É realmente edificante reconhecer como a Igreja defendeu e propagou, promovendo a cristianização dos povos, o plano salvífico oferecido pelo Criador, estendendo mansa, mas, heroicamente, em meio a inimagináveis adversidades, o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo

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Sensus fidei: Em minha recente trajetória espiritual, eu que nutria virulenta antipatia clerical por fundamentar meus falsos conceitos unicamente em autores “iluminados” que descrevem a história da Igreja Católica e dos Papas a partir da biografia de Judas Iscariotes, passei então a fazer o que nunca antes fizera: Apreciar na própria fonte, com humildade e reverente confiança, as preciosas joias do incomparável e vasto tesouro histórico do depósito da fé, tão cuidadosamente resguardado pela Igreja de Cristo.

mosteiroConhecer a história da Igreja Católica é conhecer a verdadeira história da humanidade. As virtudes heroicas dos santos e dos mártires. A pureza das almas virgens e consagradas. A permanente e precisa assistência do Senhor em suas fases mais difíceis servindo-se, quase sempre, de seus humanamente desacreditados escolhidos.

Estudando em boas fontes, rapidamente chama atenção a importância de uma instituição única na história e desenvolvida pela Igreja: a Universidade. Embora sua finalidade essencial fosse ensinar o Evangelho, bem define o historiador Lowrie Daly ao afirmar que a Igreja era “a única instituição na Europa que manifestava um interesse consistente pela preservação e cultivo do saber”. As primeiras universidades, fundadas pela Igreja Católica, foram provenientes das escolas paroquiais, das escolas monásticas e das escolas das catedrais e capitulares. No século X, o III Concílio de Latrão (1179), em Roma, presidido pelo Papa Alexandre III, ordenara a abertura de escolas por toda parte para as crianças, gratuitamente. Todas as dioceses passam a ter pelo menos uma escola. Assim, como diz Daniel-Rops “a Igreja passou a ser a matriz de onde saiu a Universidade”, porque dessas pequenas escolas diocesanas germinaram as sementes das futuras universidades. Com a aprovação e proteção dos Papas, opostamente ao funesto rótulo de “idade das trevas” papagueado por historiadores ignorantes e mal formados — e muitos mal intencionados — as universidades consolidam os fundamentos do grande avanço cultural da Europa.

Dessas catedralescolas, nascidas por iniciativa da Igreja Católica, logo surgiram as seguintes Universidades: Sorbone (Paris), Bolonha (Itália), Canterbury (Inglaterra), Toledo e Salamanca (Espanha), Salerno e Raviera na Itália; Coimbra em Portugal. Até 1440 foram erigidas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciência, Filosofia e Teologia. Todos fundados pela Igreja. Em 1200 Bolonha tinha dez mil estudantes (italianos, lombardos, francos, normandos, provençais, espanhóis, catalães, ingleses, germanos, etc). Das 75 Universidades criradas de 1100 a 1500, 47 receberam a Bula papal de fundação, enquanto muitas outras surgiram espontaneamente ou por decisão do poder secular, recebendo em seguida a confirmação pontifícia. Somente na França havia uma dezena de universidades: Montepellier (1125), Orleans (1200), Toulouse (1217), Anger (1220), Gray, Pont-à-Mousson, Lyon, Parmiers, Norbonne e Cabors. Na Itália: Salerno (1220, Bolonha (1111), Pádua, Nápoles e Palerno. Na Inglaterra: Oxford (1214), nascida das Abadias de Santa Frideswide e de Oxevey, Cambridge. Além de Praga na Boêmia, Cracóvia (1362), Viena (1366), Heildeberg (1386). Na Espanha: Salamanca e Portugal, Coimbra. Todas elas fundadas pela Igreja Católica. Como dizer que a Idade Média cristã foi uma longa “noite escura” no tempo?

mongeComo é edificante tomar ciência, em fontes fidedignas, inclusive em obras de jovens historiadores contemporâneos mesmo não católicos, que identificam e apresentam no seu devido valor a contribuição civilizacional da Igreja nos tempos bárbaros, após a queda do Império Romano. A força espiritual e cultural propulsora vinda dos mosteiros, a excelência com que sob a luz do Evangelho de Cristo a Igreja moldou a Idade Média Cristã e o quanto essa realidade mais tarde foi distorcida por uma falsa visão propagada pelos inimigos de Cristo.

Como é gratificante conhecer e admirar a grandeza do ensino da Escolástica e como a Igreja salvou a cultura greco-romana. Sua incomparável contribuição nas Artes e na Arquitetura das imensas e majestosas catedrais, na Escultura, na Pintura e na Música. Admirar-se como a Igreja desenvolveu a ciência e a tecnologia na Idade Média, como gestou grandes cientistas, contribuiu para o Direito Internacional, com a Economia, como lutou contra a violência. Como essa singular Instituição, movida pela caridade cristã, mudou a face do mundo ao inventar e construir hospitais, asilos e orfanatos, sempre tutelando e consolando do berço ao túmulo, através dos Sacramentos conferidos por Cristo a seus ministros, a árida jornada da alma do homem sobre a terra.

Como é belo reconhecer a permanente presença de Cristo na sua Igreja, na alma de seus incontáveis Santos e Santas. No destemor de seus mártires, cujo sobrenatural testemunho nos ensinam que a única coragem é a proveniente do espírito fortalecido na moral superior que o somente o Cristianismo oferece. E isso se constata na fortaleza incomparável de centenas de adolescentes virgens, torturadas e martirizadas por heroicamente defenderem sua pureza oferecida ao Senhor. Essa moral de teor elevado, que gera verdadeira coragem e intrepidez, vê-se no arrojo dos grandes reis católicos, nobres e cavaleiros que ofereciam sua vida pela defesa das famílias, propriedades e domínios sob o constante ataque de bárbaros e aventureiros. Mas, sobretudo, morriam em combate pela defesa da Fé, na condição de Cruzados, sacrificando suas vidas para deter a expansão de um império sanguinário, que até hoje impõe sua fé pela força da violência, da escravidão e da adaga.

