Todo discípulo verdadeiro de Jesus Cristo tem Maria por Mãe e a honra como Mãe. Não pode ser verdadeiro discípulo de Cristo quem não tem Maria por mãe. E o verdadeiro discípulo de Cristo a leva para a sua casa, quer dizer, para o seu coração

NSCandelaria

Sermão para a Festa da Purificação de Nossa Senhora (Candelária)

02.02.2016 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…

Caros católicos, nessa importante festa de Nossa Senhora – que a Igreja quis ornar com inúmeras luzes e uma bela procissão – aproveito a ocasião para tratar resumidamente, considerando os Santos Evangelhos, de Nossa Senhora e de seu papel na história da salvação. Sem esgotar o que contém cada passagem que menciona Nossa Senhora, mas realmente considerando apenas alguns aspectos, para podermos ver como, em tão poucos palavras, a Sagrada Escritura já diz tanto de Nossa Senhora.

Comecemos pelo momento da Anunciação, pelas palavras do anjo Gabriel. Ave, gratia plena. Ave, cheia de graça. O termo Ave é um sinal de reverência. O anjo reverencia Maria. Quando vemos os anjos aparecerem na Sagrada Escritura, são os homens que os reverenciam e não os anjos que reverenciam os homens. E é normal que assim seja porque os anjos são superiores aos homens pela natureza angélica mais perfeita, pela familiaridade que têm os anjos com Deus e porque excedem os homens na graça divina. Todavia, é o anjo quem reverencia Maria e não o contrário. Maria não é superior aos anjos quanto à natureza, pois continua tendo sempre a natureza humana, mas Maria é superior aos anjos pela graça divina, o que é mais importante que a simples natureza. Por isso o anjo ao reverenciá-la com o Ave, logo diz gratia plena, cheia de graça, para mostrar o motivo dessa reverência. Eu a reverencio, soberana Senhora, porque estais mais cheia da graça divina do que os anjos. O anjo indica também o motivo de sua reverência ao dizer: o Senhor é convosco. Eu a reverencio, Senhora, porque tendes mais proximidade, familiaridade com Deus do que o mais perfeito dos anjos. Deus está mais convosco do que conosco. Maria tornou-se Mãe de Deus quando consentiu que o Verbo se encarnasse em seu ventre. E, antes de Ele ser concebido fisicamente no seu ventre, foi concebido pela graça divina em sua alma. Verdadeiramente, Maria é superior mesmo aos anjos porque é Mãe de Deus e, sendo mãe de Deus, está perfeitamente unida a Ele e cheia de uma graça transbordante. Ela é reverenciada porque a Mãe de Deus está perfeitamente unida a Ele e porque nunca teve contato com o pecado, tendo sido concebida sem o pecado original, sendo Imaculada. É preciso que reverenciemos Maria como o anjo a reverenciou.

Nós vemos, no Evangelho, N. Sra. dirigir-se à casa de Santa Isabel, sua prima, que havia ficado grávida de São João Batista. E a Sagrada Escritura diz que N. Sra. foi com pressa visitar sua prima. E foi com pressa subindo as montanhas. Ela já estava com o Filho de Deus em seu ventre. O efeito só poderia ser uma grande caridade para com o próximo e que supera os obstáculos e com pressa. Com pressa sobe as montanhas. A união com Deus leva ao amor pelo próximo. Nossa Senhora quer o nosso bem e age para isso.

Ela se apressa para ajudar a sua prima e para nos ajudar. Todavia, a principal obra de caridade na Visitação não foi a ajuda física dada a Santa Isabel. A principal obra de caridade na Visitação foi a santificação de São João Batista. E como ocorre a santificação de São João Batista? Pela voz de Maria Santíssima. Ao ouvir a voz de N. Sra. o menino exultou de alegria no ventre de Santa Isabel. Isso nos mostra bem como Deus distribui as suas graças: por meio de Nossa Senhora. Ela e a medianeira de todas as graças.

