “permanecer firmes na brecha” — preenchendo esse espaço aberto e vulnerável a ataques. Um terço deixou a fé e muitos dos que ainda são “católicos” praticam a fé com timidez e um compromisso mínimo de transmitir a fé aos seus filhos.[2] Novas pesquisas revelam que grandes números de jovens homens católicos estão deixando a fé para se tornar “Nenhum”, homens que não têm afiliação religiosa. As crescentes perdas de homens católicos jovens terão um impacto devastador sobre a Igreja nos EUA nas décadas seguintes, na medida que homens velhos morrem e os homens jovens não permaneçam nem se casem na Igreja, acelerando assim as perdas que já ocorreram.

Estes dados são devastadores; porque a medida que nossos pais, irmãos, tios, filhos e amigos se afastam da igreja, caem mais profundamente no pecado, o qual rompe nossos laços com Deus e torna os homens vulneráveis ao fogo do inferno. Embora saibamos que Cristo acolhe todo pecador arrependido, acontece que enormes quantidades de homens católicos estão fracassando no cumprimento das promessas que fizeram no batismo de seus filhos no sentido de conduzi-los a Cristo e criá-los na fé da Igreja.

Esta crise se faz evidente no desânimo e na desconexão de homens católicos como vocês e eu; na verdade, é precisamente por isso que considero necessária esta exortação, e até mesmo a razão da minha esperança. Porque Deus sempre supera o mal com o bem; a alegria do Evangelho é mais forte do que a tristeza trazida pelo pecado. Uma cultura de descarte não pode resistir a luz e a vida nova que constantemente Cristo irradia. Por isso, eu os chamo para que abram suas mentes e corações a Ele, o Salvador que os fortalece para permanecer firmes na brecha!

O objetivo da presente Exortação

Ofereço esta exortação como um alento, um desafio e um chamado à missão para cada homem disposto na Diocese de Phoenix: sacerdotes e diáconos, pais e filhos, avôs e viúvos, homens jovens em preparação para sua vocação — um chamado para cada homem. Com esta exortação, quero deixar claro para vocês a natureza desta missão de Cristo com a orientação clara das Sagradas Escrituras, o Magistério da Igreja, e o exemplo dos santos.

Três questões principais que desejo responder:

  1. O que significa ser um homem católico?
  2. Como ama um homem católico?
  3. Por que a paternidade, bem entendida, é tão crucial para cada homem?

Antes de abordar estas questões, é importante compreender o contexto preciso desses três pontos cruciais.

Contexto # 1: Um novo movimento apostólico – A “Nova Evangelização”

Em primeiro lugar, um novo movimento apostólico acontece entre nós neste preciso momento na história da Igreja. O Espírito Santo está trazendo o que os recentes Papas têm chamado de “Nova Evangelização”. Por evangelização nos referimos em compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo por todos os meios disponíveis, tais como a pregação, o ensino, o testemunho fecundo e fiel da vida familiar, o celibato vivido pela causa do Reino de Deus, os meios de comunicação e outras artes postas ao serviço do Evangelho. O que há de novo? Novo em nosso tempo é isto: estamos no Ocidente, em meio a culturas em competição — em cidades e bairros onde o Evangelho antes permeava profundamente. A Grande Comissão de Jesus Cristo (Mateus 28: 16-20), de ir pelo mundo para compartilhar a Boa Nova que aconteceu onde vivemos! Esta impregnação do Evangelho na cultura ocidental foi tão profunda que se converteu em parte de sua fundação, e de certa forma, ainda hoje permanece. Isto é evidente em ideias contemporâneas sobre a vida que provém diretamente do alicerce Greco-Romano e Judaico-Cristão, como nosso conceito de “justiça”, “igualdade”, “virtude”, “dignidade humana”, “compaixão”, “governo representativo”, “a Regra de Ouro”, os “Dez Mandamentos “, o “hospital”, a “universidade” e outros desenvolvimentos claramente positivos na história da civilização. Tudo isto é o nosso patrimônio e o legado de nossos antepassados espirituais. Encontramo-nos sobre este fundamento, cheio de bênçãos porque o Evangelho tem sido ensinado aqui, recebido em fé e posto em prática!

No entanto, há cupins trabalhando neste solo. Aqui neste deserto urbanizado que é o Arizona, conhecemos bem os cupins. Os construtores sabem que nenhuma casa construída neste clima está completamente imune a esses insetos subterrâneos famintos. Da mesma forma, qualquer cultura, por mais profundas que sejam as suas raízes cristãs, está imune à corrupção de meias-verdades e o pecado camuflado. Todavia, existem muitos frutos de nossa herança cristã, mas as raízes abaixo do solo estão sob ataque. Grande parte da nossa sociedade ainda é boa, e deve ser preservada, mas seria ingênuo ignorar as tendências crescentes que ameaçam o bem que ainda há na sociedade, e que poderiam desperdiçar esse patrimônio com que somos abençoados.

A resposta, e única solução é a Nova Evangelização. O Papa João Paulo II, com quem pude trabalhar por 9 anos, que tem inspirado muitos homens, escreveu “Não há solução para a questão social fora do Evangelho”.[3] Na presente exortação, terei muito prazer em fazer minhas suas palavras: não há solução para o nosso declínio cultural fora do Evangelho de Jesus!

Assustadora, talvez — mas certamente uma aventura! No livro de Apocalipse, Jesus diz: “Eu faço novas todas as coisas” (21: 5) — todas as coisas velhas e cansadas, pecaminosos e quebradas são renovadas na sua encarnação, morte e ressurreição. Isso pode ser verdade? A resposta é um sonoro “Sim!”. Um verdadeiro homem Católico passa toda a sua vida com base nesta proposição de que tudo se faz novo em Jesus Cristo. Nosso Senhor prometeu que está e estará conosco. E assim, homens católicos ao longo dos séculos têm respondido ao antigo e sempre novo chamado para entrar na batalha. Espero que vocês também responderão mantendo-se firmes na brecha de nosso tempo. Tenham confiança. Sejam ousados! Adiante, firmes na brecha!

Contexto # 2: um Hospital de Campanha e Escola de Combate

Em sua homilia, o Papa Francisco descreveu a Igreja de hoje como “um hospital de campanha depois de uma batalha”, em outras palavras, uma fonte constante de misericórdia para resistir e curar as feridas que todos nós trazemos; fonte constante de verdade para curar o homem e prepará-lo para lutar outra batalha por Cristo. A Igreja já está procurando, mas ela precisa redobrar os seus esforços para encontrar, aqui em Phoenix e em todos os lugares, a maneira como curar a nós mesmos e os meios para cuidar de outras pessoas que, como nós, levam o sinal da Queda de maneira debilitante — sejam feridas físicas ou espirituais, problemas de vício em pornografia, drogas, álcool ou alimentos; ou a crescente ferida dos casamentos desfeitos, pais ausentes, ou uma vida familiar problemática. Nossos tempos pedem a renovação da sagacidade da Igreja, dado pelo Espírito Santo, para curar física e espiritualmente. Como diz o Papa Francisco, os feridos estão ao nosso redor, “é inútil perguntar a um ferido se ele tem níveis elevados de colesterol ou açúcar! Há que se curar as feridas”.[4] Ao mesmo tempo, a proclamação da verdade em sua totalidade encontrada na Igreja Católica é essencial. Isso leva a vocês, homens, a viver vidas em que o nosso pecado não cause feridas profundas. Pela misericórdia e pela verdade de Cristo nos tornamos fortes na força de Cristo, valentes com sua coragem, e podemos experimentar a alegria do combate de ser soldados de Cristo.

Sendo assim, outra imagem complementar a do Hospital de Campanha é adequada para hoje: Escola de Combate. A Igreja é, e sempre foi, uma escola que nos prepara para o Combate Espiritual. Nós, cristãos, somos chamados a “combater o bom combate da fé” (1 Timóteo 6), a nos vestirmos “com a armadura de Deus, que pode resistir às ciladas do demônio” (Efésios 6:11).

Desde que Jesus escolheu Doze Apóstolos, Ele os formou em Sua presença e os enviou em Seu Nome, Ele tem continuado, através da Sua Igreja, escolhendo e formando homens para enviá-los a curar os feridos. Esse é o significado da palavra Apóstolo — homens enviados. Com esta carta, então, meus filhos e meus irmãos, peço-lhes que ouçam o chamado de Jesus e lhe permitam formar suas mentes e corações com a luz do Evangelho, com o propósito de serem enviados. Portanto, esta carta é uma exortação apostólica; através dela os exorto a fazer o trabalho de soldados de Cristo no mundo de hoje.

Contexto # 3: O homem e a mulher são pessoas complementares, e não concorrentes

A complementaridade da masculinidade e feminilidade é a chave de como os seres humanos são a imagem de Deus. Sem saber ou entender isso, não podemos conhecer a nós mesmos e a nossa missão como homens, tampouco as mulheres podem abraçar a sua verdadeira vocação confiantes no amor do Pai.