É gratificante reconhecer o pioneirismo da Igreja no campo do Direito, através dos tribunais da Inquisição, cujos princípios de legislação, além de oferecer o direito de defesa ao homem medieval, retardou com eficiência a proliferação de heresias e erros doutrinários (gnósticos, alumbrados, cátaros, albigenses, etc) que mais tarde, livremente desimpedidas e absorvidas em nossos tempos, tornaram-se os próprios fundamentos do nazismo, da eugenia e da cultura de morte que asssola a sociedade das nações rumo à nova ordem.

beneditinosComo não se elevar em espírito ao conhecer o ardor apaixonante dos grandes santos: Bento de Núrsia, seus monges e seus mosteiros como centros de educação; Agostinho de Nipona, que, uma vez convertido, torna-se o grande desmascarador da heresia maniqueísta; os jovens Francisco e Clara de Assis, João da Cruz, Teresa Dávila, Tomás de Aquino, Inácio de Loyola e tantos outros que, diante de heresias, hereges e apóstatas contribuíram a seu tempo para a reforma da Igreja sem, por isso, abandoná-la. O inflamado Domingos de Gusmão, cuja missão foi oferecer à Igreja uma Ordem para distribuir as benesses oferecidas pela Mãe do Senhor através do Santo Rosário… e tantos outros santos fundadores de ordens e associações, cujas famílias espirituais continuam gerando filhos para o céu, oferecendo testemunho através de despercebidos sacrifícios, fomentando em todo o mundo a seiva ardente do Evangelho e do amor cristão.

Saber aquilatar com precisão a sobrenatural função da Cátedra de Pedro, onde os Papas, muitos deles hoje lembrados por suas dolorosas limitações pessoais, força-nos a reconhecer a mão providente e firme do Senhor a dirigir a barca de sua Igreja, conforme sua fiel promessa, sobre as turbulentas águas das misérias e mazelas humanas. “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Mas, sobretudo, é maravilhoso reconhecer como a Igreja defendeu e propagou, promovendo a cristianização dos povos, o plano salvífico oferecido pelo Criador, estendendo mansa, mas, heroicamente, na medida do possível e em meio a inimagináveis adversidades, o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo. E como, desde a formação do colégio apostólico, estabelecido por Jesus, tornou-se o intransponível obstáculo — o “Katéchon” que detém o Anticristo — o grande impedimento para a propagação de suas utopias criminosas e revolucionárias que hoje flagelam e desconstroem nossa civilização, ao erigir a anticristã Civilização do Homem — razão de ser da reflexão desse modesto trabalho.

Como a água pura que lava um vaso imundo, as duras escamas dos meus olhos, pouco a pouco, vão sendo removidas. Contrariamente ao relativismo apregoado por todas as doutrinas iluminadas que conheci e desgraçadamente pratiquei, finalmente, enxergo e me rendo à unicidade da Verdade, antes oculta pela cegueira da minha soberba e dolorosa indigência espiritual: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos” (Ef 4,5-6).

mosteiro2Durante a Idade Média a Igreja estendeu a luz de Cristo sobre os povos bárbaros, evangelizou-os e construiu nossa Civilização

Historiadores sérios contemporâneos reconhecem que quando os arquitetos da civilização das “luzes” assumiram suas cátedras, encontraram uma elaboradíssima estrutura cultural que fora paciente e laboriosamente preparada durante séculos. E o que fazem eles? Subestimam todo esse extraordinário legado espiritual e cultural, embora servindo-se dele para suas incursões intelectuais e acadêmicas, mas a partir de um novo prisma.

Para suas mentalidades contaminadas pelo naturalismo e o anticlericalismo, séculos de heroicas realizações inspirados pela fé católica são rotulados meramente como “Idade das Trevas”.

Mas essa é a maior fraude histórica e é realmente excitante derrubar este mito e redescobrir toda a verdade. Este é um assunto inesgotável que foge totalmente ao presente propósito. Mas, para efeito de sucinta ilustração, vale a pena lançar um breve olhar sobre alguns luminares da fé católica e observar com atenção suas inestimáveis contribuições para a ciência — efetivamente sempre realizadas para glória de Deus e para o bem da humanidade — e nessas suas realizações nada identificar daquilo que Enciclopedistas e inimigos de Cristo injustamente qualificam por “obscurantismo”, “ignorância” e “superstição”.

Alguns homens notáveis da Igreja Católica da Idade Média aos nossos dias

SanSt-Anselmoto Anselmo de Cantuária, OSB (1093 e 1109) – Abade da Ordem de S. Bento e arcebispo italiano foi chamado o pai da Escolástica. Nasceu em Aosta, no Piemonte, e fez-se monge no mosteiro de Bec-Hellouin, na Normandia, presidido pelo seu compatriota Lanfranco, a quem sucedeu em 1078 como abade de Bec, e em 1093 como arcebispo de Cantuária. No século XI a Idade Média atingia seu período mais fecundo com a expansão do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo através do Catolicismo. Chegava-se ao término definitivo das invasões bárbaras e a cultura resgatada com os esforços de Carlos Magno alcançava seu apogeu. Inspirado por Santo Agostinho, Sto. Anselmo seguia o seu “credo ut intelligam”, ou “creio para entender”. Toda a fase inicial da Escolástica será permeada com essa premissa de que o homem só é capaz de apreender as coisas quando assistido pela fé. Nessa época nada tem sentido sem, antes, partir da fé, do conhecimento superior, do divino, que é o que dá segurança às investigações filosóficas. Notável em Teologia e Filosofia, Sto. Anselmo foi um dos precursores da Teologia Escolástica. Os seus escritos valeram-lhe o título de doutor da Igreja, exercendo enorme influência sobre a Teologia ocidental, consagrando-se principalmente por ter criado o argumento ontológico para a existência de Deus e a visão da satisfação sobre a teoria da expiação. Como arcebispo defendeu energicamente a liberdade da Igreja contra as tirânicas ambições dos reis de Inglaterra. “Cristo nada ama tanto no mundo, afirmava, como a liberdade da sua Igreja”. Sto. Anselmo morreu em Cantuária no dia 21 de abril de 1109.