Ainda na Visitação nós vemos como Maria está inteiramente voltada para a glória de Deus. Ao ser elogiada por Santa Isabel, ela dirige imediatamente o elogio a Deus, causa de todo o bem nela e em tudo o que existe. Santa Isabel diz a Nossa Senhora: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem a graça de que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Bem-aventurada tu que creste.” Nossa Senhora logo diz: “A minha alma engradece o Senhor o meu espírito exulta em Deus meu Salvador. (…) Fez em mim grandes coisas Aquele que é poderoso.” É o belíssimo Magnificat. N. Sra. transfere imediatamente o louvor a Deus. Quando rezamos para N. Sra., quando a reverenciamos, ela imediatamente transfere o nosso louvor para Deus. E que grande bem para nós ter os nossos louvores, as nossas orações e pedidos apresentados diante de Deus por N. Sra. Muito melhor do que quando nós, miseráveis, o fazemos diretamente. Quando louvamos a Maria, ela louva Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora vai com o Menino Jesus ao templo, quarenta dias após o nascimento do Salvador, para ser purificada segundo a lei de Moisés e para oferecer o Menino Jesus a Deus, pois a lei de Moisés mandava que todo primogênito fosse consagrado a Deus. É a festa que celebramos hoje. Nossa Senhora vai, então, ao Templo consagrar o Menino Jesus a Deus. Como todas as mulheres israelitas, ela resgata a criança pagando o valor estabelecido. Todavia, se para a maioria das mulheres o oferecimento do filho a Deus é um tanto simbólico, para Nossa Senhora ele é bem real. Simbólico, para Maria, é, na verdade, o resgate. Nossa Senhora sabia perfeitamente quem era seu Filho, ela conhecia perfeitamente as profecias. Ela sabia que Cristo veio ao mundo para fazer a vontade de Deus, que Ele veio para se ocupar exclusivamente das coisas de Deus, que seu Filho ia ser obediente a Deus até a morte de Cruz. Ela vai, então, ao Templo apresentar seu Filho para manifestar a sua total conformidade com a Missão dEle e para associar-se a essa Missão, consentindo no oferecimento que seu Filho fará de si mesmo anos mais tarde na Cruz. Aqui nesse momento, Ela consente ainda mais perfeitamente no sacrifício de Cristo. Nossa Senhora se associa de maneira singular à obra da redenção de seu Filho. Por isso, a espada anunciada pelo velho Simeão. Por isso, ela é chamada de corredentora.

Vemos também a intercessão de Maria diante de seu Filho nas bodas de Caná, quando ela obtém de seu Filho a transformação da água em vinho. Nosso Senhor deixa claro que aquele milagre ocorreu somente em razão do pedido de Maria. Ele havia condicionado o milagre ao pedido de sua mãe. Se ela pedisse, ele faria o milagre. Se ela não pedisse, não faria o milagre. E, de fato, quantas graças Nosso Senhor condiciona ao pedido de sua mãe? Recorramos a ela para que ela possa pedir por nós a seu Filho. Tudo o que ela pede ao seu Filho, ela obtém. Ela tem a onipotência suplicante, como dizem os santos. Ela consegue tudo pela sua súplica ao seu Filho. É evidente que ela pede sempre o que agrada ao seu Filho. E quão delicada é a bondade de Maria. Vemos nas bodas de Caná que ela intercede em favor dos noivos sem que eles tenham se dado conta de que estavam em apuros. Eles nem falaram com Maria! E ela os ajuda, tocada pela aflição deles. Quantas vezes N. Sra. já nos ajudou e nos obteve graças sem que pedíssemos, sem nem sabermos que precisávamos dessas graças? Se ela nos obtém grandes graças sem que peçamos, imaginemos o que nos alcança quando pedimos com humildade e perseverança? Devemos recorrer a Maria. Nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido a ela com verdadeira devoção tenha sido desamparado. Ela é a melhor das mães.

Nas bodas de Caná, ela é chamada de mulher. Nas línguas semíticas era um termo bem respeitoso. E Nosso Senhor a chama assim também para indicar que ela é a mulher do Gênesis, inimiga do demônio. Deus disse à serpente, ao demônio, logo após o pecado de Adão e Eva: “colocarei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. E ela te esmagará a cabeça.” A mulher que tem uma descendência pela qual esmaga a cabeça do demônio é Maria. Ela é a mulher por excelência. Bendita entre todas as mulheres. Ela é a Mãe de Deus, a Imaculada Conceição, a Medianeira de Todas as Graças, a Corredentora, a Onipotência Suplicante. E é nossa mãe também.

Nosso Senhor na cruz, no momento mais importante de toda a história, pouco antes de consumar seu sacrifício de valor infinito, diz a sua Mãe: “Mulher, eis o teu filho. Discípulo, eis a tua mãe.” O discípulo era São João, mas Nosso Senhor não diz “João, eis a tua mãe”. Ele diz “discípulo”. Todo discípulo verdadeiro de Jesus Cristo tem Maria por Mãe e a honra como Mãe. Não pode ser verdadeiro discípulo de Cristo quem não tem Maria por mãe. E o verdadeiro discípulo de Cristo a leva para a sua casa, quer dizer, para o seu coração. Nosso Senhor fez isso na hora mais importante da sua vida e de toda a humanidade, para nos mostrar a importância de termos Maria por mãe. Para recorrermos a ela como a uma mãe, realmente. Para que a obedeçamos. E quais são as ordens que dá Maria aos seus filhos? Está nas bodas de Caná. Ela diz aos servos do casamento: fazei tudo o que Ele, Jesus, vos disser. Nossa devoção a Maria nos leva a Jesus. O único objetivo dela é nos fazer semelhantes a seu Filho.

Ela é a Mãe de Deus, a Imaculada Conceição, a Medianeira de Todas as Graças, a Corredentora, a Onipotência Suplicante. E é também nossa mãe. Tudo isso contido em tão poucas passagens da Sagrada Escritura. Recorramos a ela, com confiança, como filhos.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Missa Tridentina em Brasília.

         

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Uma ideia sobre “[Sermão] Maria Santíssima na Sagrada Escritura – breve resumo

  • 7 de fevereiro de 2016 em 12:50
    Permalink

    Mãe do céu, obrigada por nos trazer à Igreja de seu Filho!!!

    Resposta

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