O homem e a mulher são certamente diferentes. Cada vez mais a ciência aprofunda a sua compreensão dessa diferença. Até muito recentemente, não entendíamos muito sobre a complexidade dos hormônios, reações químicas e as diferenças cerebrais presentes em meninos e meninas, homens e mulheres, todos em resposta à presença de XX ou XY como uma combinação dos genes presentes durante a concepção. Por exemplo, o número muito maior de corpo caloso, as fibras nervosas conectivas entre os dois lados do cérebro na mulher é uma descoberta fascinante; assim como é a maneira como o cérebro do homem é geralmente mais segmentado em suas funções. Estudos mostram bebês meninas, que em média, observam o rosto de um adulto os observa pelo dobro de tempo que os bebês meninos, que estão mais interessados no desenho físico que Deus deu à pessoa.[5]

Esta diferença é também um desafio, porque o mal-entendido pode se infiltrar e o pecado pode levar-nos a perder o respeito, roubando-nos a esperança de uma colaboração pacífica e frutífera entre homens e mulheres. Mas esta luta dos sexos não é resultado da criação de Deus; é o resultado do pecado. O Papa Francisco o explica da seguinte maneira:

Homem e mulher são a imagem e semelhança de Deus. Isto nos diz que não só o homem tomou a imagem de Deus, não só a mulher tomou a imagem de Deus, mas também homem e mulher, como casal, são imagens de Deus. A diferença entre homem e mulher não está na oposição, por subordinação, mas, sim, na comunhão e procriação, sempre à imagem e semelhança de Deus.[6]

Paralelamente a esta luta, o rápido avanço da “ideologia de gênero” que infectou as sociedades em todo o mundo e que visa deslocar o masculino e feminino como a maneira normal de compreender o gênero humano, acrescentando outras categorias, é desanimador para qualquer indivíduo e para a sociedade. É uma mentira. É prejudicial para os seres humanos e, portanto, um conceito que deve ser combatido como cristãos que somos, e ao mesmo tempo mostrar compaixão e oferecer ajuda para aqueles que experimentam confusão sobre sua identidade de gênero. Esta confusão é de se esperar, quando o veneno do secularismo atingiu níveis tão críticos, porque “pelo esquecimento de Deus a própria criatura desfalece obscurecida”.[7]

O impacto negativo dessa “ideologia de gênero” em cada indivíduo e na sociedade foi amplamente mencionado este ano pelo Papa Francisco:

Pergunto-me se a chamada teoria do gênero não é também uma expressão de uma frustração e de uma resignação apontando para cancelar a diferença sexual, porque não sabe mais confrontar-se com ela. Corremos o risco de dar um passo atrás. A remoção da diferença, com efeito, é o problema não a solução. Para resolver seus problemas de relacionamento, o homem e a mulher devem, em vez disso, conversar mais, ouvir mais, conhecer-se mais, querer-se mais. Devem se tratar com respeito e cooperar com amizade.[8]

Assim como o Papa Francisco nos lembra que “amemo-nos uns aos outros”, eu os exorto, meus filhos e irmãos em Jesus Cristo, a abraçar mais profundamente a beleza e a riqueza da diferença sexual e a defendê-la contra as falsas ideologias.

Agora que estabelecemos o contexto no qual compreender as questões levantadas por esta exortação, voltemo-nos para a sua resposta adequada.

Primeira pergunta: O que significa ser um homem católico?

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Ecce Homo — Eis o Homem

Todo homem, e especialmente hoje, deve chegar a uma aceitação madura e compreensão do que significa ser um homem. Isto pareceria óbvio, mas em nosso mundo há muitas imagens distorcidas e evidências de confusão sobre o que é a verdadeira masculinidade. Nós podemos dizer com certeza que, pela primeira vez na história, as pessoas estão tão confusas ou tão arrogantes que agora tentam determinar a sua própria masculinidade ou feminilidade.

No momento marcante do julgamento de Jesus, Pilatos, com todo o seu poder mundano, apresentou Jesus ao povo com as palavras “Eis o homem!” (“Ecce homo” em latim). Ele pensava que só apresentava um homem de Nazaré, sem saber reconhecer que apresentava Deus feito homem, o Verbo encarnado, Jesus de Nazaré, que é totalmente Deus e totalmente homem, a perfeição da masculinidade. Cada momento de sua vida na terra é uma revelação do mistério do que significa ser um homem — isto é, ser plenamente humano, e ao mesmo tempo o modelo da masculinidade. “O que era visível em sua vida terrena conduz ao mistério invisível de sua filiação divina e de sua missão redentora”. (CIC 515) O Pai enviou seu Filho para revelar-nos o que significa ser um homem; e a totalidade dessa revelação nasce da Cruz. Disse que foi por essa razão que Ele veio ao mundo e que esse era o seu maior desejo — entregar a Si mesmo por completo”.[9] Aqui reside a masculinidade em sua totalidade; cada homem católico deve estar preparado para manter-se firme na brecha, entrar em combate espiritual, defender a mulher, as crianças e demais contra as adversidades e as ciladas do demônio.

Encontrar o que o mundo nos apresenta como masculino é ver as sombras, até mesmo a fraude, do que é masculino. Nenhum atleta, não importa quantos troféus, nenhum líder político, não importa quanto poder tenha temporalmente, nenhum artista, homem de negócios ou celebridade, mesmo adorado por muitos, nenhum atributo físico, massa muscular, inteligência ou talento, prêmios ou conquistas podem conceder masculinidade a um homem. A idolatria de celebridades é uma tentação muito particular dos nossos tempos — mas construir a nossa identidade masculina nesses modelos fugazes é construir sobre a areia. Meus irmãos católicos, só podemos construir uma base sólida para a nossa masculinidade sobre a rocha, Jesus Cristo. Vemos Jesus Cristo como a expressão da masculinidade, para sermos transformados Nele, para sermos os homens que somos chamados a ser, e para deixar que outros O vejam em nós.

Mas não só buscamos Jesus; verdadeiramente O encontramos na Missa. Recebemos o dom do próprio Jesus na Eucaristia. Por essa razão, aqui eu chamo meus irmãos sacerdotes para despertar esse significado transcendental nos corações dos homens por meio de reverência e a beleza da liturgia; e assim ajudar aos homens a descobrir Jesus na Eucaristia todos os domingos. Ensinar os fiéis sobre a poderosa verdade da liturgia, de maneira que os homens possam se relacionar e compreendê-la. Ajudar os homens, talvez pela primeira vez, a entender a totalidade do poder da Missa deve ser a sua maior prioridade. Que alegria para os homens quando eles são liderados por um padre com o sentido seguro de sua masculinidade, seu chamado a partilhar do amor de Cristo como esposo, e sua paternidade generosa e vivificante!

Os santos, os nossos heróis na fé

Isto é o que os nossos pais, os santos, têm feito há dois milênios. E como o Evangelho revela a realidade da masculinidade, podemos encontrá-la vivida nos santos.

Os santos são a continuação dos Evangelhos pois nos dão exemplos de vários caminhos da santidade. E, assim como Jesus demonstrou a perfeição da masculinidade, podemos encontrá-la vivida nos santos que foram guiados por Cristo. Da mesma forma que um jogador de beisebol é inspirado pelo Salão da Fama de Beisebol, nós homens católicos olhamos aqueles que caminharam antes de nós como uma inspiração e encorajamento para combater o bom combate.

Pense em todas as habilidades e talentos dos jogadores de beisebol. Um jovem pode sonhar em bater como Babe Ruth, pegar e lançar como Willie Mays, ter a agilidade de Henry Aaron, a consistência e o trabalho árduo de Lou Gehrig e Jackie Robinson. Os lançadores jovens sonhariam lançar como Cy Young e Randy Johnson. E enquanto veem esses jogadores jogar o jogo de diferentes formas, eles são inspirados pelo amor ao beisebol.

Muito maior do que um jogo é o que buscamos os homens católicos. Procuramos santos e heróis, buscando drasticamente viver como Cristo, unidos a Ele, aprendendo com Ele, de uma forma dramática com a qual podemos identificar a vida de um santo diz: “Eis o Homem”. Isto é o que São Paulo deu a entender, ao dizer: “Eu já não vivo, mas é Cristo quem vive em mim” (Gálatas 2:20).