AbelardoPedro Abelardo (1079-1142) – Ilustre filósofo escolástico francês, teólogo e grande lógico. É considerado um dos maiores e mais ousados pensadores do século XII. Ensinou na Catedral Escola de Paris. O homem medieval entendia o pensamento como a mola propulsora para “o conhecimento das coisas divinas”. A obra principal de Abelardo, chamada “Dialética”, foi inspirada no pensamento de Boécio e tornou-se a obra de lógica mais influente até o final do século XIII em Roma, onde foi usada como manual escolar. A lógica era ministrada como parte do trivium, e seu trabalho forneceu aos estudantes os argumentos e armas para às disputas metafísicas e teológicas.


St-AlbertoMagnoAlberto Magno, OP (1200-1280) –
Frade alemão da Ordem de S. Domingos, filósofo, escritor e teólogo. Grande gênio enciclopédico, movia-se magistralmente e com grande segurança nos mais diferentes campos do conhecimento humano, convivendo em perfeita harmonia entre as razões da ciência e da fé. Consta que ele rezava sempre: “Senhor Jesus, invocamos a tua ajuda para não nos deixarmos seduzir pelas vãs palavras tentadoras sobre a nobreza da família, sobre o prestígio da instituição, sobre o que a ciência tem de atraente”. Foi o primeiro a comentar sobre as obras de Aristóteles, tornando-as acessíveis para o debate acadêmico. Sua obra consiste de trinta e oito volumes, e demonstra não só sua prolificidade como também seu conhecimento enciclopédico variado que abrange lógica, teologia, botânica, geografia, astronomia, astrologia, mineralogia, alquimia, zoologia, frenologia, direito, além de tratados sobre justiça, amizade e amor.

S-BoaventuraSão Boaventura, OFM (1221-1274) – Frade Menor da Ordem de S. Francisco. Doutor da Igreja. Teólogo e filósofo escolástico medieval nascido na Itália no século XIII. Sétimo ministro-geral da Ordem dos Frades Menores, foi também cardeal-bispo de Albano. Foi herdeiro de São Francisco e de Santo Agostinho, seu mestre preferido, também de Santo Anselmo e de São Bernardo. Sua teologia é marcada pela tentativa de integrar completamente a fé e a razão. Postulava que Cristo é o “único mestre verdadeiro” que oferece à humanidade conhecimentos que nascem da fé, se desenvolvem através de uma compreensão racional e tornam-se perfeitos pela união mística com Deus. Seus escritos abrangem quase todos os assuntos acadêmicos de sua época e suas obras são numerosas, tratando, em sua maioria, de filosofia e teologia. O pensamento filosófico de Boaventura revela considerável influência de Santo Agostinho, e tido como melhor representante do agostinianismo.

S-TomasSanto Tomás de Aquino, OP (1225-1274) – Frade da Ordem dos Pregadores, fundada por S. Domingos. Maior dos escolásticos e um dos maiores intelectuais de todos os tempos. Suas obras ainda exercem enorme influência na teologia e na filosofia. Conselheiro de Papas, não há assunto que Tomás não tenha abordado em sua vasta e inspirada obra. Suas obras mais conhecidas são a “Suma Teológica” (em latim: “Summa Theologiae”) e a “Suma contra os Gentios” (“Summa contra Gentiles”). Também são importantes seus comentários sobre as Escrituras e sobre Aristóteles. Seus inspirados hinos eucarísticos ainda hoje fazem parte da liturgia da Igreja. Ainda é tido por modelo como professor para seminaristas que estudam para o sacerdócio por ter atingido a expressão máxima tanto da razão natural quanto da teologia especulativa. Suas obras há muito tem sido o cerne do programa de estudos obrigatórios para os que buscam as ordens sagradas (padres e diáconos) e para os que se dedicam à formação religiosa em disciplinas como filosofia católica, teologia, história, liturgia e direito canônico. Sua pureza foi angelical. Foi proclamado Doutor da Igreja por Pio V em 1568. Escreveu também livros filosóficos sobre Lógica, Física, Ciências Naturais, a Moral, a Política e a Metafísica. Soube aproveitar Aristóteles para o bem da Igreja e do Cristianismo. Em vida já era chamado de “Doutor Angélico”. Santo Tomás colocou todo o seu trabalho sob a proteção da Santíssima Virgem Maria. Diante do Sacrário, emocionava-se até as lágrimas com o mistério de Cristo imolado. Foi um grande místico e, quanto possível, sua vida era escondida em Deus. Mas foi um gigante intelectual: ditava simultaneamente a quatro ou cinco secretários respostas às questões mais difíceis. A Igreja propõe a obra de Tomás como “doutrina segura”.

RogerBaconMonge Roger Bacon, OFM (1214-1294) – Frade Menor da Ordem de S. Francisco. Conhecido como “Doctor Mirabilis”, foi importante filósofo inglês que deu bastante ênfase ao empirismo e ao uso da matemática no estudo da natureza. Possuía conhecimentos em botânica, zoologia, química (alquimia), matemática, ótica, medicina e fez inúmeras previsões futuras, como o barco a vapor, as estradas de ferro, os balões, as alavancas, as roldanas, escafandros, telescópia, microscópio, os efeitos da pólvora. Propôs ao Papa Clemente IV a reforma do calendário Juliano que, somente três séculos depois, em 1582, foi adotado por Gregório XIII. Desenvolveu um telescópio primitivo, que mais tarde seria criado por Galileu. Possuía um conhecimento avançado para a época. Combateu a magia.

LucaPacioliLuca Bartolomeo de Pacioli, OFM (1445-1517) – Frade Menor da Ordem de S. Francisco. Célebre matemático italiano e hoje reconhecido como o pai da Contabilidade. Foi famoso professor universitário. Em Milão escreveu a “De Divina Proportione”, trabalho que foi ilustrado por Leonardo da Vinci. Nessa obra os dois revelaram um código há tempos oculto da natureza: “a divina proporção”, em outras palavras, a proporção existente entre os segmentos que resultam da divisão de um segmento AB por um ponto X interior de maneira que AB/AX seja igual a AX/BX. Por ser seu valor um número irracional raiz quadrada de cinco menos um, dividido por dois, igual a 0.6180339, conhecido em matemática como “divisão de um segmento em média e extrema razão”, o que resolve importantes problemas de construções geométricas. Paccioli ainda extraiu treze consequências do princípio matemático em honra de Cristo e seus doze Apóstolos. Com relação ao código da “divina proporção”, descoberto por Pacioli, recentemente, à custa da ilustrada ignorância e irrracionalidade contemporâneas, o escritor gnóstico ficcionista Dan Brown lucrou enorme fortuna com seu livro “Código da Vinci”.

PapaSilvestreIIPapa Silvestre, OSB II (950-1003) – Monge da Ordem de S. Bento nascido em Auvérnia, França. De origem humilde, foi educado e encaminhado aos estudos teológicos no mosteiro de Saint-Géraud de Aurillac, na Auvérnia. Tornou-se um dos homens mais cultos de seu tempo. Era bem versado em matemática, astronomia e mecânica. Foi pioneiro a divulgar os numerais indo-arábicos na Europa cristã. Lecionou em Roma, em Reims, onde desenvolveu a parte mais produtiva e interessante de sua obra didática e cultural. A invenção do relógio de pêndulo é dele, assim como os créditos por trazer os números arábicos para o ocidente. Além disso, ele escreveu vários livros. Sua inteligência era tamanha que começaram a surgir boatos de que ela era sobrenatural. Foi perseguido por sua superioridade intelecutal e por seus conhecimentos adiantados para a época. Apoixonado pela música, projetou a construção de um órgão a vapor na Catedral de Reims. Inventou vários tipos de máquinas hidráulicas, elaborou uma tábua de cálculos. Popularizou o uso do astrolábio, instrumento astronômico e inovador no seu tempo. O mais culto dos Papas promoveu a Reforma Eclesiástica e combateu o comércio das coisas sagradas.

NicolauDeCusaNicolau de Cusa ou Nicolau Krebs ou Chrypffs (1401-1464) – Sacerdote alemão, Bispo e Cardeal da Igreja Católica Romana, filósofo do Renascimento e autor de inúmeras obras, sendo a principal delas “Da Douta Ignorância”, publicada em 1440. Grande homem da Igreja tornou-se um elo entre duas épocas. Estudou gramática e filosofia, foi doutor em Direito Canônico e apaixonado pelas matemáticas e ciências naturais. Foi precursor de Copérnico ao assegurar que a Terra não era o centro do universo. Baseando-se nas suas observações dos elipses, concluiu que a Terra era menor que o Sol e maior que a Lua. Afirmou que o Sol e a Terra e os demais corpos celestes se encontram em movimento em diferentes velocidades. Propôs a rotação da Terra como explicação do ciclo dos dias. Influenciou grandes personagens como Kepler e Leonardo da Vinci. Seu serviço abnegado a Cristo e à Sua Igreja foi seu guia e estímulo para a ciência. Nicolau de Cusa fundou um asilo para idosos em Kues, hoje conhecida como Bernkastel-Kues, cidade localizada a cerca de 130 quilômetros ao sul de Bonn capital da Alemanha. Atualmente, este edifício abriga a biblioteca de Cusa, com mais de 310 manuscritos. Foi amigo do médico Paolo Toscanelli e inventou as lentes côncavas para tratar a miopia.

FranciscoDeVitoriaFrancisco de Vitória, OP (1483 – 1546) – Pertencente à Ordem dos Pregadores, fundada por S. Domingos, é reconhecido hoje como pai do Direito Internacional contemporâneo. Foi teólogo espanhol neo-escolástico e um dos fundadores da tradição filosófica da chamada “Escola de Salamanca”, sendo também conhecido por suas contribuições para a teoria da Guerra Justa e como um dos criadores do moderno direito internacional. Notabilizou-se especialmente por suas implicações jurídicas, igualmente na teologia e sobre aspectos morais da economia. Seus ensinamentos e métodos pedagógicos influenciaram direta ou indiretamente um grande número de teólogos, juristas e universitários como Melchor Cano, Domingo Báñez, Domingo de Soto, Francisco Suárez, Roberto Bellarmino entre outros, no que se chamou a “Escola de Salamanca”. No Brasil, teve publicada a obra “Os Índios e o Direito da Guerra” (Unijuí, coleção “Clássicos do Direito Internacional”, 2006). O cerne no qual toda sua obra filosófica foi desenvolvida centra-se na dignidade e os problemas morais da condição humana.

RobertGrossetesteRobert Grosseteste, OFM (1638-1686) – Frade inglês da Ordem fundada por S. Francisco de Assis. Foi Bispo de Lincoln, Inglaterra, professor do franciscano Roger Bacon, fundador e membro mais notável da Escola Franciscana de Oxford, que desenvolveu estudos matemáticos sobre os fenômenos naturais, ótica, som, astronomia, geometria e aritmética. Foi o primeiro a escrever um método completo para realizar um experimento científico. Destacou-se como figura central do importante movimento intelectual da primeira metade do século XIII na Inglaterra. Apelidado de Grosseteste pela sua extraordinária capacidade intelectual (Grosse = grande + teste = cabeça), destacou-se como o primeiro estudioso europeu a dominar as línguas grega e hebraica. Enfatizava a matemática como ferramenta para estudar a natureza e defendia a utilização de experimentos. Estudou na Universidade de Oxford e foi seu presidente de 1215 até cerca de 1221. Como fundador da escola Franciscana de Oxford, foi o primeiro escolástico a entender plenamente a visão Aristotélica do caminho duplo para o pensamento científico. Grosseteste chamou isso de método da resolução e composição.