Todo homem deve dizer quem será o seu santo padroeiro. Para nos ajudar, aqui lhes apresento dez santos. Chamo cada homem católico a familiarizar-se com eles. Entre parêntesis está a virtude e o pecado que cada um sabe ser de grande ajuda:

  1. São José (Confiança em Deus — Egoísmo)
  2. São João Batista (Humildade — Arrogância)
  3. São Paulo (Adesão à Verdade — Mediocridade)
  4. São Miguel Arcanjo (Obediência a Deus — Libertinagem e Rebelião)
  5. São Bento (Oração e Devoção a Deus — Preguiça)
  6. São Francisco de Assis (Felicidade — Moralismo)
  7. Santo Thomas More (Integridade —Duplo Ânimo)
  8. Beato Pier Giorgio Frassati (Castidade — Luxúria)
  9. São Josemaría Escrivá (Audácia — Temor Mundano)
  10. São João Paulo II (Defesa dos fracos — Passividade)

Nem sequer buscamos no passado distante. Nós todos vimos João Paulo II, que perdoou quem poderia ter sido seu assassino, e depois de recuperar sua saúde, continuou incansável o seu apelo ao mundo para “abrir amplamente as portas para Cristo”.[10] Uma e outra vez nos exortou dizendo: “Não tenham medo”. Ainda hoje em regiões onde há graves perseguições, temos visto corajosas testemunhas da verdade nos últimos mártires na Síria, Nigéria, Iraque e outros lugares devastados pela guerra. Apenas no inverno passado vinte irmãos coptas foram decapitados em uma praia no Egito, como disse o Papa Francisco “pelo simples fato de serem cristãos”.[11]

Homens, nunca devemos pensar que a santidade e a coragem são coisas do passado! Vocês e eu somos chamados à santidade que Cristo mostra ao mundo como nossos pais o fizeram inúmeras vezes ao longo da história, seguindo a inspiração do Espírito Santo. Na verdade, neste momento de crescente audácia do demônio, todo homem deve estar preparado para nada menos do que o martírio, de qualquer maneira que ele se apresente, e semear em seus filhos e netos a vontade de fazer o mesmo.

O Senhor não continuará inspirando os homens? É claro que sim! Ele continua a fazê-lo! Nossa preocupação não é se o Senhor nos dará as forças necessárias, mas como Ele o faz agora. Como o Espírito nos move a levantar-nos e nos recusarmos a ser passivos em uma cultura sem pais? Como é que agora nos inspira uma força interior em uma cultura pornográfica? Como nos irá inspirar a buscar mais além de nós mesmos e nossa tecnologia para as periferias onde precisam de Cristo? Como inspira-nos o Senhor a vocês e a mim, agora mesmo, para pôr de lado nossa preocupação com o conforto e servirmos o próximo, mantendo-nos firmes na brecha?

Convido você a se familiarizar com as vidas dos santos. Assim como um jovem jogador de beisebol se perderia de muito sem haver estudado os grandes do Salão da Fama, nós também nos perdemos de muito permanecendo ignorantes sobre a vida dos santos que nos precederam para o muito mais glorioso Salão dos Céus.

A identidade do homem católico

Agora eu gostaria de falar sobre nossa identidade católica em Cristo. A maioria dos homens santos que mencionei viveu em tempos diferentes dos nossos. Eles tinham diferentes desafios e chamados. Mas todos eles tinham algo em comum, foi Cristo quem lhes deu sua verdadeira identidade! Aqui lembramos a sabedoria exposta no Vaticano II: “Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre a sublimidade de sua vocação”.[12]

Sutilmente, somos tentados a olhar para longe em busca de nossa identidade. As opiniões dos outros, nossas carreiras, posses, brinquedos, esportes, passatempos, roupas, tatuagens, casas e carros são todas as formas com as quais somos tentados a nos identificar. Mas, embora algumas dessas coisas sejam parte da vida, elas não constituem o centro do nosso ser. Depois de termos sido comprados com o sangue do Cordeiro, “a nossa cidadania está nos Céus” (Filipenses 3:20). “Na vida e na morte, pertencemos ao Senhor” (Romanos 14: 8). O mundo não pode dar-nos a nossa verdadeira identidade. É preciso estarmos atentos para não sermos distraídos com falsas identidades e permanecermos firmes em Jesus Cristo.

Simplificando, a nossa identidade está inserida à identidade de Cristo, é recebida em nosso batismo como foi declarado no Seu batismo. “Tu és meu Filho muito amado, em quem pus minha predileção” (Marcos 1:11). Falando de conversão, falamos em aceitar nosso crescimento para essa identidade. Quando falamos de pecado, falamos sobre tudo o que nos afasta de nossa identidade como filhos queridos do Pai. Uma vez que esta é a nossa identidade, tornarmo-nos Filhos de Deus Pai, deveríamos nos surpreender pelo fato de que o diabo está travando uma batalha contra a masculinidade e a paternidade hoje? O processo de conversão cristã inclui conhecer o amor de Deus, experimentar fraternidade com Cristo quem aprofunda a nossa identidade como filhos do Pai no Espírito Santo. Esta é a nossa meta de vida e nossa batalha espiritual.

Filhos amados e livres, chamados a um combate interior

Vejamos João Apóstolo e discípulo amado para entender esta batalha. Na sua Primeira Carta à Igreja, São João fala da tríplice tentação que todos nós enfrentamos: tentações à paixão da carne, cobiça e ostentação de riqueza (1 João 2: 16-17). Não estão todos os pecados ligados a estes três? João identifica as batalhas que todos nós devemos lutar dentro de nós. Na verdade, Cristo combate especificamente contra estas tentações durante seu encontro com Satanás no deserto (Mateus 4) e, em seguida, instrui-nos em seu Sermão da Montanha (Mateus 6) sobre como lutar contra elas.

Contra as paixões da carne, Jesus rejeita a oferta de pão feita por Satanás; e no Sermão da Montanha duas vezes nos instrui a jejuar (Mateus 6:16). Note-se que o Senhor não diz “se é que jejuais,” mas “quando jejuardes”. O jejum é um treinamento de autoconhecimento; é uma arma fundamental para o autodomínio. Se nós não temos domínio sobre nossas próprias paixões, especialmente sobre a comida e o sexo, não podemos possuir-nos a nós mesmos, muito menos colocar os interesses dos outros antes do nosso próprio.

Ao tentar Jesus com a cobiça, Satanás lhe ofereceu “todos os reinos do mundo e a glória deles”. Jesus os rejeitou no deserto. Ele nos chama para a liberdade da tentação de ganhar o mundo à custa da nossa alma. Aqui vemos um Satanás que nos tenta não por medo de pessoas, mas por objetos (um carro, uma casa, ou a mais recente tecnologia, etc.). Não faltam negócios ou indústrias que nos tentam a buscar a felicidade através de posses. Mas lembrem-se de como o “jovem rico” se afastou “triste” de seu encontro com Jesus, porque “ele tinha grandes posses” (Lucas 18:23). Diz o Papa Francisco: “Quanto mais vazio está o coração da pessoa, mais ela necessita de objetos para comprar, possuir e consumir”[13] Com Jesus, somos chamados a procurar, não a “aceitar”, uma vida simples que em verdade nos liberta para a nossa missão em Cristo.

Finalmente, Jesus foi tentado com orgulho. Satanás lhe ofereceu usar Seu poder para fins egoístas; mas Jesus rejeitou essa glória sem cruz e escolheu o caminho da humildade. No Sermão da Montanha, Ele nos diz duas vezes para que sejamos humildes “quando orardes” (Mateus 6: 5). Na verdade, a maior proteção contra o egoísmo e a autossuficiência é humildemente buscar a Deus em oração. As novas tecnologias das redes sociais, por meio das quais estamos constantemente na frente dos outros, falando sobre nós como quem se exibe, podem levar a um tipo de idolatria que nos consome. A oração honesta pode nos manter com os pés no chão e nos ajudar a evitar essa tentação.

Homens, a necessidade de pastores desafiar homens para a batalha interior, a riqueza de uma vida interna comprometida com Deus, não é nada novo. Escutemos as palavras de São João Paulo II diante de estudantes universitários em 1962, quando era Arcebispo de Cracóvia:

Estamos prontos para tomar, ou conquistar, enquanto desfrutar, benefícios, lucro e sucesso — até mesmo na ordem moral. Em seguida, vem a questão de dar, e nesse momento voltamos para trás, porque não estamos preparados para dar. O elemento que é tão característico sob outras formas no retrato espiritual da mulher é quase imperceptível no homem… Nós temos uma tendência a uma atitude religiosa como a de Nicodemos, a uma espécie de devoção que se caracteriza quase que exclusivamente pela discrição superficial mas muito seguida também pelo medo de que os outros possam pensar… Este catolicismo masculino não é interior nem suficientemente profundo; o crente masculino não tem uma autêntica vida interior… nós, os homens, não temos uma vida interior suficientemente profunda.

O ser humano é uma criatura e, portanto, em relação a Deus um receptor de amor e coragem antes de que Ele ou ela possa transmiti-lo aos outros. Nemo potest dare quod non habet é o famoso termo em latim criado pela Igreja sobre esta verdade fundamental; você não pode dar aquilo que você não tem. Maria, nossa mãe, a grande receptora do amor de Deus em seu próprio corpo é o modelo para nós, como católicos, mas não apenas Maria — todo grande santo, ou seja, grande amante tem sido um modelo na história de nossa Igreja. Não há um caminho curto para a santidade, para nos convertermos nos grandes homens católicos que somos chamados a ser. Não há nenhum atalho para além da ancestral batalha interior que cada um de nós deve travar!