NicolauStenoPadre Nicolau Steno (1638-1686) – Bispo católico dinamarquês e cientista pioneiro nos campos da anatomia e da geologia. É reconhecido como o pai da Estratigrafia. Luterano convertido ao Catolicismo. Seu biógrafo recente, Alan Cutler (2003) escreveu que “Steno foi o primeiro a afirmar que a história do mundo podia ser reconstituída a partir das rochas”. Segundo os “princípios de Steno”, haveria a lei da sobreposição (onde as camadas sedimentares são formadas em sequência, de tal modo que a camada mais baixa é a mais antiga, e as camadas vão decrescendo em idade até à mais recente, situada no topo). Este primeiro princípio é ensinado naturalmente nas faculdades, hoje em dia. Pe. Steno estabeleceu a maior parte dos princípios da geologia moderna. Através da teoria corpuscular da matéria argumentou que fósseis podiam ter sua composição química alterada sem que a sua forma se alterasse. Com o passar dos anos, viria a ser tomado como modelo de santidade e de sabedoria.

LeonBattistaAlbertiPadre Leon Battista Alberti (1404-1472) – Arquiteto, teórico de arte e humanista italiano, filósofo da arquitetura e do urbanismo, pintor, músico e escultor. Seus trabalhos foram fundamentais no desenvolvimento da perspectiva. Seu tratado “Sobre a Pintura” expôs a perspectiva em termos matemáticos e com base na geometria e na ótica, estudando pela análise dos triângulos e outras figuras formadas pelos raios visuais a representação do espaço. Assim, Padre Alberti deu o primeiro passo no estudo do espaço em um sistema de coordenadas espaciais, o que deu grande avanço à geometria. Ao estilo do ideal renascentista, foi filósofo da arquitetura e do urbanismo, pintor, músico e escultor. Sua vida é descrita em “Vite”, de Giorgio Vasari. Baseava na música dos números a harmonia das proporções e concebia o edifício como um todo, solidário em cada um de seus elementos. Exímio na concepção de plantas e modelos. Ao seu talento deve-se a frontaria de Santa Maria Novella e o Palácio Rucellai, em Florença; San Sebastiano e Sant’Andrea, em Mântua; e o Templo Malatesta, de Rimini: a Igreja de São Francisco, cuja fachada foi disposta com um arco de triunfo. Foi um dos humanistas mais versáteis e importantes do Renascimento.

CristoforoClavioPadre Cristóforo Clávio, SJ (1538 – 1612) – Sacerdote da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola, foi matemático e astrônomo alemão. Escreveu livros de aritmética prática, geometria, álgebra e o astrolábio. Excelente em cursos universitários em matemática, em 1560 realiza observações astronômicas de um eclipse solar total que o levou a ser direcionado para o estudo da astronomia. No ano de 1579 ele foi nomeado primeiro matemático da Pontifícia Comissão para a reforma do calendário juliano. A definição do novo calendário obteve êxito completo, e passa a ser adotada em países católicos em 1582 e, nas décadas seguintes, é adotado também em países protestantes por ordem do Papa Gregório XIII. Este é o calendário ainda em uso hoje no mundo ocidental. Em reconhecimento desta sua atividade ficou conhecido como Euclides do século XVI. Clavius manteve uma vasta correspondência com matemáticos e estudiosos de toda a Europa, e não jesuítas, publicado em 1992 pelos napolitanos Ugo Baldini e Pier Daniele.

FrancoisDaguilonPadre François d’Aguilon, SJ (1567 – 1617) – Sacerdote da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola, matemático, físico e arquiteto belga. Na Matemática e na Óptica, d’Aguilon demonstrou seu pleno potencial. Lecionou como professor de matemática em Douai, em 1598 é transferido para a Antuérpia, onde iniciou uma escola especial de matemática, que pretendia perpetuar a investigação matemática e o estudo na sociedade dos jesuítas. Esta escola produziu geômetras como: André Tacquet, Jean-Charles della Faille e Théodore Moretus. Foi também reitor até 1616. Seu livro, “Opticorum Libri Sex philosophis juxta ac mathematicis utiles” (Seis Livros da Óptica, úteis para filósofos e matemáticos), publicado na Antuérpia em 1613, ilustrado pelo famoso pintor Peter Paul Rubens. Tornou-se célebre mundialmente por ser o primeiro a utilizar projeção estereográfica, hoje usada para navegação aérea, metereologia e aplicações militares. Foi precursor de Isaac Newton na descoberta do cálculo infinitesimal. Como arquiteto, trabalhou nos projetos das igrejas jesuítas de Tournai e Mons. Foi o arquiteto da mais bela igreja jesuíta do Barroco nos Países Baixos.

ChristoforoScheinerPadre Christoph Scheiner, SJ (1573 ou 1575 – 1650) – Sacerdote alemão da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola. Versado em filosofia (metafísica e matemática). Scheiner inventou é o pai do pantógrafo, instrumento que duplica planos e desenhos para uma escala ajustável. Ensinou humanidades e seus anos como professor de latim na escola secundária jesuíta em Dillingen conferiu-lhe o título de “Magister Artium”. Notabilizou-se como físico e astrônomo em Ingolstadt. Descobriu as manchas solares antecedendo Galileu. Fabricou o primeiro telescópio terrestre e realizou estudos sobre o olho, publicando a obra “Oculus” afirmando corretamente que é na retina que se percebe a luz. Descreveu a determinação do raio de curvatura da córnea, a descoberta da saída do nevo ótico e acomodação do olho. Seu obituário menciona a modéstia e a castidade de Scheiner, sublinhando que ele foi invejado por muitos.

AthanasiusKircherPadre Athanasius Kircher, SJ (1601 – 1680) – Sacerdote alemão da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola. Matemático, físico, alquimista e inventor alemão. É reconhecido com o pai da Geologia moderna. Em seus estudos geológicos, adentrou a cratera do vulcão Vesúvio na Itália. Notabilizou-se por sua versatilidade de conhecimentos e sua habilidade para o conhecimento das ciências naturais. Ainda antes de terminar seu último ano probatório, em Espira, foi convidado para assumir a cadeira de Ética e Matemática na Universidade de Vurzburgo, ao mesmo tempo em que lecionava sírio e hebreu. Foi pesquisador do mundo oriental e da medicina, pioneiro ao defender que as doenças eram causadas por micro-organismo. Servindo-se de um microscópio rudimentar, examinou doentes com peste e foi o primeiro a observar os vermes. Construiu um aparelho para projetar imagens, conhecido como lanterna mágica (1646) e relacionou peste bubônica com putrefação. Escolhido como homem certo para resolver o enigma dos hieróglifos egípcios, sua liberação dos Jesuítas foi solicitada para que ele ficasse em Roma dedicando-se à pesquisa onde lá viveu e morreu. Papas, imperadores, príncipes e prelados respeitavam suas investigações e, essencialmente, suas opiniões. Durante sua curta estada em Roma escreveu nada menos do que quarenta e quatro livros.

MateoRicciPadre Matteo Ricci, Evangelizador da China, SJ (1552-1610) – Sacerdote italiano da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola. Foi missionário, cientista, geógrafo e cartógrafo. Os Jesuítas foram os primeiros europeus a se embrenharem no Tibet e China. Foram pioneiros na tradução dos trabalhos de matemática e astronomia para o chinês, despertando o interesse dos estudantes chineses para essas disciplinas que, até então, mostravam-se muito inferiores comparadas com o nascimento da então ciência moderna na Europa. Padre Matteo Ricci deixou notável colaboração à ciência e foi matemático do Imperador da China. Provou-lhe que o milenar Calendário Chinês continha erros, descoberta que comprometia a própria vivência da religião chinesa. Padre Ricci e seu companheiro espanhol Pantoja, eram os únicos católicos em Pequim, capital do Império. Este notável sacerdote traduziu para o chinês obras matemáticas como os primeiros seis livros dos Elementos de Euclides, escreveu mais de 20 livros de ciência para os chineses e contruiu muitos instrumentos como os quadrantes solares, esferas terrestres e celestes, relógios, etc. Elaborou o primeiro mapa da China que o Ocidente conheceu e mostrou ao mesmo Imperador que a China não era o centro da Terra. Redigiu um tratado de geometria em chinês. Foi o primeiro europeu a entender a doutrina de Confúcio com o objetivo de conhecer a cultura chinesa, e foi pioneiro em difundi-la no Ocidente ao traduzir para o latim as “Anacletas” do filósofo chinês. Assim, entendendo Confúcio, o Ocidente começou a entender a China. Pelos seus serviços, foi declarado mandarim oficial no palácio do Imperador em Pequim.

JoseDeAcostaPadre José de Acosta, SJ (1539-1600) – Sacerdote espanhol da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola. Poeta, cosmógrafo e historiador. Professor de Teologia, foi enviado aos 32 anos para trabalhos missionários na América, chegando no Peru em 1571. Acosta fundou várias escolas, incluindo aquelas no Panamá, Arequipa, Potosí, Chuquisaca e La Paz, onde sofreu forte oposição do vice-rei Toledo, que se opunha às novas fundações dos jesuítas. Escreveu vários livros em que se verificam claramente suas duas grandes preocupações: a evangelização e as ciências naturais. O primeiro volume de sua obra composta por sete livros “História Natural e Moral das Índias” foi o primeiro livro impresso no Peru em 1583. Sua obra “História Natural e Moral” é pioneira e nela encontramos a geografia física da América, os minerais, a flora, a fauna com precisas observações geofísicas sobre as variações da declinação magnética. Cientistas modernos o consideram o precursor da medicina astronáutica, em razão de suas observações fisiológicas sobre a população andina habituada a viver a mais de 4 mil metros de altitude. Escreveu Historia Natural e Moral das Índias, em 1590, com perfeito sentido crítico sobre a questão, tendo descrito a doença que tem o seu nome (Doença de Acosta).

AnchietaPadre José de Anchieta, SJ) (1534 – 1597) – Reconhecido como o Apóstolo do Brasil, foi sacerdote espanhol da Companhia de Jesus. Foi um dos fundadores da cidade de São Paulo. Missionário incomparável, notabilizou-se como gramático, poeta, teatrólogo e historiador. Seu apostolado não o impediu de cultivar as letras, compondo textos em quatro idiomas; português, castelhano, latim e tupi, em prosa e verso. Juntamente com Pe. Manuel da Nóbrega, abriu os caminhos do sertão, aprendendo a língua tupi, catequizando e ensinando latim aos índios. Escreveu a primeira gramática sobre uma língua do tronco tupi: “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil”, publicada em Coimbra em 1595. Participou da fundação do Colégio de São Paulo, no planalto de Piratininga, colégio de jesuítas do qual foi regente. Dali nasceria a cidade de São Paulo. Como religioso, além de cuidar e catequizar os indígenas, defendia-os dos abusos dos colonizadores portugueses. Esteve no litoral paulista, em Itanhaém e Peruíbe, juntamente com o Pe. Manuel da Nóbrega, em missão de preparo para o Armistício com os Tupinambás de Ubatuba, o Armistício de Iperoig. Nessa ocasião, em 1563, intermediou as negociações entre portugueses e indígenas reunidos na Confederação dos Tamoios, onde Anchieta foi oferecido como refém dos tamoios em Iperoig, enquanto o Pe. Manuel da Nóbrega retornou a São Vicente juntamente com Cunhambebe, e ultimando as negociações de paz entre indígenas e portugueses. Foi quando compôs o “Poema à Virgem”, nas areias da praia. Mais tarde, em São Vicente, trasladou-o da memória ao papel. Durante o cativeiro, Anchieta levitou entre os indígenas. Foi diretor do Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro. Fundou a povoação de Reritiba (ou Iriritiba), atual Anchieta, no Espírito Santo. Foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil. Sua obra “De gestis Mendi de Saa”, impressa em Coimbra em 1563, retrata a luta dos portugueses, chefiados por Mem de Sá, para expulsar os franceses da baía da Guanabara. Esta epopeia renascentista, escrita em latim e anterior à edição de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, é o primeiro poema épico da América, primeiro poema brasileiro impresso, e primeira obra de Anchieta publicada. Como catequista, seu teatro e sua poesia resultaram na melhor produção literária do quinhentismo brasileiro. Entre suas contribuições culturais, podemos citar as poesias em verso medieval, sobretudo o poema “De Beata Virgine Dei Matre Maria”, com 5786 versos, os autos que misturavam características religiosas e indígenas, a primeira gramática da língua tupi ou A Cartilha dos nativos. Redigiu uma espécie de certidão de nascimento do Rio de Janeiro em sua carta de 9 de Julho de 1565 ao Pe. Diogo Mirão. Recentemente, no dia 3 de abril de 2014, o Papa Francisco assinou o decreto que proclama a santidade do Padre Anchieta.