Enquanto recebemos o amor e a misericórdia de Deus na oração e os sacramentos, o Senhor nos dá armas seguras para esse “bom combate” de que São Paulo fala:

“Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus” (Efésios 6:11-17).

Podemos estar tentados a dizer: “Quando eu deixar esta tríplice batalha para trás, então eu viverei uma vida de santidade”. Mas isso é uma mentira. É precisamente no decorrer desta luta que vivemos como homens católicos. Como disse o Beato Pier Giorgio Frassati: “Viver sem fé, sem um patrimônio para defender, sem uma luta constante pela verdade, isto não é viver, é existir”.[14] Estaremos você e eu apenas existindo? Ou estamos vivendo a nossa fé cristã como homens cheios de vida? Lembrem-se das famosas palavras do Papa Emérito Bento XVI: “Não fostes criados para a comodidade, mas para a grandeza”. Qualquer grandeza como homens cristãos depende desta luta pela santidade; é a mesma luta que Cristo lutou no deserto e a mesma luta que nossos pais lutaram para nos transmitir a fé. Ai de nós se não tomamos com coragem e gratidão as armas do Espírito, que nos são oferecidas gratuitamente, e lutarmos. O que precisamos é coragem, segurança e humilde confiança nos recursos infinitos de Deus. Avante! Firmes na brecha!

As práticas de um homem católico comprometido

FB-2Dadas estas reflexões sobre a masculinidade católica, passemos para a prática — Como viver como um homem católico? Que práticas podem nos ajudar a carregar nossa cruz e seguir o nosso Rei?

Vendo deste modo: os soldados não se mantêm fortes no corpo e na mente se não praticarem as artes essenciais de combate, caso contrário não estarão prontos para a batalha, e serão um perigo para eles mesmos e para os seus companheiros em armas. O mesmo é verdadeiro para os homens católicos: aqueles que não se preparam e fortalecem a si mesmos para o combate espiritual são incapazes de se manterem firmes na brecha por Cristo. Embora existam muitas práticas e devoções que um homem católico pode seguir, peço-lhes que perseverem nestas sete práticas básicas de maneira diária, semanal e mensal. Comecem agora mesmo.

Diariamente

1.- Rezem todos os dias. Todo homem Católica deve começar seu dia com a oração. Tem sido dito “até dar-se conta de que a oração é a coisa mais importante em sua vida, nunca terão tempo para orar”. Sem oração, um homem é como um soldado sem comida, água ou munição! Façam tempo ao iniciar cada manhã para falar com Deus. Orem as três orações essenciais da fé católica: o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória. Orem também em cada refeição. Antes que a comida ou bebida toquem seus lábios, façam o sinal da cruz e digam: “Abençoai-nos, Senhor” e, em seguida, terminem com o sinal da cruz. Façam isto, não importa onde estejam, quando estejam, ou com quem estejam comendo. Nunca tenham vergonha ou timidez para rezar ao comer; não neguem a Cristo. Rezar como um homem católico antes de cada refeição é simples, mas uma maneira muito poderosa para se manter firme na brecha.

2.- Examinar sua consciência antes de dormir. Dediquem alguns minutos para repassar o que fizeram durante o dia, pensem em suas bênçãos e pecados. Deem graças a Deus por suas bênçãos e peçam perdão por seus pecados. Digam o Ato de Contrição.

3.- Não deixem de ir à Missa. Embora ir à Missa todas as semanas seja um preceito da Igreja, apenas 1 em cada 3 homens católicos vão à Missa todas as semanas. Para um grande número de homens católicos, sua negligência em não ir à missa é um pecado grave, um pecado que põe em perigo mortal. A Missa é um refúgio no Combate Espiritual, em que os homens católicos se encontram com o seu Rei, escutam os seus mandamentos e são fortalecidos com o Pão da Vida. Cada Missa é um milagre em que Jesus Cristo está totalmente presente, um milagre que é o ápice não só da semana, mas de nossa vida na Terra. Na Missa um homem dá graças a Deus por suas muitas bênçãos e escuta Cristo a enviá-lo de volta ao mundo para construir o Reino de Deus. Aqueles pais que levam seus filhos à Missa estão de maneira muito real garantindo a sua salvação eterna.

4.- Leia a Bíblia. Como São Jerônimo nos diz claramente “A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”. Ao ler a palavra de Deus, Jesus está presente. Homens casados, leiam com sua esposa e filhos; se os filhos de um homem o veem ler as Escrituras, esse é um bom indício de que permanecerão fiéis na Fé, meus irmãos em Cristo, disso podem estar seguros: os homens que leem a Bíblia crescem em graça, sabedoria e paz.

5.- Santificar as festas. Desde a criação de Adão e Eva, ao estabelecer um ciclo semanal terminando com o Sabbat, o Senhor nos deu o sábado para assegurar tanto um dia para render graças a Deus como também para descansar e nos recuperarmos. Nos Dez Mandamentos, Deus dá uma nova importância ao Sabbat. Com todo o choque comercial e o barulho causado pelos meios de comunicação, o sábado é o alento que Deus nos dá dessa tempestade. É como os homens católicos devem começar, ou aprofundar na santificação deste dia. Se são casados, devem assumir a liderança com suas esposas e filhos para que façam o mesmo. Dediquem o dia ao descanso, e a uma recreação autêntica; evitem todo trabalho desnecessário. Passem tempo em família, vão à Missa, e desfrutem o dom do dia.

Mensalmente Semanalmente

6.- Confessem-se. No início do ministério público de Cristo, Jesus chamou todos os homens a se arrependerem. Sem arrependimento de nossos pecados, não pode haver nenhuma cura ou perdão; e não haverá Céu. Grandes quantidades de homens católicos estão em grave perigo mortal como consequência dos níveis epidêmicos de consumo de pornografia e do pecado da masturbação. Meus irmãos, confessem-se agora mesmo! Nosso Senhor Jesus Cristo é um Rei misericordioso que perdoará aqueles que humildemente confessam os seus pecados; não perdoará aqueles que se recusam. Abram suas almas ao dom de sua misericórdia!

7.- Construam fraternidade com outros homens católicos. A fraternidade católica tem um impacto dramático na vida dos homens. Homens que têm laços de fraternidade com outros homens católicos oram mais, vão à Missa e à Confissão com mais frequência, leem mais as Escrituras; e estão mais ativos na Fé. Provérbios nos diz: “O ferro com o ferro se aguça; o homem aguça o homem”. Conclamo a cada um de nossos sacerdotes e diáconos a reunir os homens de suas paróquias e a começar a construir uma fraternidade católica vibrante e transformadora. Conclamo os homens leigos para formar pequenos grupos de companheirismo para apoio mútuo e crescimento na fé. Não há amigo, como um amigo em Cristo.

Segunda pergunta: Como ama um homem católico?

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Consideremos agora o amor masculino. Isto não é fácil de fazer, porque a palavra amor quase perdeu o seu significado. É uma palavra que até mesmo os homens se sentem incomodados ao usar. Por quê? O que agora envolve a palavra amor? Apenas um sentimento? Algo que passa? Útil apenas para o mercado ou cartões de felicitação, mas nada mais?

Cristo deixou claro que no centro de sua missão está o amor. “Amai-vos como eu vos amei” (João 15:12) diz com paixão, mas sem sinais de sentimentalismo. Todos os ensinamentos de Nosso Senhor se reduzem a este mandamento. O amor, não é um assunto adicional, é a missão. E, no entanto, só podemos amar aquilo que fomos criados como homens. Como os homens amam?

Durante décadas, um modelo de masculinidade foi criado no personagem fictício de um espião secreto inglês chamado James Bond. Vários atores fizeram turno representando este homem, em muitas aventuras, como uma proposta do que significa ser “masculino”. Mas James Bond continua sendo um enigma. Como as mulheres que usa em seus filmes, aqueles que o veem estão tentando entendê-lo. Ele nunca é um pai, tampouco aceita nenhuma responsabilidade pelo amor de uma mulher. Nele vemos um homem cujas relações são superficiais e puramente utilitárias. Com efeito, “O personagem de James Bond personifica uma grande ironia. Tem 40 anos e não tem nenhum laço. Na verdade, é patético”.[15]

Quanto isto difere com Cristo? Há medo nele? Nem um pouco! Quem é mais homem, aquele que corre ou aquele que enfrenta suas responsabilidades e os desafios dos relacionamentos, a família e a intimidade? Pode um homem que teme entregar-se a si mesmo ser um autêntico discípulo de Cristo? Na verdade, pode um homem assim amar de verdade?