JoaoBatistaRiccioliPadre João Batista Riccioli, SJ (1598 – 1671) – Sacerdote italiano da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola. Astrônomo, destacou-se também na Física sendo o primeiro a determinar a taxa de aceleração de um corpo em queda livre. Dedicou-se plenamente ao estudo da astronomia, trabalhando em conjunto com Francesco Maria Grimaldi. Riccioli e Grimaldi estudaram exaustivamente a Lua. Grande parte da nomenclatura inerente às características da Lua ainda em uso atualmente deve-se ao trabalho de Riccioli e Grimaldi. Riccioli também observou Saturno, e foi um dos primeiros europeus a notar que a estrela Mizar era uma estrela dupla. Riccioli e Grimaldi também realizaram avanços aumentando a precisão de pêndulos. Com a ajuda de nove companheiros jesuítas, contou aproximadamente 87 mil oscilações de um pêndulo de um segundo, e foi capaz de calcular a constante da gravidade. Um estudo recente descreveu o processo utilizado por ele. Escreveu uma enciclopédia de astronomia. Sua obra publicada em 1651. a “Almagestum novum”, era consultada por todo astrônomo sério.

FranciscoMariaGrimaldiPadre Francisco Maria Grimaldi, SJ (1613-1663) – Sacerdote italiano da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola. Nome importante na história da ciência. Construiu e utilizou instrumentos para medir montanhas lunares, bem como a altura das nuvens. Juntamente com Padre Riccioli criou um preciso selenógrafo (detalhado diagrama mostrando as características de Lua), atualmente exposto no Museus Nacional do Espaço e do Ar de Washington. Descobriu a difração da luz e foi quem deu este nome ao fenômeno, que Isaac Newton chamou de “inflecção”, mas prevaleceu o termo de Grimaldi. Descobriu a “difração de bandas” e suas descobertas levaram a futuros cientistas à descoberta da natureza ondulatória da luz. Ele expôs a teoria ondulatória de sua propagação na obra “Physicomathesis de Lumine” (1666). Isaac Newton menciona as proposições sobre difração da luz de Pe. Grimaldi na Prte III de sua “Optipks” (1704).

RudjerJosephBoschovichPadre Roger Boscovich (1711-1787) – Sacerdote croata da Companhia de Jesus (SJ), fundada por Santo Inácio de Loyola. Físico, astrônomo, matemático, filósofo, diplomata e poeta. Influenciou o desenvolvimento teórico sobre a estrutura da matéria, expostas em sua “Theoria Philosophae Naturalis”, em que traz esboços da teoria sobre quarks. Autor fecundo, publicou muitas obras, entre elas 22 dissertações científicas. Padre Boscovich desenvolveu o primeiro método para o cálculo das órbitas de um planeta baseado nas observações de suas posições. Suas teorias influenciou cientistas de vanguarda na Europa no século XIX a na segundo metade do século XX. Segundo o cientista contemporâneo, Mac Donnel (1989), Padre Boscovich deu “a primeira descrição coerente da teoria atômica”, um século antes da moderna teoria atômica surgir. É chamado de “o verdadeiro criador da física atômica, fundamental como a entendemos”. Foi reconhecido por Michel Faraday, descobridor da lei da indução magnética, por Mendeleev, Clerk Maswell, Kelvin, etc. Foi admitido na Royal Society de Londres. Ocupou a cadeira de matemáticas e foi ainda diretor por seis anos do Observatório Astronômico de Brera em Milão. Recebido pelos grandes pensadores e eruditos da época, manteve correspondência com Voltaire e com Samuel Johnson. Foi agraciado com a nacionalidade francesa e dirigiu o departamento de óptica da Marinha Real, em Paris, onde viveu até 1783. Impressionou os astrônomos Joseph Lalande e Laplace e o enciclopedista d’Alembert, dentre outros.

GeorgMendelPadre Georg Mendel (1822-1884) – Monge austríaco da Ordem fundada por Santo Agostinho (OSA), botânico e metereologista. É conhecido como o pai da Genética. Publicou dois grandes trabalhos agora clássicos: “Ensaios com plantas híbridas” (Versuche über Pflanzen-hybriden), e “Hierácias obtidas pela fecundação artificial”. Formulou em 1865, e apresentou em dois encontros da Sociedade de História Natural de Brno as leis da hereditariedade, hoje chamadas Leis de Mendel, que regem a transmissão dos caracteres hereditários. Após o estudo com ervilheira Mendel dedicou-se ao estudo das abelhas, tentando estender as suas conclusões para os animais. Produziu uma espécie híbrida entre abelhas do Egito e da América do Sul que produziam um mel considerado excelente, contudo eram muito agressivas, picando muitas pessoas dos arredores, e, por isso, foram destruídas. Mendel continuou a dedicar-se ao passatempo de apicultura, mesmo após ser eleito abade do Mosteiro de Brno, tendo inclusive fundado a Sociedade de Apicultura de Brno. Após 1868, as tarefas administrativas mantiveram-no tão ocupado que não pode dar continuidade às suas pesquisas, vivendo o resto da sua vida em relativa obscuridade. Seus importantes estudos foram redescobertos no século XX.