Pelo significado da palavra Bond no idioma inglês: laço ou atadura, o nome de James Bond é uma grande ironia. Trata-se de um homem sem nenhum laço ou vínculo sentimental. Mas o verdadeiro amor masculino sempre cria laços! Na Cruz e na Eucaristia, Jesus entrega seu próprio sangue para vincular-nos a Ele por amor. Na Última Ceia, oferece-Se na Eucaristia, a Sua oração ao Pai foi “para que sejam um, como nós” (João 17:11). Seu amor comprometido e aglutinador, como Ele diz, “atrairá todos os homens a Ele” (João 12:32). A palavra religião, em sua raiz latina, significa atadura. Não surpreendentemente, em uma cultura de laços quebrados, com tanto medo de compromisso, tantas vezes ouvimos “sou espiritual, mas não religioso”. Gostaria de lembrá-los que Satanás também é “espiritual, mas não religioso!”. Um homem de 40 anos sem um único laço de auto entrega em sua vida merece piedade, não a nossa admiração.

Neste sentido devo mencionar isso que é conhecido como machismo. Um homem católico está acima do machismo. Qualquer exposição de machismo busca segurança na imagem de dureza e falta de emoções. No entanto, trata-se de uma máscara muito fina cobrindo um medo interior aos verdadeiros vínculos com os outros, laços que venham das autênticas destas relações; e que fazem a vida rica e significativa. Atrás dessa máscara, como qualquer pessoa madura pode ver, está um homem preso em um medo adolescente de vulnerabilidade. Em muitos casos, ele foi ferido e agora repete um ciclo aprendido na infância.

Em vez disso, o verdadeiro amor que Cristo demonstra está centrado em desejar o bem do outro, em esvaziar-se completamente na caridade para com os demais. Assim, Ele revela o amor do Pai: “Como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Este é o meu mandamento: Amai-vos como eu vos amei” (João 15: 9, 12). Em Cristo, vemos que o sacrifício está no coração do amor. Somente o homem que lutou a batalha interior do autodomínio contra o estéril, o homem que entrega a sua vida pelos outros, pode evitar a estagnação e a absorção em si mesmo. Nunca duvidem, este sacrifício vale a pena! Nosso Senhor nos encoraja dizendo “Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos” (João 15:13).

Três amores masculinos: amigo, esposo, pai

Um amigo em Cristo — Irmãos em Cristo

FB-4No início do seu ministério na terra, Jesus chamou outros homens para acompanhá-Lo. O que Ele estava nos ensinando? Vimos que Jesus chamou os seus discípulos para Ele de tal maneira que formaram profundos laços de amizade e fraternidade. Na Última Ceia, especificamente Ele disse: “Já não vos chamo servos, porque o servidor não sabe o que faz o seu senhor; eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai “(João 15:15). Esta amizade com Deus é possível, uma verdadeira irmandade com Jesus, porque temos o mesmo Pai. Vocês meus filhos, têm verdadeiros irmãos em Cristo em suas vidas?

Através da história, incluindo a história da Cristantade, importantes movimentos têm sido iniciados por irmandades, por amigos em Cristo. Os pais da Igreja São Gregório e São Basílio forram grandes amigos e companheiros de trabalho na defesa de Cristo ao permanecerem firmes na verdade e vencerem as heresias que ameaçavam a Igreja. São Bento e seus companheiros monásticos estabeleceram comunidades de homens que preservaram e desenvolveram a cultura ocidental, ante a destruição bárbara e a inépcia. Essa grande muralha de proteção do que é verdadeiro, bom e belo foi forjada com uma constante e próspera vida cristã em fraternidade e amizade. São Francisco e São Domingos começaram irmandades ao serviço dos pobres e a defesa da verdade. Os fundadores da Companhia de Jesus, Santo Inácio e São Francisco Xavier, e outros, trouxeram um novo olhar sobre a Igreja e influenciaram inúmeros homens, chamados a evangelizar os mais distantes cantos do globo. No século XX, vemos a amizade entre C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien e seu irmão “Inklings” como um elemento essencial e indispensável para o crescimento no florescimento de seus próprios dons literários e apologéticos.

O que é amizade? Quem é nosso amigo? As Escrituras nos dizem: “O amigo ama em qualquer ocasião, e um irmão nasce para compartilhar a adversidade” (Provérbios 17:17). Estou convencido de que nas adversidades que enfrentamos hoje, se os homens procuram uma verdadeira irmandade trarão consigo irmãos em Cristo e serão aplaudidos no Céu. Por isso, perguntem-se os homens: Como são seus amigos? Têm amigos com quem partilhem a missão da santidade? E mais, no seminário os homens jovens descobrem a diferença que faz ter amizades centradas em Cristo, e suas vidas são transformadas. Estas amizades não estão limitadas às ordens religiosas e os sacerdotes. Uma masculinidade renovada não será possível sem que os homens primeiro se unam como verdadeiros irmãos e amigos. Na minha própria vida, no meu primeiro ano como sacerdote, eu tenho sido grandemente abençoado por meus irmãos sacerdotes na fraternidade de Jesus Caritas.[16] Seu compromisso com a adoração eucarística e simplicidade de vida, sua fidelidade a Cristo no celibato e na oração diária, seu amor fraternal, sábios conselhos e encorajamento têm me influenciado e me inspirado muito para perseverar em minha própria missão em Cristo. Foi uma alegria ver como a fraternidade em nossa diocese cresceu e floresceu em esforços como a Conferência dos Homens, os Cavaleiros de Colombo, Este Homem és Tu, o Movimento de Cursilhos e outros grupos. Ainda há espaço para crescer, é claro, mas a partir de agora os frutos do Espírito são evidentes nestes irmãos e amigos católicos.

Da mesma forma, vimos o que acontece quando os homens, jovens e velhos, não se formam nem mantêm relacionamentos saudáveis. Muitos, procurando no lugar errado, encontram na falsa irmandade das gangues, ou sem qualquer tipo de fraternidade, isolados e sozinhos, perdendo assim estas experiências formativas tão críticas, sem ninguém para prestar contas e o companheirismo que apenas uma amizade verdadeira pode proporcionar.

Estudos têm mostrado que muitos homens hoje vivem uma vida sem amizades. Isto tem um efeito sobre os casamentos em que os homens não têm um suporte emocional além de suas esposas ou seus filhos; quem deveriam ver verdadeiros amigos nas vidas de seus pais, mas muitas vezes não é assim. Que bênção ter a presença de bons e leais amigos que fornecem o incentivo e o apoio responsável que precisamos para ser livres! Com efeito, como diz a Escritura: “Assim como o ferro aguça o ferro, o homem aguça o homem” (Provérbios 27:17).

O homem como um esposo — o propósito do amor erótico masculino

FB-5Na sequência, tentar compreender mais profundamente o chamado do homem ao amor de marido. Todo homem é chamado a viver como esposo ou pai de alguma forma: “Deus dá a cada homem como tarefa a dignidade de cada mulher”.[17] Cada homem é chamado a se comprometer e a se entregar por completo. Para a maioria dos homens, este é o matrimônio, enquanto para outros este é o sacerdócio ou algum outro serviço sincero e de entrega total a Deus. Mas em nossos tempos, esse compromisso é frequentemente visto como escolher algo convencional e até mesmo chato; algo que limita a liberdade ou ameaça o amor. Nada poderia estar mais longe da verdade! Em vez disso, recordo-lhes as palavras de São Josemaria: “Há uma necessidade de uma cruzada de virilidade e de pureza para neutralizar e anular o trabalho selvagem daqueles que pensam que o homem é uma besta. E essa cruzada é o seu trabalho”.[18]

A preparação para este dom sincero e completo coincide com o crescimento de um homem na masculinidade. Os “anos de solteirice” na vida de um homem jovem são treinando para isso, e não um tempo de espera passiva, muito menos para deliciar-se no pecado. “A juventude não foi feita para o prazer, mas para o heroísmo”, diz o grande dramaturgo católico francês Paul Claudel. Eu incentivo os homens jovens a se preparar para o casamento antes mesmo de saber quem será sua noiva. Esse treinamento em sacrifício consiste em amar a sua noiva antes de conhecê-la; para que um dia eles possam dizer “antes de te conhecer, eu já te era fiel”.

Pelo amor dos esposos, os homens experimentam um tipo de força que perdura, uma força que o mundo anseia, uma força que pode estabilizar uma sociedade cambaleante. É verdade que esse amor não está livre de períodos difíceis. Nenhuma vocação está. No entanto, com São Paulo “considero que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória futura que há de ser revelada em nós” (Romanos 8:18). Há glória no chamado de um homem a ser um esposo.

Quando o grande São João Paulo II falou de um “significado do corpo como esposo”, ele deixou implícito que todos os homens estávamos chamados de alguma forma para o amor de esposo.[19] Ou seja, um amor comprometido, um amor que dá a vida buscando o bem daqueles com quem o homem se comprometeu. Quando um homem é chamado a um amor de esposo no casamento e a vida familiar, o sacerdócio ou a consagração ao Senhor, esse homem é chamado a uma vida grandiosa e reveladora. De fato, se fugimos desta batalha por causa de seus desafios, nos tornaremos vazios. Aqueles que chegam para o julgamento de Deus, depois desta vida, sem as cicatrizes de um esposo sacrificado, terão sua masculinidade em baixa estima quando ouvirem falar aquele que lutará conosco”.[20]

Deixem-me falar especificamente para os homens chamados ao amor conjugal no matrimônio. Este é um chamado para a dignidade e a beleza da união que simboliza o amor de Cristo como esposo pela Igreja. Paulo explica isso em suas instruções aos cônjuges, dizendo:

“Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja — porque somos membros de seu corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne (Gn 2,24). Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja”. (Ef 5,25-32).

O casamento em Cristo não é apenas uma atividade humana. É mais elevada; é um “grande mistério”. O desejo humano de amor é, em certo sentido, um desejo para o amor infinito e eterno. No sacramento do matrimônio o amor humano está aprisionado no amor infinito e eterno de Deus.[21] Homem! Essa é a glória! Chamados para o matrimônio, vocês são chamados a ser Cristo para sua esposa. Porque este amor une sacramentalmente o infinito amor que Cristo tem por cada um, seu matrimônio sacramental supera os limites do matrimônio natural e alcança o infinito e eterno caráter a que aspira todo amor.

Aqui chegamos ao epicentro da batalha masculina em nossos tempos, o nexo entre a vida e o amor que é o dom de Deus, a sexualidade. Não posso enfatizar o suficiente, meus filhos, a necessidade de desenvolver a castidade em sua vida.

Embora grande parte da nossa cultura não entenda completamente ou encoraje este compromisso e a grandeza do amor de esposos a que estamos chamados, de forma alguma devemos nos desencorajar. Pelo contrário, podemos considerar como somos abençoados ao ser chamados a proclamar esta verdade em um tempo em que muito ela se faz necessária. Ao fazer isso, mostrarão a luz de Cristo em uma área de sociedade muito obscurecida por aquilo que sempre ameaçou o amor dos esposos. O nosso Catecismo os nomeia claramente. Trata-se da “discórdia, o espírito de domínio, a infidelidade, ciúmes e conflitos que podem se transformar em ódio e separação …, individualismo, egoísmo, a busca do auto-prazer”.[22] Aqui poderíamos adicionar o uso da pornografia, sempre algo tóxico para os envolvidos e aqueles que observam, e a subcultura tísica consumista chamada em inglês “cultura hookup” (que consiste em promiscuidade desenfreada, até mesmo com totais estranhos), a qual remove completamente os encontros sexuais de seu contexto de relação conjugal.

Como aconteceu que uma cultura tão determinada em seu apoio ao matrimônio e o noivado há duas gerações atrás tornou-se uma cultura que tem reduzido a sexualidade a um mero prazer para fins egoístas? A resposta reside na Revolução Sexual. Para muitos, a Revolução Sexual prometia “amor livre” e a liberdade dos grilhões de velhas ideias sobre masculinidade e feminilidade. Como resultado separou-se a sexualidade do compromisso do casamento, uma ampla aceitação da esterilidade (química ou cirúrgica), o que resultou em uma negação do que é essencialmente masculino e feminino na pessoa. Em vez de um amor verdadeiro e real, ofereceu prazeres baratos como uma tentativa de responder a uma profunda solidão e dor. Em vez de libertação dos laços familiares tradicionais, as crianças foram deixadas sem a estabilidade do amor de uma mãe e um pai. Ao invés de aceitar a verdade do desígnio de Deus para o amor humano entre homem e mulher, a Revolução Sexual se rebelou arrogantemente contra a natureza humana, a qual jamais estará em linha com a nossa confusão e falta de autodomínio. A Revolução Sexual também tem impulsionado o flagelo do aborto, a pornografia e o abuso sexual que tem vindo a aumentar nas últimas décadas. Na verdade, o “amor” prometido pela Revolução Sexual nunca foi encontrado. O que houve foi destruição; muitíssimos corações partidos, atados ao medo de mais sofrimento, vidas, lares, sonhos desfeitos e ceticismo sobre a possibilidade de amor. Este é o fruto podre da Revolução Sexual.

A razão nos diz que, se o amor é o nosso mais profundo desejo e anseio, a destruição do amor nos causará a maior dor e as feridas mais profundas. Por onde começamos? Onde é que vamos começar a reconstruir? O que reparar em primeiro lugar?

Meus filhos, devemos começar por nós mesmos.

Se eu voltar à analogia do atleta, vemos que nenhum campeão chega ao topo sem disciplina na prática e treinamento para exercer a grandeza em seu esporte. Ele tem que ser o mestre de si mesmo; tem que ter autodomínio. Para o homem chamado ao amor conjugal, este autodomínio encontra o seu ponto culminante na virtude da castidade. Precisamos ver castidade masculina pelo que ela é. Frequentemente esta virtude é vista em uma luz negativa, como algo débil. Isto não poderia estar mais longe da verdade. A castidade é força e uma rejeição à escravidão das paixões. Os cristãos sempre acreditaram que a castidade, no casamento e no celibato, é uma libertação da escravidão do pecado e de nossas paixões.

Para entender a castidade, devemos entender Deus. “Deus é amor e vive em Si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando à Sua imagem […] Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, consequentemente, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão”.[23] O amor que vivemos como homens é uma participação e demonstração do amor de Deus. As mulheres, claro, como iguais em dignidade, também demonstram o amor de Deus. No entanto, elas o fazem de maneira diferente. Para ambos, homem e mulher, “a sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana, a unidade de seu corpo e de sua alma. Particularmente diz respeito a afetividade, a capacidade de amar e de procriar e, de maneira mais geral, à aptidão para o estabelecimento de vínculos de comunhão com os outros”.[24] Portanto, a virtude da castidade nos permite aperfeiçoar e viver adequadamente este chamado a ser homens de verdadeira comunhão. A virtude da castidade é a …

Integração bem-sucedida da sexualidade na pessoa e, por ela, na unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, no que expressa a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando está integrada na relação de pessoa a pessoa, no dom recíproco total e temporalmente ilimitado do homem e da mulher.[25]

Deixem-me lembrá-los aqui as palavras cruciais de Jesus dizendo: “quem olha para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5:28). Essas palavras me levam a um chamado específico de atenção sobre esses atos (equivocadamente) considerados como “normais” e até mesmo encorajados pela cultura de hoje. Refiro-me à pornografia e à masturbação. Os efeitos nocivos desses hábitos ocultos e narcisistas treinam o homem de uma maneira que é exatamente oposta ao amor. Ele aprende a usar os outros. Em vez do amor vivificante e da auto entrega, contenta-se com prazeres egoístas e estéreis. Recordemos das palavras de Jesus:

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração. Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado no inferno. E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado no inferno. (Mateus 5: 27-30).

Aqui, Jesus profeticamente se antecipa à pornografia moderna que alimenta a luxúria dos olhos. Jesus usa palavras hipérboles fortes, que os homens arranquem os olhos e cortem sua mão, para deixar claro que é preciso agir com urgência. A pornografia não só coloca o homem em perigo do inferno, ela também destrói os laços com sua esposa assim como o adultério. Pensem na pornografia como não menos grave do que o adultério. Tentando amar outra pessoa enquanto se praticam esses atos narcisistas, sem serem transformados pela misericórdia, certamente isso implicará em graves danos.

Ao lutar contra as tentações pornográficas é importante considerar os fatores que cercam a tentação. Para a maioria dos homens estes incluem a solidão, o tédio, a raiva, a insegurança e o estresse. Apenas ao entender o contexto da tentação e convidar a Deus para que envie Sua graça começaremos a superar as táticas do diabo. O Sacramento da Confissão é o lugar de apoio e graça superabundante. Jesus disse: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5: 8). Esta não é apenas uma promessa a respeito do Céu! Esta promessa começa agora, em nossa vida diária. Os santos são testemunhas e postos à prova nesta verdade. Ao criar a pureza do coração, vocês homens, não só verão Deus nas mulheres de sua vida, mas também em vocês mesmos “a imagem de Deus”. Até mesmo sem a obscuridade parece insuperável, Cristo não nos abandona nunca. Como sacerdote, eu valorizo o encontro na confissão honesta com aqueles que querem a cura do Senhor. É uma bênção trabalhar com homens que querem mudar essa falsa tendência para o amor autêntico.

Imaginem comigo o quão diferente seria o mundo para as nossas esposas, irmãs e filhas se os homens vivessem essa força interior da castidade. Hoje em dia, ouvimos o alto índice de abuso sexual na sociedade, especialmente nos campi universitários. Não é este o momento para uma renovada castidade masculina? Não é este o momento para que os homens produzam a virtude da temperança através do jejum e da oração entre irmãos? É hora de considerar com maior profundidade a proclamação de São João Paulo II “Deus dá a cada homem a tarefa da dignidade de cada mulher”.