LandellPadre Roberto Landel de Moura (1861 – 1928) – Sacerdote católico brasileiro, é conhecido pelo seu pioneirismo na ciência da telecomunicação. Desenvolveu uma série de pesquisas e experimentos que o colocam como um dos primeiros a conseguir a transmissão de som e sinais telegráficos sem fio por meio de ondas eletromagnéticas, o que daria origem ao telefone e ao rádio, senão o primeiro de todos. Vários testemunhos afirmam sua realização de testes bem sucedidos em ambas as modalidades de transmissão desde 1893 ou 1894. Em 1901 conseguiu uma patente brasileira para um aparelho de transmissão de som à distância com ou sem fio, e em 1904 obteve três patentes norte-americanas para outros aparelhos. Foi reconhecido pela imprensa dos Estados Unidos como o inventor do telefone sem fio, caindo depois em um período de obscuridade. Também deixou projetos que apontam seu pioneirismo na transmissão de imagens sem fio, sendo considerado nacionalmente um precursor da televisão e das fibras ópticas. É cidadão honorário da cidade de São Paulo, patrono da Ciência, da Tecnologia e da Inovação do município de Porto Alegre, patrono dos radioamadores brasileiros, e seu nome foi inscrito em 2012 no Livro dos Heróis da Pátria, através da Lei nº 12.614, sancionada pela Presidência da República. Sua carreira sacerdotal se consolidou na Igreja no final de sua vida, sendo designado sucessivamente vigário-geral da Arquidiocese de Porto Alegre, cônego e penitenciário do Cabido Metropolitano, monsenhor e arcediago, responsável também pela paróquia do Menino Deus e, finalmente, pela paróquia do Rosário, em cuja igreja hoje estão depositados seus despojos.

GeorgesHenriJosephEdouardLemaitrePadre Georges Henri Joseph Éduard Lemaître, SJ (1894-1966) – Sacerdote belga da Companhia de Jesus. Destacou-se no estudo e previsão de furacões tropicais. Pioneiro ao formular a lei de proporcionalidade entre distância e velocidade de afastamento das galáxias. Esta lei, contida em seu artigo de 1927, será descoberta empiricamente por Hubble alguns anos mais tarde. Ele propôs a teoria do Big-Bang da origem do universo, mas denominando-a “Hipótese do primeiro átomo” ou “átomo primitivo”. Foi pioneiro na aplicação da teoria geral da Relatividade de Einstein à cosmologia, sugerindo um precursor da Lei de Hubbes em 1927, quando publicou sua teoria na revista “Nature” no ano de 1931. Trabalhou também na chamada Métrica de Frieddmann-Lemaître-Robertson-Walker (FLR), que é uma solução exata das Equações de Einstein da teoria da Relatividade geral e que descreve a expansão do universo e o Big-Bang usando a relação entre os ‘redshifts” e distâncias de objetos longínquos (Lei de Hubble) e aplicação do princípio cosmológico. Em 1966, internado em um hospital da Bélgica, Lemaitre é informado de que sua Teoria do Big Bang fora confirmada pelos experimentos de Arno Penzias e Robert Woodrow Wilson e reconhecida como a teoria padrão pela comunidade científica.

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Como vemos, esses homens notáveis, quase todos sacerdotes, deixaram sua contribuição no campo da ciência e da cultura. Vários deles, paralelamente às suas atividades acadêmicas, desempenhavam suas sacrificiais funções sacerdotais ministrando os Sacramentos: batizando, visitando doentes terminais, oficiando exéquias, confessando fiéis e dirigindo almas, rezando seus breviários. Mas, sobretudo, nutrindo suas almas no pleno serviço a Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo e morrendo para a expansão de seu reinado social e glorificando-O na celebração do único culto na terra verdadeiramente digno do Criador: o Santo Sacrifício do Altar, a Santa Missa.

Nem sequer abordamos aqui grandes santos e mártires do Cristianismo. Nem as extraordinárias mulheres que se santificaram na realização de uma vida escondida em Deus, em obediência à Sua vontade e na plenitude da sensibilidade espiritual feminina.

Nesse tremendo embate que se trava sobre o que restou da civilização cristã, é fundamental termos consciência do quanto é imprescindível mensurar, com clareza e serenidade, o exato valor implicado em aderir espontaneamente ao Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, seu Evangelho e todos os instrumentos de misericórdia por ela oferecidos e dispensados pelo Bom Pastor, para unidade, preservação e salvação do rebanho. Como, também, ao contrário, ter perfeita consciência do que verdadeiramente implica livremente não aderir a este mesmo Corpo Místico de Cristo. E, a partir dessa livre decisão, ceder ao embuste da terceira tentação, oferecida pelo “Príncipe”, de se aventurar na patética utopia revolucionária de se querer construir uma nova ordem mundial, mas fora dos desígnios do Criador.

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Fontes de consulta:

Daniel-Rops. Coleção História da Igreja. Quadrante.
Woods, Jr. Thomas E. Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental. Quadrante.
Aquino, Felipe. Uma História que não é contada – O trabalho da Igreja Católica para salvar e construir a nossa civilização. Cleófas.
Padre Paulo Ricardo – História da Igreja Antiga e muitos outros temas distribuídos em formato de cursos.
Associação Cultural Montfort (cf. vários estudos sobre o tema e também interessantes respostas aos leitores elaboradas pelo Professor Orlando Fedeli)
The Catholic Encyclopedia, New Advent.
Permanência – (cf. vários estudos e artigos)
Wikipedia, a enciclopédia livre 

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