A castidade masculina é “um trabalho que dura a vida inteira”[26] que nos daria orgulho empreender”. Imaginem-se estar diante do trono de Deus no dia do juízo. Os grandes santos do passado, que lidaram com o pecado à sua própria maneira, talvez dissessem um ao outro: “Nós lidamos com as dificuldades da luxúria em nossos tempos, mas esses homens são do século XXI. Estes poucos tiveram a dita de combater a besta muito de perto!” Não só isso, teremos a alegria de ajudar os homens em torno de nós a buscar o autodomínio, que é o melhor a ser feito entre irmãos. Encorajo vocês a pôr de lado seus medos e inseguranças que os impedem de levarem adiante a luta pela castidade. Cristo espera para ajudar a formar os homens de acordo com o Seu próprio coração em cada confessionário da Igreja, em cada Missa, onde o poder de Seu Sangue derramado na Cruz é oferecido na Santa Comunhão. Apenas um homem formado segundo o coração de Cristo poderá “mostrar-nos o Pai” (João 14: 8).

Terceira pergunta: Por que a paternidade, compreendida em sua totalidade, é crucial para todo homem?

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A paternidade é essencial

Agora tomemos a questão vital da paternidade. A paternidade muda a história. No Evangelho de Mateus, quando “Abraão gerou Isaac; Isaac, pai de Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos”, 42 pais nos levaram a José, o pai adotivo de Jesus. Nas palavras de São João Paulo II, a paternidade é essencial para o florescimento do mundo:

Revelando e revivendo na terra a mesma paternidade de Deus (Efésios 3:15), o homem é chamado a garantir o desenvolvimento harmonioso e unitário de todos os membros da família. Realizará esta tarefa através de uma generosa responsabilidade pela vida concebida junto ao coração da mãe, um compromisso educativo mais solícito e compartilhado com a própria esposa (Gaudium et Spes, 52), um trabalho que nunca desintegra a família, com a educação, mas promove em sua unidade e estabilidade, um testemunho de vida cristã adulta, que introduza mais eficazmente os filhos na experiência viva de Cristo e da Igreja.[27] [28]

Todos os homens são chamados à paternidade de alguma forma:

Tornar-se-papai e mamãe significa plenamente realizar-se, porque é tornar-se semelhante a Deus. Isto não é dito nos jornais, não aparece, mas é a verdade do amor. Tornar-se papai e mamãe nos torna muito mais semelhantes a Deus. Como pais, vós estais chamados a recordar todos os batizados que cada um, embora de formas diferentes, está chamado a ser papai ou mamãe.[28]

Como a própria masculinidade, talvez a paternidade não tenha sido objeto de reflexão para os filósofos, porque sempre se presumia que seu significado era óbvio. Mas, não. Em seu livro, Cruzando o Limiar da Esperança, João Paulo II escreveu: “Esta é a chave para interpretar a realidade… portanto, o pecado original tenta abolir a paternidade”.[29] O grande Papa diz aqui que quando examinamos o primeiro ato de desobediência de nossos pais — que custou a eles e a nós a perda de nossa inocência e a liberdade original da morte corporal — encontramos uma rebelião básica contra a paternidade de Deus, um desejo de eliminar a paternidade mesma. Isto está no centro do plano do inimigo, eliminar o nosso apoio em Deus Pai benevolente. Para conseguir isso, a principal estratégia de Satanás é eliminar a paternidade humana, em que cada um de nós vê as primeiras luzes do que é a paternidade de Deus.

O ataque à paternidade que vemos hoje, e também à maternidade, é multifacetada e impressionantemente prejudicial. Hoje 41% das crianças nascem fora do casamento, um aumento de 700% desde 1950, quando a taxa de nascimentos fora do casamento era de apenas 6%. Estas crianças ficaram sem pais por causa de algum conflito desastroso, como a Segunda Guerra Mundial, o que definitivamente causou muitas feridas de orfandade. Pior ainda, trata-se de ausência voluntária do próprio pai em uma escala maciça. A criança deve perguntar: “Onde está meu papai?” Qual é o impacto sobre o coração de uma criança, em sua compreensão do mundo, do amor, e do Pai Celestial, quando a resposta a essa pergunta é: “Ele nos deixou”, ou, “Eu não sei”, ou ainda, “Foi um doador em um banco de esperma, e foi assim como sua vida começou, e então, não deixou nenhum endereço”?

Os homens católicos também contribuem muito com esse mesmo escândalo, devastador para o coração de uma criança; e isso faz com que muitas mulheres neste mundo vivam como se fossem viúvas! O coração de uma criança sem pai chora para o Céu: “não despreza a oração do órfão, nem os gemidos da viúva. … O Senhor não tardará e não terá paciência com os ímpios, para quebrar o poderio dos impiedosos e dar seu merecido às nações” (Eclesiástico 35: 14, 18). Por que viúvas e órfãos expõem suas queixas? Eles perderam seus protetores e provedores! Há um vazio não natural no lugar daquele que foi chamado por Deus “para assegurar o desenvolvimento unido e harmonioso dos membros da família”.[30] É por causa desta perda, desta lacuna, que sempre temos de forma natural e tradicional, lamentado a falta de pais.

No entanto, na cultura de hoje, há aqueles que não querem ver a falta de pais como algo lamentável ou não natural. Não se deixem enganar por essas vozes que querem apagar as distinções entre mães e pais, ignorando a complementaridade que é inerente à própria criação. Homens, sua presença e missão na família é insubstituível; despertem e com amor retomem o seu lugar, dado por Deus, como protetores, provedores e líderes espirituais de seu lar. O papel de um pai como chefe espiritual da família nunca deve ser entendido ou tomado como um domínio, mas, sim, como uma liderança amorosa e orientação carinhosa daqueles sob seus cuidados. Sua paternidade, minha paternidade, à sua maneira escondida e humilde, reflete de maneira imperfeita, mas segura, a Paternidade de Deus Pai para aqueles que Deus nos deu para ser seus pais.

O que significa ser “pai”? Papa Francisco, em uma reflexão sobre a paternidade disse: “Quando um homem não tem esse desejo, algo está faltando neste homem, algo aconteceu. Todos nós, para sermos plenos, para sermos maduros, precisamos sentir a alegria da paternidade: até mesmo nós, celibatários. A paternidade é dar vida aos demais, dar a vida, dar a vida”.[31] É por isso que a paternidade — viver a vocação da paternidade, seja uma paternidade unida pelo matrimônio físico ou espiritual, no sacerdócio ou a vida religiosa — é essencial para que um homem viva a plenitude de sua existência na vida. Falamos dos Padres da Igreja, os Padres do Deserto; falamos ao Papa Francisco o Santo Padre, e por boas razões chamamos nossos sacerdotes de “Padre”.

Para viver plenamente, todo homem deve ser um pai! Meus irmãos, não podemos “ser como Deus”, e permanecer sem esta compreensão, sem este movimento do coração, seguido por uma ação decisiva. Se vocês não abraçam a vocação de esposo e paterna que Deus planejou para você, vocês estarão presos na impotência da “semente” que se recusa a morrer, que se recusa a dar a vida. Não se conformem com uma vida pela metade! Sejam pais. A pergunta para um homem não é “Eu sou chamado a ser pai?”, mas, sim, “Que tipo de pai sou chamado a ser?

Avós, vocês são muito importantes

FB-7Quero dizer algumas palavras para vocês que são avós. O mundo lhes diz que seu momento para influenciar terminou e é hora de se aposentar, ou seja, renunciar a seu posto de paternidade. Pouquíssimas culturas têm esperado tão pouco e mostrado ouvidos tão surdos para aqueles que lutaram e agora têm sabedoria para oferecer aos seus filhos e netos. Não acreditem nisso. Os avós são muito importantes.

Tenho o privilégio de levar o nome de meus avós, Thomas Tighe Olmsted e P. James Hughes. Além de meu pai, cada um dos meus avós foi um pai para mim. Meu avô Jim tirou forças de sua fé católica para enfrentar com dignidade e esperança a morte prematura de sua esposa, minha avó, que morreu de câncer. Sem cair em desespero ou auto piedade, ele lutou com todas as suas forças para manter unida uma família de seis, e para prover seus filhos. Destes, a mais jovem era minha mãe. Tudo isso aconteceu durante o tempo difícil do que mais tarde se tornou conhecido como a Grande Depressão. As memórias que mais valorizo de meu avô Jim são o seu espírito pacífico, seu humor irlandês e sua sincera devoção à Igreja. Meu avô Tom teve um impacto maior sobre a minha vida, apesar de que nunca foi batizado. Ao lado dele, aprendi a cuidar das nogueiras, cuidar de melancias e abóboras, cavalos e gado, galinhas e porcos. Dentro de todas as atividades necessárias para sobreviver em granja, aprendi com meu avô Tom e meu pai a importância de sermos bons vizinhos, de dizer a verdade, não importa o quanto custe, e ter um profundo respeito pela mãe natureza. Quando fui ordenado sacerdote, eu escolhi uma frase bíblica para os convites de minha primeira Missa, a qual capturou tudo o que eu aprendi com o meu avô. É do profeta Miquéias (6: 8), “Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus”.

Avós, vocês são um dom essencial e conselho para suas famílias, e eu os encorajo a continuar sendo fortes, a partilhar sua visão, e a lutar por eles. Lembrem-se do avô terreno de Jesus, São Joaquim, que viveu uma fiel vida a Deus. Em seus anos avançados Deus Pai abençoou Joaquim e sua esposa, Santa Ana, com o grande presente de Maria, nossa Mãe Santíssima. Que cada avô lembre que mesmo quando a rotina diária pareça insignificante, não conhecemos os grandes planos que Deus tem para os últimos dias de nossas vidas.

Esperança na sombra da paternidade perdida

E agora eu gostaria de dirigir algumas palavras para aqueles de vocês, meus filhos, que sofreram em suas próprias vidas a ausência de um pai. Há muitas razões por que os homens deixem seu posto, ou mesmo, permanecendo nele, estão distantes; e uma delas é a falta de uma experiência positiva de paternidade em suas próprias vidas. A Igreja sempre está chamada a revelar Deus Pai. Essa ferida em seu coração pode ser que ainda não esteja fechada. Certamente, a ausência de um pai nunca é o plano de Deus. Mas não desanimem e não percam a esperança. Permitam que Cristo lhes mostre o Pai que nunca abandona Seus filhos, mas que até mesmo ofereceu o Seu próprio Filho amado. Se vocês ainda não tiverem feito isso, Cristo os guiará para ver seu pai como Ele o vê. Ele não os deixará sem a graça necessária para perdoar e curar. Isso poderia acontecer em conjunto com as graças oferecidas por seus pais espirituais, seus sacerdotes no Sacramento da Reconciliação. Ao descobrir a paternidade de Deus Pai, nosso amoroso Pai Eterno, serão testemunhas do único pai que nunca falha.[32]

Finalmente, quero oferecer uma palavra especial para aqueles homens que sabem que falharam em sua paternidade, que, em certo grau, somos cada um de nós. Isso pode acontecer por dependência, abandono, conflitos conjugais, desprendimento emocional e espiritual, incapacidade de orientar a família na fé, aborto, abuso físico ou emocional ou infinitas maneiras nas quais obscurecemos a imagem de Deus, o Pai amoroso. Eu me apresento diante de vocês como um pai imperfeito que pede a Deus Pai que preencha os espaços deixados vazios na missão masculina maior de todas. É muito importante identificar a tática do inimigo para trazer o desespero para que abandonemos nossa paternidade por completo por nossos pecados. Meus filhos, nunca desistam! Rezem e sejam renovados no sacramento da Reconciliação. Cristo nos fortalece na Confissão e na Eucaristia para dedicarmos a reconstruir a paternidade da maneira que seja possível.

Conclusão: Enviados por Cristo

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O melhor amigo de São Gregório de Nissa era São Basílio. Quando eles eram jovens em seus vinte anos, sua busca pessoal em direção a uma compreensão mais profunda da fé cristã os levou a Constantinopla por caminhos separados. Logo eles desenvolvem um profundo respeito mútuo que Gregório descreveu da seguinte maneira: “Se isto não é muito para eu dizer, fugimos à regra e ao modelo de cada um através do qual aprendemos a distinção do que é certo e do que não é”.[33] Sua amizade inspirou cada um a crescer em virtude e liberdade, menos preocupação para com eles mesmos e mais dispostos a colocar suas vidas no serviço aos outros. Espero que cada homem ao ler esta exortação experimente, se ainda não tiver feito isso, a bênção de bons amigos como estes. Não posso imaginar o que seria da minha vida sem os bons amigos que Deus me deu.

Espero também que tomem o que é útil nesta mensagem, levem consigo diante do Senhor em oração; e sigam adiante confiantes em sua vocação masculina. A nossa vida em Cristo não é uma vida de “o que fazer” e “o que não fazer”; é sim uma aventura na verdadeira liberdade. Abracem essa liberdade para colocar suas vidas a serviço de Cristo, começando em seu lar e irradiando-a para o mundo.

Onde está a fé de nossos pais hoje?

Ao escrever esta exortação, tornaram-se públicos uma série de vídeos que documentam as práticas bárbaras da venda da partes de corpos de bebês pela Planned Parenthood. Como esta agência infame recebe a cada ano cerca de meio milhão de dólares do governo dos EUA, para continuar sua matança aos inocentes, nenhum cidadão americano, e, certamente, nenhum de nós homens podemos permanecer calados diante desta deformação de nossos tempos. Temos que parar de ficar à margem, temos que nos levantar e ir em frente em defesa da vida. Precisamos de fé como a de nossos pais que defenderam os filhos das gerações passadas, e que deram a sua própria vida antes do que abandonar sua fé em Cristo. Meus filhos e irmãos, homens da Diocese de Phoenix! Precisamos nos manter firmes na brecha!

Os mártires católicos da Inglaterra inspiraram a Frederick W. Faber a escrever o hino “A Fé de Nossos Pais” em 1849. Assim como Faber prestou homenagem aos homens que se reusaram a negar Cristo “apesar de calabouços, fogo e espada”, ele também fez uma chamada às armas para os homens das gerações seguintes. Unam-se a mim em oração para que também nós, homens do século XXI, façamos nossas as palavras deste verso:

“Nossos pais, acorrentados em prisões de escuridão,
Estavam ainda em coração e consciência livres
Quão doce seria o destino de seus filhos
Se eles, como eles, pudessem morrer por ti
Fé dos nossos pais, santa fé!
Seremos fiéis a ti até a morte”.

Promulgado na Festa dos Arcanjos, 29 de setembro de 2015.

+ Thomas J. Olmsted
Bispo de Phoenix

Fonte: IntoTheBreachNet

Notas:

[1] Centro para a Investigação Aplicada no Apostolado. http://cara.georgetown.edu/caraservices/requestedchurchstats.html.

[2] Dados sobre a “Crise de Homem” católico. http//www.newemangelization.com/man-crisis/the-catholic-man-crisis-factsheet/

[3] Papa São João Paulo II, La Iglesia en América, 3, 5.

[4] Entrevista de 19 de Setembro de 2013.

[5] Claro que há exceções a esta regra. Sabemos de exceções como resultado de defeitos genéticos ou desenvolvimento hormonal insuficiente. Por exemplo, na Síndrome de Turner em meninas e a Síndrome de Insensibilidade Androgênica em crianças causam situações muito dolorosas na vida desses jovens homens e mulheres e suas famílias. Rezo para que pesquisadores católicos, médicos e psicólogos estejam à frente do estudo desses fenômenos, provendo aconselhamento ético, cuidado e apoio a estes indivíduos e suas famílias. Todos estes dados científicos descobertos pela ciência contribuem para o conhecimento da complementaridade sinfônica entre homem e mulher, algo em que acertamos em ponderar e que nos alegramos ao encontrar a beleza dessa diferença.

[6] Homilia, 14 de Junho, 2015.

[7] Vaticano II, “Gaudium et Spes”, 36.

[8] Audiência Geral, 15 de Abril, 2015.

[9] João 12:27, Marcos 22:15.

[10] Missa de Abertura, 22 de Outubro, 1978.

[11] Fevereiro de 2015.

[12] “Gaudium et spes”, 22.

[13] “Laudato Si”, 204.

[14] http://frassatiusa.org/eight-day

[15] Dr. Paul Vitz, conversa de 21 de Fevereiro, 2015.

[16] Ver o Apêndice para una descrição e o chamado a formar estes grupos de homens leigos.

[17] Papa São João Paulo II, Catequese sobre o amor humano, 100:6.

[18] San Josemaría Escrivá, Camino.

[19] Papa São João Paulo II, Catequese sobre o amor humano, 14:5.

[20] Shakespeare, Enrique V, Ato IV, Cena 4.

[21] “Gaudium et spes”, 48.

[22] Catecismo da Igreja Católica, 1606.

[23] Catecismo da Igreja Católica, 2331.

[24] Catecismo da Igreja Católica, 2332

[25] Catecismo da Igreja Católica, 2337.

[26] Catecismo da Igreja Católica, 2342.

[27] Papa São João Paulo II, Familiaris Consortio, 25.

[28] Papa Francisco, Discurso de 14 de junho, 2015.

[29] Papa São João Paulo II, Cruzando o limiar da esperança, Nueva York, NY, Knopf, 1994, 228.

[30] “Familiaris Consortio”, 25

[31] Homilia de 26 de junho, 2013.

[32] Adaptado de Evangelium Vitae, 99.

[33] “Sobre São Basílio o Grande”, Oratoria Funeraria (Los Padres de la Iglesia, Vol. 22), 27[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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